O que faz um maestro

O que faz um maestro

São, na imaginação de muitos, o equivalente ao cientista louco na música. Têm na ponta da batuta - uma espécie de varinha mágica - o poder de controlar desde valquírias a estações, em forma de sinfonias ou canções. Mas, o que faz realmente um maestro?

O maestro ou, em muitas línguas, condutor, é a pessoa que marca o tempo para um conjunto de músicos poder estar sincronizado. Antes que comecem uma pateada, esta era a função do maestro original, Pherecydes de Patras que, em 709 a.C, marcou o tempo para 800 músicos, movimentando um bastão de ouro.

A condução dos conjuntos orquestrais esteve durante muito tempo entregue ao cravo ou ao primeiro violino, que orientavam os restantes músicos com sinais de cabeça ou do arco. Mas, com obras cada vez mais complexas e mais músicos envolvidos, era necessário alguém que regesse o conjunto. Essa função era entregue muitas vezes aos próprios compositores das obras, que usavam bastões para marcar o tempo, batendo-o contra o chão.

Mas nem sempre corria bem.... Jean-Baptiste Lully, compositor barroco, regia a sua obra ”Te Deum” para a corte de Luis XIV, quando se feriu num pé, morrendo de gangrena dois meses depois.

(este vídeo pode ferir os leitores mais sensíveis)

Apesar de não haver provas históricas de que terá sido este evento a fazer com se passasse a usar um objecto mais subtil e leve como a batuta como a conhecemos, é natural que, pelo menos, se tenha pensado em alternativas menos perigosas.

Mas, o maestro serve só para marcar o tempo? Claro que não.

O maestro controla também a intensidade da interpretação dos músicos, exigindo mais ou menos volume, controlando e nivelando as execuções, para que todas as partes da orquestra sejam maiores do que a sua soma.

Para isso, tem que conhecer e perceber que músicos têm à sua frente, quais as suas capacidades, descobrir líderes dentro das várias secções e assumir ele próprio a liderança porque, como maestro, tem uma visão.

Essa visão, é a interpretação que faz da peça. A sua interpretação e a forma como controla os diversos elementos, faz com que execuções de uma sinfonia sejam memoráveis sob a liderança de alguns maestros, e a mesma pauta não tenha a mesma expressão sob os desígnios de outros. Porque um maestro é um músico, um executante, um intérprete, um compositor e, acima de tudo, um líder com uma visão de conjunto que sabe a função de cada nota.

É o responsável e a figura de proa de uma orquestra que pode estar sob constante mudança dos seus elementos, é quem escolhe e estuda o reportório a executar, antes de o entregar aos músicos.

É também um pára-raios, tanto da atenção do público, que concentra o olhar no esbracejar do maestro em vez de o dispersar pela mancha de músicos e instrumentos, como da crítica. Se o terceiro violino não ajudar, não será dele que irão falar mal, mas do maestro. No fim, será sempre ele o herói ou o vilão. Arriscando mais uma pateada, ser maestro ou treinador de futebol acaba por ser muito parecido. E quem são os Mourinhos, Guardiolas e Sir Alex Fergusons das orquestras?

Na era moderna, temos Arturo Toscanini, conhecido não só pela sua enorme qualidade como explorador das obras que dirigia, mas também pela sua exigência com os músicos com quem trabalhava. Mas, de acordo com quem dirigiu, os insultos valiam a pena.  

Menos tempestuoso era Leonard Bernstein, outro dos grandes maestros do século XX, que coloca este tenor em apuros durante uma gravação.  

Há mais, como Herbert Karajan, Claudio Abbado, Simon Rattle, e uma nova geração que parece estar pronta a suplantar os mestres. Ainda não perceberam porque é que é preciso um maestro? Então, vejam o vídeo. E depois vejam este.  

Se acham que estão prontos para controlar a música e os seus elementos, visitem o Salão Musical de Lisboa e comecem por comprar a vossa batuta. E façam magia.

Publicado no dia 2018-03-16 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 389
Tag: maestro

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