Entrevista: As viagens interiores de um Homem em Catarse

Entrevista: As viagens interiores de um Homem em Catarse

Afonso Dorido inspirou-se na ideia de José Luís Peixoto de que o interior é do lado de dentro, para ir numa viagem catártica e de descoberta dos caminhos cada vez menos percorridos de Portugal.

Este Homem em Catarse partiu de guitarra elétrica às costas por “17 aldeias/vilas e cidades do interior de Portugal”, para materializar musicalmente essa viagem interior pelo interior num disco em que cada faixa corresponde a cada uma dessas localidades.

São o retrato emocionado de um país emocional que também existe longe dos barulhos da urbe cosmopolita. Um país isolado, por vezes desolador, mas capturado de forma brilhante pela música de Afonso Dorido.

Um país que, nas palavras dele, não se pode esquecer:

“As raízes estão sempre lá, por mais que não sejam visíveis e penso que, mais do que perto, estarão sempre em nós aqueles locais de onde vimos, de onde somos, mas que esquecemos... mas no fundo é sempre nosso. Essas raízes são o nosso interior. Penso que começamos a ver melhor isso.”

Afonso Dorido vive em Braga, “mas serei sempre natural de Barcelos”, o maior viveiro nacional de bandas inovadoras.

“Há coisas que não se explicam, mas sem dúvida que Barcelos tem sido profícua no diz respeito ao nascimento de muitos (e bons) projectos musicais.”

Será da água? “Não se bebe muita água por lá”, diz ele, mas muitos desses músicos beberam dos ensinamentos de Afonso Dorido, o professor de guitarra. Começou a aprender com 14 anos, “porque queria dar corpo musical às letras inocentes que ia escrevendo”.

Entretanto tive formação de guitarra clássica e hoje tento passar às pessoas que vão aprendendo comigo que o foco é a coisa mais importante. E, claro, muita dedicação e trabalho.


O Homem em Catarse surge em 2013, “naturalmente”, segundo Afonso Dorido, “numa necessidade de escrever coisas mais pessoais sem estilo pré-pensado, mas absorvendo coisas tão distintas como Explosions in the Sky, António Variações, Keaton Henson, Youth Lagoon, Fausto, Sigur Rós, Rodrigo Amarante, etc.

Se as referências são vastas e diversas, as ferramentas de trabalho do Homem em Catarse são particulares e bastante especializadas, já que é ele que assume a criação total dos sons. Em tempo real.

Todos os sons são criados ao vivo nos concertos. Ou seja, não há samples. Por norma uso uma guitarra Fender Stratocaster (da qual abuso, servindo também de percussão), vários pedais (Holy Grail Reverb, Delay Boss DD3, Ibanez TS9, uma melódica Hohner, mini-metalofone, um ukulele e recentemente um sintetizador microKorg. Amplificadores de guitarra, por norma, uso dois em simultâneo: Tech 21 Trademark 60 e Roland Cube 30.

Tudo disposto em camadas por uma loop station, que lhe permite colocar as bases que servem de suporte aos seus temas.

Uso o Akai HeadRush E2, que é muito simples, basicamente coloco camadas e as retiro, conforme a criação se suceda. É um Loop simples, mas ao qual me adapto muito bem. Também tem a possibilidade de delay e Tape echo mas não em simultâneo com o loop

O Homem em Catarse tem levado esta música sobre o interior para a cidade e para o exterior, a novos públicos, com artistas nacionais e alguns internacionais de referência, como Micah P Hinson. A resposta de quem o ouve é muito positiva, e muito motivadora para o músico:

Tem sido muito boa. Felizmente cada vez mais se sente necessidade de descobrir novas coisas, por parte das pessoas. E eu enquanto Homem em Catarse serei "essas coisas novas", portanto sinto-me sempre bem a tocar com músicos que embora admire, navegam por outros estilos.“

É isso que lhe interessa: “Trazer novas coisas a novos públicos. Tudo novo, tudo certo.

Podem seguir e ouvir o Homem em Catarse no Spotify, Bandcamp e Facebook, e ficar já com um bilhete para essa viagem pessoal, mas que é também de todos nós, com (Não és) Açor.

Se a música do Homem em Catarse vos inspirou, façam uma visita ao interior da nossa loja online e vejam algum do material que ele usa para a fazer a sua música, para que possam também fazer a vossa. Tudo novo, tudo certo.

Publicado no dia 2019-06-18 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 284

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