Blues do deserto do Sahara

Blues do deserto do Sahara

Foto: UlrichAAB (CC BY-SA 3.0)

A música é uma expressão universal que cresce até nos ambientes mais inóspitos. Nas areias do Sahara surgiu um movimento musical que tem atraído a atenção de melómanos do mundo inteiro: Tishoumaren, ou os blues do deserto.

Venham conhecer os músicos que cantam a vida e a identidade dos povos deslocados do deserto.

Tishoumaren

Ou Tichumaren, é um estilo musical do Noroeste de África, tocado por músicos Tuareg, um povo nómada espalhado por diversos países da região: Mali, Niger, Sahara Ocidental, Líbia, Burkina Faso, Argélia. A sua casa é o Sahara e o Tishoumaren é a expressão da sua identidade, o reflexo das dificuldades sociopolíticas que enfrentam numa zona constantemente afetada por conflitos armados.

Também conhecido como Rock Tuareg, Assouf, Blues do Mali, ou blues do deserto, este género musical é uma mistura de blues e soul com a música tradicional africana e de inspiração árabe. 

O primeiro e mais famoso precursor do rock do deserto foi Ali Farka Touré, um músico originário do Mali, com uma obra extensa e colaborações com artistas ocidentais como Ry Cooder, The Chieftains, Taj Mahal, entre outros. Com uma carreira riquíssima e de grande destaque no mundo ocidental, Touré foi considerado pela Rolling Stone como um dos 100 melhores guitarristas de todos os tempos.

A música dos Tuareg teve outros embaixadores de relevo, que ajudaram a definir o seu som. Os Tinariwen formaram-se em 1979 e pegaram em guitarras eléctricas contra a violência a que foram sujeitos desde criança passada em campos de refugiados.

Enquanto recebiam treino militar, gravaram uma cassete que se espalhou pelas comunidades do Sahara, tocando nas décadas seguintes onde podiam. Depois de se terem envolvido em revoltas contra o governo maliano, os Tinariwen encontraram na paz a sua oportunidade de se dedicarem à música a tempo inteiro.  

Em 1998, um promotor francês descobriu-os num festival em Bamako e trouxe a música dos Tinariwen para a Europa. O tempo tratou de lhes dar a notoriedade que as suas composições merecem.

Estes são os pioneiros, mas a cena musical do deserto do Sahara está bem viva e cheia de novas vozes que vale a pena descobrir. 

Bombino

Bombino é um músico que olha para a sua guitarra não como uma arma para a rebelião, mas como um martelo para construir a casa do povo Tuareg. 

Forçado ao exílio, e mesmo depois de dois companheiros de banda terem sido executados por militares, Bombino sempre tentou criar um espaço pacífico na sua música. Depois de ter surgido num documentário - Agadez - Bombino despertou a atenção de Dan Auerbach dos Black Keys. Auerbach produziu Nomad com ele, um álbum que teve enorme sucesso e reconhecimento internacional, que só têm crescido nos últimos anos. Bombino foi o primeiro músico do Niger a ser nomeado para um Grammy Award.

Mdou Moctar 

Outra estrela em ascensão da guitarra Tuareg é Mdou Moctar. Nascido nos meados dos anos 80, Mdou Moctar modernizou o som do Tishoumaren com uma atitude que balança entre o punk e o psicadélico. A sua música espalhou-se pela rede de telemóveis da comunidade Tuareg, que compartilhava os ficheiros entre si, tendo ganho notoriedade internacional quando foi incluída na compilação Music from Saharan Cellphones: Volume 1.  

A qualidade musical de Mdou Moctar foi reconhecida pela Fender, que o convidou para as Fender Sessions e fez dele um dos seus artistas. 

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Songhoy Blues

Outra face dos blues do deserto é a música do povo Songhoy, outro grupo que enfrenta desafios semelhantes aos dos Tuareg. Perseguidos por fundamentalistas, que tomaram o poder no Mali e proibiram - entre outras coisas - a música, os membros dos Songhoy Blues tiveram que fugir para o sul do país. 

O seu contagiante primeiro disco Music in Exile fala da identidade do povo Songhoy, de liberdade, rebelião e da vida no exílio, ganhando popularidade tanto dentro da sua comunidade como junto da comunidade Tuareg, sendo um dos representantes mais populares do rock do Sahara. 

 

A guitarra no centro do rock do Deserto

Feita a partir de várias influências e linguagens, os blues do deserto têm como fulcro a guitarra elétrica. As melodias hipnóticas e repetitivas como linhas de dunas a desenhar um horizonte sempre em mudança reflectem bem a condição destes músicos, forçados a fugir de conflitos e fundamentalismos mas sempre a levantarem-se contra quem lhes quer tirar a liberdade. Sempre com o poder da sua música.

Para descobrir outros músicos do Sahara, recomendamos esta playlist. Se ficaram com sede de tocar a música do deserto, temos todos os instrumentos que precisam.

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Publicado no dia 2022-03-24 por Salão Musical de Lisboa Atualidade, Cordas 0 309

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