História Salão Musical de Lisboa

Foto do fundador do Salão Musical

António José Fernandes da Costa
1925-1990

O Salão Musical de Lisboa de: A. Fernandes da Costa, Sociedade Unipessoal, Lda. abriu portas em 1958 pelas mãos de António José Fernandes da Costa.

A origem do Salão Musical já vinha sendo preparada há gerações. Orlando Costa, filho do fundador e atual proprietário, conta que o bisavô era regente de bandas filarmónicas, e que o avô, que cresceu no meio de músicos, trabalhou toda a sua vida profissional numa antiga loja de Lisboa, infelizmente já encerrada, como técnico de instrumentos de sopro sendo o encarregado dessa oficina.

O pai de Orlando Costa seguiu o mesmo caminho, até se aventurar pelo Brasil durante alguns anos, para trabalhar numa fábrica onde se especializou no fabrico de vários instrumentos de sopro. A experiência adquirida deu lugar ao sonho e, em 1958, António Costa abriu o Salão Musical na Rua dos Anjos, 37-C, que funcionava como loja e oficina, com o principal propósito de reparar e fabricar instrumentos musicais de sopro.

Desde a sua abertura que o Salão Musical teve como clientes várias entidades oficiais, como a CP, o Ministério do Exército, o Ministério da Educação e a Fundação Calouste Gulbenkian: a CP, para encomendas de cornetas de sinais de estação que na época eram usadas para a sinalização dos comboios, o Ministério do Exército para o fornecimento de clarins, cornetas, instrumentos de percussão e caixas da guerra, o Ministério da Educação para o fornecimento de instrumentos de iniciação musical (Orff), tão necessários para a educação musical nas escolas do nosso país e a Fundação Calouste Gulbenkian para a fabricação de instrumentos de palheta (clarinetes).   

Orlando Costa tinha apenas três anos de idade quando o pai fundou o Salão Musical e desde então acompanhou e viveu de perto a paixão pela música que lhe era tão familiar.

No final da década de 60, seu irmão João já trabalhava na reparação de instrumentos de palheta e de bocal. Foi ao longo dos anos aprendendo e aprefeiçoando com o seu pai as técnicas de reparação destes instrumentos. É então dois anos mais tarde que Orlando Costa abraça também ele o projeto de auxiliar o pai na oficina.

Nessa época, todas as bandas militares - GNR, PSP, Força Aérea, Banda da Marinha a já extinta Banda da Guarda Fiscal e muitas das bandas filarmónicas que existiam de norte a sul do país - reconheciam a alta qualidade do trabalho do seu pai, que era considerado uma referência na reparação de instrumentos de sopro.

Na segunda metade da década de 70, começa a surgir uma procura crescente por pianos e em especial por serviços de afinação e reparação. É para responder a esta necessidade que o Conservatório Nacional abre um curso para afinadores de pianos, que Orlando Costa frequenta. Com a constante preocupação em acompanhar as necessidades do mercado e de responder às expectativas dos seus clientes, o Salão Musical, ainda na década de 70, começa a importar pianos acústicos usados, que repara e comercializa, tendo criado um atelier de assistência técnica para pianos acústicos. Desde então, tem sido prática do Salão Musical de Lisboa disponibilizar para os seus clientes, pianistas, alunos, escolas e para o público em geral, todos os serviços de assistência e manutenção de pianos.

Nas décadas seguintes o Salão Musical expandiu o seu negócio, tendo-se dedicado também à importação e comercialização de conceituadas marcas de instrumentos musicais.

Com o seu contínuo crescimento e reputação enquanto loja de instrumentos musicais e também como atelier de reparação, o Salão Musical abre a sua segunda loja a 1 de outubro de 1990, na Rua da Oliveira ao Carmo,2 ao Largo do Carmo em Lisboa.

A história e a tradição convivem aqui com a modernidade: guitarras tradicionais ombreiam com as elétricas, pianos acústicos verticais e de cauda partilham o espaço com os pianos digitais. A família dos cordofones está bem presente na loja, especialmente pelos instrumentos tradicionais portugueses.

Já neste século, a crise atinge fortemente o negócio dos instrumentos musicais em Portugal. Ao mesmo tempo que se assiste a um grande decréscimo da procura interna devido ao fraco poder de compra dos clientes em geral, entram no nosso mercado as grandes empresas multinacionais. Com uma crise tão acentuada no nosso país, muitas lojas deste sector de atividade vêem-se obrigadas a fechar portas. Contrariando essa tendência, o Salão Musical de Lisboa perdurou, adequando-se às novas realidades e expectativas dos consumidores e é atualmente a única loja de instrumentos musicais na zona da Baixa-Chiado.

