Hoje é dia de música Country

Hoje é dia de música Country

Puxem o lustro às vossas botas de cano alto, ajeitem a aba do chapéu, e deixem os revólveres em casa: 17 de Setembro é dia de celebrar a música country.

A música country é um dos géneros musicais mais populares dos Estados Unidos, uma representação da identidade de uma certa América rural, que vive em luta com a natureza e um pouco com ela própria. Afinal, não há música country em que as coisas estejam bem.

Nascida no sul do Estados Unidos na década de 1920, o country é a mistura de várias tradições musicais europeias, desde a folk irlandesa e celta, como se pode ver pela escolha de instrumentos e alguma sonoridade, com algum blues à mistura. Até se pode dizer que o blues e o country são filhos da mesma mãe - a vida dura na América - mas de pais diferentes. Uma das suas primeiras estrelas foi Jimmie Rodgers, que nas suas composições juntou hillbilly country, gospel, jazz, blues, baladas de cowboy e folk europeia, gostando muito de abusar do yodel.

É também o primeiro estilo com grande sucesso comercial na rádio, graças ao lendário Grand Ole Opry, um programa semanal que recebe as maiores estrelas do country desde 1925 até aos dias de hoje, em que passaram tantas e tantas lendas que nem a página da Wikipedia que lhe é dedicada as consegue enumerar.

 

Por volta dos anos 50, a música country atinge a sua idade de ouro, na sua amálgama de influências e estilos, como podemos ver nesta atuação de Ernest Tubbs, onde o baterista tem um shuffle de jazz, a voz tem algum blues, a guitarra tem as linhas que vão abrir o caminho para o rock e o rockabilly, e a omnipresente pedal steel guitar que dá o toque essencial para o som característico deste género musical.

 

O que faz de uma canção country, country?

A piada diz que as canções country são sobre o amor que partiu quando o cão morreu depois do incêndio da casa no dia em que o pai bebeu demais mas hey, a América é uma grande nação, abençoada. Ou seja, se o blues canta as dores de alma, o country canta as dores da vida. Muitas vezes com um sentido de humor descarado.

 

 

Steve Goodman resumiu bem nesta atuação o que é uma música country, e no “solo” mostrou-nos quais são os instrumentos que lhe dão a sonoridade característica. Vamos conhecer alguns deles.

 Pedal Steel

Sabem aquelas melodias fluidas que se ouvem em fundo em todas as músicas country clássica? Vêm de uma pedal steel guitar, um formato inventado a partir das steel guitars havaianas (mais uma incorporação no estilo) que usa um sistema mecânico de pedais para alterar as tonalidades das cordas e criar modulações de acordes. Tornou-se popular entre músicos country depois desta Slowly, de Webb Pierce.

Violino

Levado pelos emigrantes das ilhas britânicas, o violino sempre fez parte da tradição musical americana em permanente construção até ao século XX. Não só é um elemento essencial na música country como na música cajun, bluegrass e outras mais a sul da fronteira. O bluegrass, como uma derivação da música country, vai servir de exemplo para como pode soar um violino nas mãos de um dos melhores violinistas do género, Michael Cleveland.

 

Cordas

Aqui vamos juntar três instrumentos que fazem parte de qualquer grupo country: banjo, bandolim e guitarra acústica. A sua presença em conjunto fazem com que qualquer música soe a música country, mais do que qualquer outro grupo de instrumentos. Adicionem a guitarra elétrica, especialmente se tiver aquilo que se chama twang, um som típico das Fender Telecaster, e podem montar os vossos cavalos.

 

Palhetas

Nesta secção encontramos as harmónicas, a companhia dos cowboys solitários em direção ao pôr do sol, e o acordeão, de tradição centro-europeia, mas que conseguiu encontrar espaço na vida de vaqueiros quer da América do Norte quer da Central e Sul. E nas mãos da família Carter, a mesma de June, que nela acolheu um tal de Johnny Cash.

 

Inovações e tradição

Se nos anos 50 a introdução da bateria e de instrumentos eletrificados vieram chocar os puristas, hoje em dia o Country está na encruzilhada da pop e dos seus vícios que, segundo muitos, vieram retirar o espírito a este estilo musical, desde a utilização de batidas eletrónicas a tratamentos vocais mais estilizados. A última inovação foi quando Lil Nas X se juntou a Billy Ray Cyrus e fizeram um crossover de country western com hip hop. Não morreu ninguém, mas fala-se de meios de transporte à mesma.

 

 

O country não é música de rednecks conservadores com bandeiras da confederação a decorar as salas de estar e tejadilhos de carros. É para quem gosta de música bem tocada e de um imaginário rural vestido a rigor, com fatos brilhantes e chapéus de aba larga.

 

 Soltem o cowboy ou cowgirl que há em vocês e visitem o Salão Musical de Lisboa para laçar o instrumento de que precisam para fazer yeehaw!

Publicado no dia 2019-09-17 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 83

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