20 anos de Buena Vista Social Club e a nova música cubana

20 anos de Buena Vista Social Club e a nova música cubana

Um cubano sem música é uma ilha. Afastados por questões políticas do resto do mundo durante décadas, o povo da ilha caribenha fez o que sempre fez: uniu-se na sua tradição musical, e nela expressou a sua identidade.

Isolada pelo governo dos Estados Unidos, foi preciso um americano para voltar a trazer a música de Cuba depois de um hiato de quase 50 anos. Ry Cooder, conhecido por bandas sonoras e instrumentais à guitarra, decidiu furar o embargo e juntar os músicos que melhor representavam o som cubano, gravando com eles um álbum intitulado Buena Vista Social Club.

O nome vem de uma casa de espetáculos situada no bairro de Buena Vista em Havana, onde a música se calou nos anos 50, década da Revolução. Na altura, a música cubana era ela mesma revolucionária, com o ritmo energético das cadências latino americanas a dar o balanço a melodias felizes na tristeza com harmonizações de jazz. A troca de influências com esse estilo americano estava dar resultados excitantes, mas o embargo interrompeu essa dança entre os dois países.

Em 1996, Cooder reuniu alguns dos músicos da vanguarda musical da ilha, de épocas diferentes e com percursos distintos, e criou um supergrupo com que gravou algumas das mais icónicas canções da música cubana. O disco teve tanto impacto que, dois anos depois, Wim Wenders, um dos clientes das bandas sonoras de Ry Cooder, decidiu fazer o filme para a música, acompanhando os membros do Buena Vista Social Club na sua digressão e nas suas vidas em Cuba.

E o resto, é História. O documentário Buena Vista Social Club foi um fenómeno de popularidade que deu mais visibilidade aos habitantes da ilha do que qualquer esforço diplomático anterior, e trouxe de volta a música de Cuba para o mundo, que bem precisava dela.

Nova música cubana

Esta exposição abriu caminho para novos músicos, com registos que vão dos estilos mais clássicos aos mais modernos, e que agora têm a oportunidade de se mostrar a quem os quiser ouvir. E alguns são nomes familiares.

Os Orishas são muito conhecidos em Portugal, tendo sido presença assídua no nosso país desde o final dos anos 2000. São um grupo de hip hop, mas de charuto cubano na mão, a dar aquele sabor típico da música da ilha. Depois de uma paragem de alguns anos, estão de volta com um novo disco na algibeira.

Daymé Arocena é um fenómeno musical a ter em atenção. Esta intérprete transporta na sua voz incrível melodias de cana de açúcar a caminho de ser rum, numa reinvenção do que é o ritmo cubano numa aproximação fresca à tradição.

Considerada como a melhor cantora jovem cubana da actualidade, Daymé Arocena é uma das novas vozes do jazz mundial a ter em conta.

Roberto Fonseca é um pianista de excelência que carrega toda a bagagem do jazz cubano e ainda lhe acrescenta novos volumes. Ter crescido numa família de músicos deve ter ajudado: o pai era um dos bateristas mais conhecidos de Cuba e a mãe era uma famosa cantora.

Com uma carreira diversificada e cheia de colaborações com artistas de diversas origens e denominações musicais, Fonseca é um dos maiores inovadores da música afro-cubana.

Há muitos mais músicos cubanos para conhecer, em registos que vão do són clássico ao reaggaeton, mas que colocam no que fazem tudo aquilo que define a música de Cuba: um travo forte, que tem tanto de doce como de amargo, em ritmos afrolatinos.

O outro documentário

Cuba Feliz é um documentário musical de Karim Dridi que acompanha Gallo, um cantor cubano de 76 anos que nos guia por Cuba à descoberta dos seus músicos, dos lendários de que toda a gente se esqueceu aos que estavam a surgir na altura.

É um retrato cru da ilha e dos seus músicos, filmado um ano depois do documentário de Wenders. Uma espécie de lado B da música cubana, que vale a pena ver.

Se o ritmo de Cuba vos fez mexer, façam mexer os outros com bongós, timbales e congas. Não se isolem, façam música. Visitem a nossa loja online.

Publicado no dia 2019-10-25 por Salão Musical de Lisboa 0 81

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