Em 2010, o Salão Musical de Lisboa passa por uma restruturação, tendo convertido o espaço da Rua dos Anjos só em oficina de reparação de pianos e armazém passando a exposição e vendas a funcionar em exclusivo na sua loja da Rua da Oliveira ao Carmo, nº 2 ao Largo do Carmo.

A sua localização privilegiada, em plena zona histórica da cidade de Lisboa, constitui uma verdadeira montra da instrumentação tradicional portuguesa, muito apreciada pelos inúmeros turistas que por aqui passam. Esta loja é ainda uma referência para os estudantes de música, professores, músicos profissionais e por todos aqueles para quem a música tem um lugar especial na sua vida.

Especialmente após a declaração do fado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO existe um crescente interesse dos turistas pelo Fado e em particular pela guitarra portuguesa. Músicos e turistas de todos os cantos do mundo ficam fascinados pela sonoridade da nossa guitarra, instrumento que adquirem com enorme entusiasmo.

Mas o papel do Salão Musical de Lisboa não fica por aqui. Além da divulgação da nossa música e dos seus instrumentos, procuramos ter sempre em exposição uma boa variedade de cavaquinhos e bandolins portugueses, bem como de violas regionais: braguesas, beiroas, campaniças, amarantinas, toeiras, violas da terra. Com grande frequência são dadas informações a respeito das origens dos instrumentos, da sua utilização na música, das afinações e aspetos técnicos da sua construção.

De salientar ainda que as guitarras portuguesas e os restantes instrumentos tradicionais que comercializamos são de fabrico inteiramente nacional. Contribuímos assim para a sustentabilidade das unidades de produção nacionais, ajudando a escoar a sua produção quer entre os músicos portugueses, quer entre os turistas que nos visitam e que procuram estes extraordinários instrumentos.       

A modernidade e a tradição estão sempre presentes no Salão Musical de Lisboa. Desde cedo que esta empresa acompanhou os desenvolvimentos tecnológicos, disponibilizando a todos os seus clientes a loja online, uma necessidade imposta pelas leis do mercado, e que soubemos enfrentar. Nos dias de hoje, um negócio local é também, forçosamente, um negócio global.

Há um longo caminho percorrido desde o lançamento do primeiro site até ao atual (https://www.salaomusical.com). Hoje o Salão Musical de Lisboa dispõe também de um blog e está presente nas redes sociais, em especial no Facebook (https://www.facebook.com/SalaoMusicalLisboa/).

No âmbito do programa que a Câmara Municipal de Lisboa promoveu na cidade de Lisboa sobre o comércio tradicional, cultural e histórico o Salão Musical de Lisboa obteve a distinção de Loja com História aprovada em Reunião da Câmara Municipal de Lisboa de 27 de Junho 2018.  

https://www.timeout.pt/lisboa/pt/noticias/ha-44-novas-lojas-com-historia-em-lisboa-062918

A equipa do Salão Musical de Lisboa é atualmente constituída por seis pessoas, que se dedicam às várias tarefas que este negócio exige, sempre com a consciência do papel que têm ao serviço dos músicos portugueses e da divulgação da cultura musical de Portugal.

Apesar de reconhecer a necessidade em acompanhar as novas tecnologias e tendências junto do mercado, para Orlando Costa, o papel da loja de rua continua a ser fundamental. É ao balcão onde se recebem os clientes, novos e antigos, nacionais ou estrangeiros que entram na loja para experimentar, ver ou simplesmente pedir uma opinião ou aconselhamento, que se fazem amizades há décadas. “É uma lógica de proximidade em que insistimos e que faz sentido, já que a música se quer ao vivo.”

Neste ano de 2018 comemoramos 60 anos ao serviço da música, o Salão Musical de Lisboa oferece aos seus clientes conhecimento especializado na venda e assistência técnica de instrumentos musicais em Portugal. E o futuro vai sendo preparado hoje: Diogo Costa com 20 anos, com o 5º grau de piano e na faculdade, é filho de Orlando Costa e já manifesta interesse em prosseguir com o negócio da família. Apesar de ainda estudar, participa já em algumas atividades e é muito provável que esta loja que já atravessou duas gerações, continue com a terceira geração na mesma família, mantendo e dando continuidade à tradição e à paixão pela música.


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