Entrevista Jorge Almeida - Trompete com alma

Entrevista Jorge Almeida - Trompete com alma

Jorge Almeida é um dos mais importantes trompetistas nacionais e com grande reputação internacional, que muito se tem esforçado para promover este instrumento na interpretação da música portuguesa.

Com um currículo riquíssimo é, desde 1998, Principal Trompete na Orquestra Sinfónica Portuguesa, e tem dividido a sua actividade artística por vários géneros, desde a música clássica ao jazz e à pop, estando presentemente muito focado na divulgação e reinterpretação da música tradicional portuguesa.

Foi também o primeiro trompete no Grupo de Metais do Seixal durante uma década, onde organizou Masterclasses com os mais prestigiados músicos de metais do Mundo. A educação musical em geral, e do trompete em particular, é uma das suas grandes prioridades.

O Salão Musical de Lisboa falou com este músico prolífico, que nos explicou como o potencial tímbrico e acústico do trompete “põe à prova as capacidades de um trompetista assim como o trompetista põe à prova as capacidades deste instrumento.”

O seu percurso artístico é resultado de aceitar esses desafios, e superá-los. E procurar o desafio seguinte.

Como começou na música?

Muito jovem. O meu pai era um trompetista filarmónico autodidata e, pelo simples facto de o escutar no seu estudo diário, fiquei com curiosidade de experimentar o instrumento e desde logo me identifiquei com o trompete. Acompanhar o meu Pai na sua vida musical foi, sem dúvida, o ponto de partida para o meu caminho artístico.

Qual é a importância das Filarmónicas na vida das comunidades e da Educação Musical no nosso País?

As Filarmónicas desde sempre desenvolveram um projeto pedagógico dentro e fora das comunidades. Criaram pólos de ensino para jovens curiosos, tal como eu fui. A prova viva de que estes projetos têm vindo a evoluir é a quantidade e qualidade dos jovens que chegam ao ensino artístico profissional, que passaram por lá. Acima de tudo, as Bandas Filarmónicas, fazem chegar a música a locais e universos culturais, aos quais as nossas Orquestras não conseguem por vezes chegar.

Tem um currículo muito rico e diverso. Que momentos destaca no seu percurso?

Todos os momentos foram importantes para o meu crescimento artístico e pessoal, no entanto, destaco Douglas Stephenson. Tive a honra de ser seu aluno e em simultâneo tocar ao seu lado na Orquestra Metropolitana de Lisboa. Ele foi o responsável pelo grau de exigência que hoje coloco no meu nível artístico.

Muitos outros momentos mereceriam destaque. No entanto dada a sua quantidade torna-se difícil, para mim, eleger o/os melhor/es.

Neste momento estou numa fase de desenvolvimento de um projeto desafiante. MÚSICA PORTUGUESA, trompete Solo e Orquestra de Sopros. Após a edição e publicação de dois CD’s, vejo neste um projeto não só musical mas também pedagógico. Há muito para fazer na nossa Música Tradicional Portuguesa, como melhorar as suas orquestrações, tornando-a assim mais apelativa e concorrenciá-la com a que importamos. Tocar aquilo que é nosso é uma forma de convidarmos os jovens músicos a descobrirem novos caminhos no mercado de trabalho atual.

É um músico muito versátil – tocar Stan Getz não é o mesmo que tocar peças clássicas. Tem alguma preferência de estilo? Que influências considera mais marcantes para si?

Preferência de Estilo? Não necessariamente! Enquanto motivado, qualquer estilo é  desafiante ou marcante para qualquer artista.

Mencionam “Stan Getz”, mas também posso mencionar muitos outros estilos que me marcaram: Free Jazz com o Projeto “Lisbon Underground Music Ensemble” – LUME ou até mesmo tocar em estilo Pop, acompanhando cantores como Ivan Lins, Luís Represas, Rui Veloso, Andrea Bocelli, Luciano Pavarotti, os Expensive Soul, entre muitos outros.

Como recomendaria o Trompete a quem quer começar a sua vida musical e como acha que a música pode ser importante para o desenvolvimento dos jovens?

A música proporciona a quem a pratica, momentos de desenvolvimento cultural, social e pessoal.Se esta aprendizagem ocorrer no estado mais jovem possível, esses benefícios serão deveras marcantes para o seu desenvolvimento diferenciado.

Começaria por tentar incutir o espírito da audição do instrumento nos mais diversos estilos musicais e encontrar, após uma dedicação ativa ao mesmo, um caminho que lhe permitisse estar sempre motivado para a sua prática.

O Jorge Almeida está envolvido já em muitos projetos musicais, conferências, festivais e outros eventos. Mas o que é que está já a planear para o futuro?

 

Entre muitas outras coisas que me estão em mente, irei dar continuidade ao meu projeto Música Portuguesa “ Projeto 2020”. Consiste em juntar trompetistas portugueses que se definem com esta minha criação, fazendo com que toquem novos temas escolhidos por eles, e partilhem esses momentos em amizade e cooperação, acompanhados por Orquestra de sopros. Estarei por certo com eles!

Sinto que com este projeto, podemos educar aqueles que acham, que por vezes sozinhos conseguem mudar o Mundo. Não quero com isto dividir os que por direito têm uma determinada conceção que não a minha. Mas entendo que a Escola trompetística em Portugal, rema em vários sentidos.

Temos muitos instrumentistas de valor em Portugal, nos mais variados estilos de comunicação e manifestações artísticas. Mas, deveríamos partilhar mais as nossas ideias em comunidade. Juntos, saímos sempre mais fortes.

Vejam Jorge Almeida em acção.

O Salão Musical de Lisboa tem trompetes para quem quer fazer parte desta comunidade de músicos e enriquecer a música nacional. Façam-nos uma visita.

Publicado no dia 2019-08-02 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 272

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