Como montar uma sala de ensaio: equipamento, ligações e organização
Saibam como montar uma sala de ensaio: espaço, bateria, amplificação, mesa de mistura, microfones, cabos e organização do equipamento.
Uma sala de ensaio bem pensada e organizada muda bastante a forma como usam o tempo disponível. Em vez de começarem cada sessão a transportar amplificadores, montar a bateria, procurar tomadas e desenrolar cabos, podem chegar, ligar os instrumentos e começar a tocar.
Uma sala própria também permite deixar instalado o equipamento mais pesado ou utilizado por todos. A bateria pode permanecer montada, os amplificadores ficam nas respetivas posições, os microfones têm suportes próprios e a mesa de mistura pode manter grande parte das ligações e definições preparadas entre ensaios.
Mas há uma questão mais importante do que a quantidade e a logística do equipamento disponível: todos conseguem ouvir-se sem que a solução seja aumentar continuamente o volume?
É a partir daí que devem organizar a sala. O espaço, a bateria, a amplificação, as vozes, a posição dos músicos e as ligações devem contribuir para que a banda consiga tocar e perceber claramente aquilo que está a acontecer.
Neste guia vamos percorrer as questões e as decisões que devem ter em conta quando estão a criar ou melhorar uma sala de ensaio.
Índice
- O espaço: ruído, acústica, humidade e segurança
- Comecem pela formação da banda
- Bateria acústica ou eletrónica?
- Como amplificar guitarra, baixo e teclados
- Como amplificar as vozes
- Mesa de mistura e sistema de som
- Como organizar a sala para todos se ouvirem
- Microfones, cabos e suportes
- Alimentação elétrica e organização
- Gravar os ensaios
- O que vale a pena deixar permanentemente montado
- Personalizem a vossa sala de ensaio. E mantenham-na limpa.
- Conclusão
O espaço: ruído, acústica, humidade e segurança
Uma garagem, cave, quarto livre, anexo, arrecadação, armazém ou divisão de uma associação podem transformar-se numa sala de ensaio, com as devidas condições mínimas.
Antes de levarem o primeiro amplificador para o espaço, avaliem quatro aspetos: ruído, comportamento acústico, condições ambientais e segurança.
Comecem pelo ruído. Uma bateria acústica, amplificadores de guitarra e baixo e um sistema para as vozes podem produzir níveis sonoros elevados. Confirmem se conseguem utilizar o espaço regularmente sem criar um problema para quem vive ou trabalha à volta.
É também importante distinguir tratamento acústico de isolamento sonoro.
O tratamento acústico procura controlar a forma como o som se comporta dentro da sala. Superfícies duras e paralelas podem criar muitas reflexões e dificultar a distinção entre instrumentos. Tapetes, cortinas, mobiliário e materiais absorventes podem ajudar a controlar algumas dessas reflexões, embora problemas acústicos mais sérios possam exigir soluções planeadas especificamente para o espaço.
O isolamento sonoro procura reduzir a quantidade de som que passa entre a sala e o exterior. Pode exigir intervenções em paredes, portas, janelas, chão ou teto.
Colocar espuma ou um tapete numa parede pode alterar aquilo que ouvem dentro da sala. Não significa que tenham impedido a bateria de ser ouvida na divisão ao lado.
Verifiquem também humidade e ventilação, sobretudo em caves, garagens e anexos. Instrumentos, ferragens, cabos e equipamento eletrónico não devem permanecer durante longos períodos num espaço com problemas evidentes de humidade.
E pensem sempre na segurança do equipamento: se vão deixar guitarras, amplificadores, bateria e outro equipamento instalado entre ensaios, precisam de ter confiança nas condições de acesso e armazenamento. E também na vossa: a instalação elétrica é fiável? Consegue suportar toda a exigência energética do vosso equipamento? Está bem concebida? Existem tomadas para todos ou há só um ponto de luz? Este cuidado evita ruídos, que o quadro vá abaixo a meio do ensaio, e reduz o risco de curto circuito.
O espaço torna-se realmente utilizável quando conseguem ensaiar regularmente e deixar equipamento preparado em segurança.
Comecem pela formação da banda
Depois do espaço, pensem nas pessoas e nos instrumentos que o vão ocupar.
Uma formação com guitarra, baixo, bateria e uma voz tem necessidades muito diferentes de uma banda com duas guitarras, três vozes, teclados e instrumentos acústicos.
