Mulheres na Música

Mulheres na Música

8 de Março é o Dia da Mulher e não podíamos deixar de celebrar as mulheres que são fundamentais na História da Música. Já falámos de grandes guitarristas, mas agora vamos apresentar-vos outras mulheres que, pela sua importância, alteraram os cânones da música  para sempre.

E, para começar, vamos recuar 1200 anos até à Idade Média.

Kassia

Kassia, de Constantinopla, era uma mulher multifacetada e talentosa, nascida entre 805 e 810. Poetisa e compositora, foi durante os seus tempos como abadessa do convento que fundou às portas da capital do Império Bizantino, que escreveu alguns dos mais belos hinos religiosos (e alguns profanos) de sempre. Alguns estudiosos dizem que Kassia, nascida numa família abastada, abraçou a vida monástica para poder ter a liberdade de se expressar artisticamente.

A fé era tão fundamental na sua vida como a sua vontade de independência que, mesmo com a perseguição que o Imperador lhe moveu - apesar de quase se ter casado com ele antes de se tornar devota - nunca recuou nas suas crenças, sendo-lhe atribuída a frase: “Odeio o silêncio quando é altura de falar.” Provavelmente, foi a primeira Riot Grrrl da História.

Os seus hinos sobreviveram até aos dias de hoje, e são das obras mais originais de todo a música medieval.

Billie Holiday

A cantora que cantava tão pouco mas que influenciou todas as cantoras de jazz que vieram depois dela tinha que fazer parte desta lista. De voz frágil, que abrangia apenas uma oitava, foi uma das cantoras mais poderosas de todos os tempos, porque se entregava de corpo e alma a cada tema, talvez por colocar na música todas as atribulações que viveu.

Nascida em 1915 na cidade de Filadélfia com o nome de Eleanora Fagan, Billie Holiday teve tudo menos uma vida fácil. Filha de um guitarrista de jazz que a abandonou cedo, cresceu na pobreza, trabalhou como moça de recados num bordel aos 9 anos e foi presa aos 14. Como se tinha mudado para o Harlem, em Nova Iorque, capital do jazz da época, Billie cantava em bares para expulsar os seus demónios e ganhou a atenção dos grandes músicos da altura, como Count Basie e Duke Ellington, tornando-se uma cantora de referência do jazz.

Foi também criadora de alguns dos seus temas e uma das primeiras mulheres a marcar posições políticas com a sua música.  

Aretha Franklin

Outra senhora de respeito (aliás, R-E-S-P-E-I-T-O), Aretha Franklin começou desde muito cedo a cantar gospel mas,  nos anos 50, ela queria mais. A música negra expandia-se para mercados mais vastos, e também ela quis fazer a transição para géneros mais populares, como o rythm’n’blues, derrubando as barreiras raciais que existiam na altura. Mas a música espiritual estava-lhe no sangue e foram as suas raízes, bem regadas com o rock’n’roll, que fizeram de Aretha uma das mais bem sucedidas e respeitadas cantoras de todos os tempos.  

E podemos perceber porquê, ao ouvir a sua interpretação de (You Make Me Feel Like) A Natural Woman.

Carole King

Ora, se ouviram a música da Aretha, então também estão a ouvir o trabalho daquela que é uma das mais prolíficas e excepcionais compositoras da música popular do século XX. Carole King, nascida Carole Klein em 1942, começou a aprender a tocar piano aos 4 anos. Aos 17 anos, engravidou do seu grande amor, o compositor Gerry Goffin.

Para sobreviverem, tinham empregos durante o dia e trabalhavam nas suas composições à noite, iniciando uma das mais incríveis parcerias da música pop. O seu primeiro sucesso foi “Will you love me tomorrow”, para as Shirelles, que se tornaram com essa canção o primeiro grupo feminino negro a chegar ao primeiro lugar do top de vendas americano.

A partir daí, foram sucessos atrás de sucessos, até que lançou o álbum Tapestry como intérprete e compositora, que vendeu qualquer coisa como 25 milhões de cópias, e esteve seis anos nos tops. Sem Carole King, a pop nunca teria sido como foi.

Madonna

Gostem ou não da música de Madonna Louise Ciccone, ela continua a ser a Rainha da Pop. É a primeira vedeta da MTV, juntamente com Michael Jackson e sempre esteve na linha da frente na integração de novos estilos na música de teor mais comercial.

Também teve uma vida dura, chegando a Nova Iorque aos 20 anos, no final dos anos 70, com 35 dólares no bolso. Começou como vocalista de apoio e dançarina na cena musical nova-iorquina, onde a música de discoteca ganhava peso no mercado. Criativa, inovadora e uma boa estratega, nunca fugiu à polémica, se lhe desse visibilidade. O seu espírito independente levou a que criasse a sua própria editora de sucesso, a Maverick Records. É a artista que mais discos vendeu na história da música e, sem ela, não haveria Lady Gaga e todas as outras estrelas pop dos últimos 20 anos, que lhe seguiram os passos.

Estas são apenas cinco das mais importantes mulheres que deixaram a sua marca, embora haja tantas outras como Hildegard de Bingen, Francesca Caccini, Guilhermina Suggia,  Patsy Cline, Nina Simone, Amália, Ella Fitzgerald, Maria Callas, Patti Smith, Björk… a lista, felizmente, é interminável.

Infelizmente, o mundo da música é também desigual. Por isso é que existe a Women In Music, uma organização sem fins lucrativos que tem como missão promover a igualdade na música, desde os palcos aos escritórios das editoras. Vejam como podem criar a vossa filial em Portugal.

E se gostam de dar música às mulheres da vossa vida, nós temos os instrumentos para isso. Passem pelo Salão Musical de Lisboa e vejam o que lhes podem oferecer, ou equipem-se para lhes fazer uma serenata.

Publicado no dia 2018-03-08 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 278

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