Salão Musical de Lisboa Loja de instrumentos musicais desde 1958
Salão Musical de Lisboa Loja de instrumentos musicais desde 1958

Usamos cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência. Ao navegar com os cookies ativos consente a sua utilização.

Configuração de cookies

Costumização
  • Cookies de terceiros para fins analíticos.
  • Mostre recomendações personalizadas com base na sua navegação em outros sites.
  • Mostre campanhas personalizadas em outros sites.
Funcional (obrigatório)
  • Necessário para navegar neste site e usar suas funções.
  • Identifique você como um usuário e armazene suas preferências, como idioma e moeda.
  • Personalize sua experiência com base em sua navegação.

Como gravar um piano

Publicado por2019-03-25 por 6904
Guardar
Neste artigo vamos enveredar pela culinária, e dar-vos uma receita básica, com algumas variações, sobre como fazer um registo sonoro de um instrumento tão complexo como o piano.

Querem gravar um piano e não sabem como? Capturar a sua essência sonora e a interpretação de um músico tem tanto de arte como de ciência. Neste artigo vamos enveredar pela culinária, e dar-vos uma receita básica, com algumas variações, sobre como  fazer um registo sonoro de um instrumento tão complexo como o piano.

Ingredientes

  • um piano, com o respectivo pianista;

  • música;

  • microfones;

  • tripés;

  • uma sala;

Como alguém uma vez disse, as gravações não se fazem com microfones, mas com os ouvidos. Recomendamos pelo menos dois, bem limpos.

Mesmo os ingredientes podem ter variações que afetam o resultado final. O piano é de cauda ou vertical? A sala é um auditório vazio, cheio, ou uma divisão pequena? Existe ruído de fundo? É a solo ou em conjunto?  As indicações que vamos dar poderão ter de ser adaptadas às especificidades de cada situação.

Antes de começarem a colocar tripés e a puxar cabos, perguntem-se: qual é o vosso objectivo? É um registro profissional, ou apenas um apontamento? Qual é o grau de fidelidade que realisticamente conseguem obter? Uma gravação razoável serve perfeitamente uma óptima interpretação, uma de alta fidelidade é inútil para uma má execução.  É preciso mesmo gravar com microfones ou basta um gravador digital em cima do piano? Ou dentro dele?

Preparação

O centro da vossa gravação não é o piano. Nem o pianista. Esta não é uma daquelas filosofias orientais vindas de Hollywood da cartilha do Mestre Miyagi. O que vão gravar é a música, executada por alguém com as suas idiossincrasias pessoais e técnicas, num instrumento musical que produz o som.

O primeiro passo é ouvir o que vai ser gravado. Não interessa se gostam ou não, o que importa é que entendam as dinâmicas: volume, expressão, que frequências são mais importantes.

Falem com quem conhece a música de trás para a frente, ou seja, o pianista, para conhecerem todas as sequências, secções e nuances da peça. Vejam como toca, qual é o espírito geral, o que querem transmitir a quem ouvir a gravação.

Ainda sem tirar os microfones do estojo, ouçam a sala. Passeiem por ela enquanto ouvem a música de novo. Descubram o ponto certo para colocar os microfones. Se soar bem ao ouvido vai soar bem ao microfone.

Os microfones podem ser de qualquer tipo, mas recomendamos cardióides de condensador. O seu padrão de captação é ideal para um instrumento com tanta largura como o piano, ao mesmo tempo que minimiza ruídos que estejam fora do seu raio de acção. A sua sensibilidade é ideal para captar pormenores e tirar partido das variações de dinâmica.  

Num piano de cauda, podem colocar o microfone mesmo por cima das cordas, desde que as frequências não estejam demasiado misturado. Regulem a altura do tripé para ficar à distância correta das cordas. Se quiserem ter algum batimento dos martelos, coloquem o microfone mais perto deles.

Se quiserem ter um pouco de martelos sem perder toda a riqueza tímbrica, usem dois microfones, posicionados acima das cordas. Não se esqueçam, seguindo a regra dos 3:1, a distância entre microfones deve ser três vezes a distância a que estão das cordas.

A AudioTechnica, umas das marcas do Salão Musical de Lisboa, mostra algumas técnicas básicas para gravar um piano de cauda.

Num piano vertical, podem colocar o microfone acima do teclado, mas terão um som muito mais rico se o colocarem à frente do painel posterior, onde estão as cordas. Mais para a esquerda ou para a direita, depende muito da peça e das notas em acção.

Este vídeo explora algumas formas de o fazer.

Em caso de dúvida, escolham um ponto neutro que capte o máximo de piano, e o mínimo de ruído externo. Ou não.

Há gravações incríveis em que podemos ouvir os músicos a respirar, a entoar as notas enquanto tocam, a bater com o pé, no chão, o banco a ranger de tanto se mexerem na emoção de uma passagem. É convosco. Como dissemos, o que estão a gravar não é um instrumento, mas uma música em princípio e uma actuação, no fundo.  

O Errol Garner era costumeiro em “vocalizações involuntárias”, como podem ouvir mais abaixo. É algo muito comum entre pianistas de jazz, mas mais raro entre os clássicos, apesar de haver quem o faça, como o Glenn Gould. Roland Barthes adorava estes pormenores que davam uma dimensão orgânica à espiritualidade da música, os quais definiu como “genocanção” (em inglês, genosong).

A vossa função é captar tanto o elemento físico como o espírito da execução. As técnicas ajudam, mas os ouvidos é que decidem.

No Salão Musical de Lisboa não vendemos ouvidos (ainda), mas temos tudo o que precisam para começarem a gravar pianos: temos os pianos em si (restantes notas incluídas), os microfones e os tripés que os seguram.

Deixar um comentário
Deixar comentário
Faça login para inserir um comentário
Salão Musical de Lisboa Loja de instrumentos musicais desde 1958

Salão Musical de Lisboa

Crie uma conta gratuita para guardar produtos favoritos.

Registar