Façam uma lista do que vai estar a tocar ao mesmo tempo.
Por exemplo:
- - bateria;
- - baixo;
- - duas guitarras;
- - teclado estéreo;
- - voz principal;
- - duas vozes de apoio.
Esta lista começa imediatamente a definir como deve ser a sala e como deve estar organizada.
A bateria pode estabelecer grande parte do volume acústico. Guitarras e baixo precisam de amplificação adequada. O teclado pode usar um amplificador próprio ou entrar numa mesa de mistura. Três vozes significam três microfones e três entradas capazes de receber esses sinais.
É por isso que devem planear a sala a partir da formação da banda e não de uma lista genérica de equipamento.
Deixem também alguma margem para mudanças previsíveis. Uma mesa de mistura que fica com todas as entradas ocupadas no primeiro ensaio deixa de ter espaço para uma nova voz, um segundo teclado ou um computador. Um amplificador que trabalha constantemente no limite do volume para se fazer ouvir também oferece pouca margem quando a banda começa a tocar com mais intensidade.
Não precisam de preparar a sala para todas as situações possíveis. Basta evitar que fique limitada logo à partida.
Bateria acústica ou eletrónica?
Numa banda com bateria, esta é uma das primeiras decisões porque influencia o volume de referência de todo o ensaio.
Uma bateria acústica produz um nível sonoro que não pode ser reduzido através de um controlo de volume. O baterista pode tocar com maior ou menor intensidade, mas o instrumento continua a ter uma presença acústica considerável.
Se o espaço permite esse volume e querem ensaiar com uma resposta próxima daquela que terão com uma bateria acústica em palco, esta pode ser a opção adequada.
Também é um dos equipamentos que mais beneficia de ficar permanentemente montado. Bombo, timbalões, pratos, suportes, banco e pedais ocupam espaço e exigem tempo de montagem.
Coloquem a bateria sobre um tapete ou superfície adequada que ajude a impedir o deslocamento do bombo e dos suportes. Deixem também espaço suficiente para o baterista entrar, sair e ajustar o kit.
Baterias acústicas no Salão Musical
Uma bateria eletrónica pode ser uma alternativa quando precisam de maior controlo sobre o volume.
O som do módulo pode ser enviado para auscultadores ou para o sistema de amplificação da sala, permitindo equilibrar a bateria com os restantes instrumentos através de controlos de nível.
Continuam a existir impactos dos pedais e das baquetas, por isso uma bateria eletrónica não torna a sala silenciosa. Mas reduz substancialmente o som acústico produzido pelo kit e pode permitir ensaiar em espaços onde uma bateria convencional seria difícil de utilizar.
Esta decisão condiciona também o resto do sistema. Uma banda com bateria eletrónica pode trabalhar a níveis bastante inferiores e exigir menos margem aos amplificadores e ao sistema das vozes.
Baterias Digitais no Salão Musical
Como amplificar guitarra, baixo e teclados
Com o volume de referência da sala definido, podem começar a pensar nos restantes instrumentos.
Guitarra
Um pequeno amplificador que funciona bem quando estudam sozinhos pode perder definição quando entram bateria, baixo e outros instrumentos.
O objetivo não é escolher automaticamente o amplificador mais potente. É ter volume e margem suficientes para ouvir a guitarra claramente sem manter o equipamento permanentemente no máximo.
A bateria utilizada, o estilo musical, o número de guitarras, o tamanho da sala e a quantidade de som limpo necessária influenciam esta escolha.
Antes de procurarem mais potência, experimentem também mudar a posição do amplificador.
Um combo colocado no chão pode enviar grande parte do som para as pernas do guitarrista. Elevá-lo ou incliná-lo ligeiramente aproxima o altifalante da direção dos ouvidos e pode permitir trabalhar com menos volume.
Se têm dois guitarristas, distribuir os amplificadores por diferentes zonas da sala também pode tornar cada instrumento mais fácil de identificar.
Leiam FAQ Amplificadores de Guitarra: (quase) tudo o que precisam de saber no blog do Salão Musical
Amplificadores de Guitarra Elétrica no Salão Musical
Baixo
O baixo precisa de coexistir com o bombo e com as guitarras sem transformar a sala numa massa de frequências graves pouco definida. Um pequeno combo de prática pode funcionar perfeitamente em casa e ficar rapidamente sem margem numa banda com bateria acústica.
A posição do amplificador também influencia muito aquilo que ouvem. Colocá-lo num canto pode reforçar determinadas frequências graves e fazer com que o baixo pareça excessivo numa zona da sala e fraco noutra. Experimentem diferentes posições antes de decidirem onde vai ficar permanentemente.
O objetivo é conseguirem distinguir cada nota e perceber o papel do baixo no conjunto, em vez de obterem apenas mais volume nas frequências graves.
Amplificadores de baixo no Salão Musical
Teclados
Muitos teclados e pianos digitais têm colunas suficientes para estudar, mas não para competir com uma banda completa.
Podem resolver o problema de duas formas.
Um amplificador de teclado dá ao teclista controlo direto sobre o próprio volume e pode permanecer instalado junto ao instrumento.
O sistema de som da sala, baseado numa mesa de mistura, pode receber o teclado através da mesa de mistura.
Esta segunda solução reduz a quantidade de equipamento necessário, mas exige entradas disponíveis e um sistema capaz de reproduzir o teclado com volume suficiente.
Se utilizarem o instrumento em estéreo, lembrem-se que podem precisar de duas entradas, uma para o canal esquerdo e outra para o direito.
Depois de bateria, guitarra, baixo e teclados terem forma de se fazer ouvir, falta garantir que a voz não desaparece no meio de todos eles.
Como amplificar as vozes
Este é um dos problemas mais frequentes nas primeiras salas de ensaio. A guitarra tem amplificador. O baixo também. A bateria já produz som suficiente. O vocalista chega com um microfone e falta decidir onde o ligar.
Para uma ou várias vozes se ouvirem sobre a banda, precisam normalmente de um sistema deste tipo:
microfone → mesa de mistura → sistema de amplificação
A mesa recebe os microfones, permite ajustar cada sinal e envia a mistura para as colunas.
Se existem várias vozes, cada uma deve ter a sua entrada. Podem assim controlar individualmente Gain, nível, equalização e, quando a mesa o permite, efeitos ou outros tipos de processamento.
Mas não contem apenas com a voz principal. Uma banda pode começar com um vocalista e acrescentar rapidamente duas vozes de apoio. Se o teclado, uma guitarra eletroacústica ou um computador também utilizarem a mesma mesa, as entradas disponíveis desaparecem depressa.
Microfones para Voz no Salão Musical
Mesa de mistura e sistema de som
A mesa de mistura funciona como o centro das fontes que precisam de passar pelo sistema comum.
Numa sala permanente, tem ainda a vantagem de permitir deixar grande parte das ligações preparadas entre ensaios.
Podem, por exemplo, manter:
- - canal 1: voz principal;
- - canal 2: segunda voz;
- - canal 3: terceira voz;
- - canais seguintes: teclado;
- - outro canal: guitarra eletroacústica;
- - entrada adicional: computador ou telemóvel.
Quando regressam, não precisam de reconstruir todo o sistema.
A escolha da mesa depende principalmente do número e do tipo de fontes que vão ligar, das saídas necessárias e de funções como efeitos, AUX ou ligação USB.
Não confundam número total de canais com número de entradas de microfone. Uma mesa pode anunciar seis ou dez canais e ter menos pré-amplificadores capazes de receber microfones.
No artigo Como escolher uma mesa de mistura explicamos em detalhe o que são canais, entradas, phantom power, AUX, USB, efeitos e como este equipamento pode mudar e melhorar o vosso trabalho.
Depois da mesa, precisam de reproduzir a mistura. Com colunas ativas, a amplificação está integrada nas próprias colunas:
microfones → mesa → colunas ativas
Com colunas passivas, é necessário um amplificador de potência entre a mesa e as colunas.
Qualquer que seja a solução, o objetivo é fazer com que as vozes apareçam claramente na mistura da banda.
Mesas de Mistura no Salão Musical
Como organizar a sala para todos se ouvirem
Uma melhor disposição dos elementos da banda pode resolver problemas que, à primeira vista, parecem exigir equipamento mais potente.
Organizem a sala para os músicos se ouvirem uns aos outros, não para parecer um palco.
Num concerto, os músicos tendem a estar voltados para o público. Na sala de ensaio, uma disposição semicircular ou aproximadamente circular pode facilitar o contacto visual e permitir que todos percebam melhor o que estão a fazer, em conjunto
Pensem também na direção do som. Um amplificador no chão e apontado para as pernas do músico pode parecer pouco potente apesar de estar a produzir bastante volume. Elevá-lo, incliná-lo ou simplesmente mudar a sua posição pode tornar o instrumento muito mais fácil de ouvir. Distribuam os amplificadores por diferentes zonas da sala em vez de criarem uma parede de som numa única direção.
Tenham também atenção às vozes. Evitem apontar diretamente para um microfone a coluna que está a amplificar esse mesmo microfone, porque essa posição aumenta a possibilidade de feedback, o assobiar ou ressonância que surge quando o som das colunas volta a entrar no microfone e é novamente amplificado.
Ajustem o volume por etapas. Numa banda com bateria acústica, comecem pelo nível que esta produz. Acrescentem baixo, guitarras e teclados e ajustem depois as vozes para que continuem inteligíveis.
Se deixam de ouvir um instrumento, não aumentem imediatamente o respetivo volume.
Experimentem primeiro:
- - mudar a posição do amplificador;
- - reduzir outro instrumento;
- - ajustar a equalização;
- - elevar ou inclinar o amplificador;
- - reposicionar os músicos.
Quando todos respondem a um problema de audição aumentando o volume, a sala entra rapidamente numa espiral em que cada instrumento obriga os restantes a tocar ainda mais alto.
Uma boa mistura de ensaio não é necessariamente muito alta. É aquela em que conseguem perceber aquilo que cada músico está a tocar.
Microfones, cabos e suportes
Com os principais instrumentos e o sistema de som definidos, faltam os acessórios que mantêm tudo reutilizável e pronto a arrancar de ensaio para ensaio.
Microfones
Para captar voz numa sala com bateria e amplificadores, os microfones dinâmicos utilizados habitualmente em palco são uma solução frequente.
São adequados à captação próxima da voz e existem modelos com padrões polares que ajudam a reduzir a quantidade de som captado vindo de outras direções.
Se três pessoas cantam regularmente, faz sentido ter três microfones preparados em vez de obrigar os músicos a partilhar uma única posição.
Cabos
Uma sala permanente permite deixar grande parte da cablagem montada.
Cabos XLR dos microfones, ligações entre a mesa e o sistema de som ou cabos do teclado podem permanecer preparados, desde que estejam organizados e não atravessem zonas de passagem desnecessariamente.
Um conselho simples e muitas vezes esquecido: identifiquem-nos. Etiquetas simples como VOZ 1, VOZ 2, TECLADO L e TECLADO R tornam-se muito úteis quando existem vários cabos semelhantes.
Escolham também os comprimentos adequados. Alguma folga permite reposicionar equipamento, mas acumular vários metros de cabo no chão aumenta a confusão e a probabilidade de alguém tropeçar.
Para perceberem melhor os diferentes tipos de ligação, consultem o nosso artigo Cabos de áudio jack, XLR, MIDI e USB.
Suportes
Evitem deixar guitarras e baixos encostados a amplificadores, cadeiras ou paredes quando podem ter um local próprio.
Suportes de chão ou parede mantêm os instrumentos mais seguros e ajudam a organizar a divisão.
O mesmo acontece com os microfones. Suportes reguláveis permitem adaptar rapidamente a posição a diferentes vocalistas e mantê-los preparados entre ensaios.
Numa sala bem organizada, cada instrumento, cabo e acessório deve ter um lugar previsível.
Acessórios para amplificação, Adaptadores e Suportes no Salão Musical
Alimentação elétrica e organização
Amplificadores, mesa, pedais, teclado e outros equipamentos podem concentrar muitas ligações elétricas na mesma divisão.
Evitem criar cadeias improvisadas de extensões, adaptadores e tomadas múltiplas sem saberem que carga estão a colocar na instalação.
Utilizem extensões e réguas adequadas ao equipamento e mantenham os cabos elétricos fora das zonas onde os músicos circulam.
Sempre que possível, evitem também longos percursos em que cabos de alimentação e de áudio seguem permanentemente juntos.
Identifiquem transformadores e fontes de alimentação. Dois adaptadores podem parecer iguais e fornecer tensões, polaridades ou correntes diferentes.
Se tiverem dúvidas sobre a capacidade ou segurança da instalação elétrica, recorram a um profissional qualificado.
No final do ensaio, desliguem o equipamento que não precisa de permanecer alimentado, guardem os cabos soltos e deixem o espaço preparado para a sessão seguinte.
A vantagem de uma sala permanente está precisamente aí: quando regressam, o essencial continua no lugar.
Gravar os ensaios
Quando a sala já funciona e todos se conseguem ouvir, gravar os ensaios permite perceber se aquilo que parece equilibrado enquanto estão a tocar funciona realmente como conjunto.
Não precisam de preparar uma sessão multipista em cada ensaio.
Um telemóvel bem colocado ou um gravador portátil pode ser suficiente para documentar a banda.
Se utilizarem uma mesa com interface USB, podem também enviar a mistura para um computador.
Depois do ensaio, conseguem ouvir com outra atenção:
- - se o andamento está estável;
- - se as vozes funcionam em conjunto;
- - se algum instrumento desaparece;
- - se duas partes estão a competir entre si;
- - se determinado arranjo precisa de ser alterado.
Durante a execução estão concentrados em tocar. Na gravação conseguem ouvir a banda de fora.
Recordem apenas que uma saída USB estéreo da mesa não significa necessariamente gravação multipista. Se precisam de gravar cada instrumento separadamente para misturar mais tarde, terão de utilizar equipamento capaz de enviar canais individuais para o software de gravação.
O que vale a pena deixar permanentemente montado
Uma das principais vantagens de ter uma sala própria é evitar transportar e montar o mesmo equipamento em todas as sessões.
Bateria, amplificadores, mesa de mistura e sistema das vozes são candidatos óbvios a permanecer instalados, tal como suportes, cablagem fixa e parte da distribuição elétrica.
Instrumentos principais, pedalboards, computadores, interfaces, microfones pessoais ou outros equipamentos mais delicados podem continuar a acompanhar cada músico.
O equilíbrio depende do espaço.
Numa sala utilizada exclusivamente pela banda, podem deixar praticamente todo o sistema preparado. Num espaço partilhado, pode fazer sentido retirar os elementos mais pessoais ou sensíveis no final de cada sessão.
O objetivo é reduzir o tempo de montagem sem comprometer a segurança do material.
Personalizem a vossa sala de ensaio. E mantenham-na limpa.
A vossa sala de ensaio deve ser um sítio onde se sentem bem. É um espaço para onde vão fazer música, que é sempre um prazer. E, mesmo que seja trabalho, deve ser agradável e confortável.
Não tragam mobília desnecessária, a sala de ensaio é um espaço para fazer, e não para estar. Se tiver espaço suficiente para receber outras pessoas, ótimo, mas não se esqueçam que os ensaios são para a banda e não para público.
Como vão passar muitas horas lá dentro, podem dar um toque mais pessoal com pequenos elementos decorativos que vos inspirem. O importante é que seja um espaço confortável e agradável.
Por isso, deve ser também um local limpo, não só para vosso conforto e bem estar, mas também por causa do vosso equipamento. Não fumem dentro do espaço, evitem usar os equipamentos como mesa ou, pior, balcão de bar, e tenham sempre o cuidado de levar as caixas do Uber Eats e afins convosco depois. Ninguém quer voltar a um espaço que, por questões de isolamento, não terá muita ventilação, e que cheira mal.
A temperatura é outro problema. Tentem manter uma temperatura estável ao longo do ano, com equipamentos seguros e que não sobrecarreguem a instalação elétrica. Não só protege o vosso material de vários problemas de humidade, como faz com que seja um refúgio do frio ou do calor lá fora. E se for um espaço dado à acumulação de humidade, o que é natural quando fechamos 5 pessoas numa sala, usem um desumidificador.
Uma aspiradela mensal e um ambientador e terão mais vontade de ir para a sala de ensaio do que ficar no sofá lá de casa.
Conclusão
Uma boa sala de ensaio não é a que tem mais equipamento. É aquela onde a banda consegue chegar, ligar-se, ouvir-se e começar a trabalhar sem perder tempo a reconstruir o sistema ou a competir por volume.
Comecem pelas condições do espaço e pela formação da banda, escolham a bateria e a amplificação em função desse contexto e organizem as vozes, os cabos e os restantes equipamentos para que tudo tenha um lugar. A partir daí, podem melhorar a sala gradualmente, acrescentando capacidade quando surgir uma necessidade real.
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Foto Thomas Litangen / Unsplash





