Como afinar a guitarra portuguesa: afinação de Lisboa e Coimbra
Aprendam a afinar a guitarra portuguesa e percebam as diferenças entre as afinações de Lisboa e Coimbra.
Afinar uma guitarra portuguesa pela primeira vez pode ser intimidante: tem doze cordas, um carrilhão que parece exigir um manual de instruções e duas afinações principais que mudam consoante viajamos de Lisboa para Coimbra. Tudo razões suficientes para vos fazer pensar duas vezes antes de começar a rodar as cravelhas.
Mas afinar uma guitarra portuguesa não é complicado quando percebemos a lógica por detrás das seis ordens de cordas, conhecemos qual das duas afinações estamos a utilizar e aprendemos a distinguir os pares afinados em uníssono dos que estão afinados à oitava.
É precisamente essa lógica que vamos explicar. Primeiro, vamos conhecer as notas das afinações de Lisboa e de Coimbra, perceber porque existe um tom de diferença entre ambas. Depois, passar à prática: como utilizar um afinador cromático, como trabalhar cada par de cordas e como perceber pelo ouvido se a guitarra ficou realmente afinada.
Afinem bem a vossa atenção, e venham connosco.
Leiam também Fado de Lisboa vs Fado de Coimbra: guitarras, diferenças e semelhanças no Blog do Salão Musical
Índice
Como funciona a afinação da guitarra portuguesa
Doze cordas, mas apenas seis ordens
Afinação da guitarra portuguesa de Lisboa
Afinação da guitarra portuguesa de Coimbra
Posso usar afinação de Lisboa numa guitarra de Coimbra?
Lisboa e Coimbra: porque existe um tom de diferença?
Como afinar a guitarra portuguesa passo a passo
Como afinar os pares em uníssono
Como usar um afinador cromático
Como perceber se a guitarra portuguesa está bem afinada
Cordas novas e estabilidade da afinação
Como fazer as asas das cordas da guitarra portuguesa
Outras afinações da guitarra portuguesa
Como funciona a afinação da guitarra portuguesa
A guitarra portuguesa tem doze cordas metálicas, mas estas não funcionam como doze cordas independentes. Estão organizadas em seis ordens (ou duplas), cada uma formada por duas cordas que são tocadas em conjunto.
Se olharem para a guitarra na posição de tocar, a primeira ordem é a mais aguda e a sexta é a mais grave. Quando neste artigo indicarmos a afinação da guitarra portuguesa, vamos seguir precisamente essa direção: da primeira ordem, mais aguda, para a sexta, mais grave.
Esta convenção é importante porque nem todas as fontes apresentam as notas pela mesma ordem. Em sistemas de notação internacionais é frequente começar pela corda mais grave, enquanto muitos métodos portugueses apresentam a afinação a partir da mais aguda. Se compararem duas tabelas sem reparar nesse pormenor, podem pensar que encontraram duas afinações completamente diferentes quando, afinal, uma está simplesmente escrita ao contrário.
Doze cordas, mas apenas seis ordens
O que distingue a guitarra portuguesa de outras guitarras que usam o mesmo sistema de ordens duplas é que, as três primeiras ordens, as mais agudas, as duas cordas de cada par são normalmente afinadas em uníssono. Isto significa que produzem exatamente a mesma nota, à mesma altura.
Nas três ordens mais graves, as duas cordas continuam a representar a mesma nota, mas encontram-se separadas por uma oitava. Uma é grave e a outra produz essa mesma nota num registo mais agudo.
Esta combinação ajuda a criar aquele som cheio, brilhante e extremamente rico em harmónicos que reconhecemos imediatamente numa guitarra portuguesa. Mesmo quando o guitarrista toca uma única ordem, não está a ouvir apenas uma corda: está a ouvir duas vibrações a trabalhar em conjunto.
Afinação da guitarra portuguesa de Lisboa
Comecemos pela afinação tradicionalmente associada à guitarra de Lisboa.
Da ordem mais aguda para a mais grave, temos:
| Ordem | Nota | Notação internacional |
| 1.ª | Si | B |
| 2.ª | Lá | A |
| 3.ª | Mi | E |
| 4.ª | Si | B |
| 5.ª | Lá | A |
| 6.ª | Ré | D |

Assim, a sequência que precisam de memorizar é:
Si — Lá — Mi — Si — Lá — Ré
Se preferirem pensar a partir das cordas graves, basta inverter:
Ré — Lá — Si — Mi — Lá — Si
É esta afinação mais aguda que contribui, juntamente com as dimensões e construção do instrumento, para o carácter brilhante e recortado geralmente associado à guitarra de Lisboa.
Guitarra Portuguesa Artimúsica GPBASEL Modelo Lisboa no Salão Musical
Afinação da guitarra portuguesa de Coimbra
Em Coimbra encontramos a mesma lógica de intervalos entre as ordens, mas todo o instrumento desce um tom.
Da ordem mais aguda para a mais grave:
| Ordem | Nota | Notação internacional |
| 1.ª | Lá | A |
| 2.ª | Sol | G |
| 3.ª | Ré | D |
| 4.ª | Lá | A |
| 5.ª | Sol | G |
| 6.ª | Dó | C |

A sequência fica então:
Lá — Sol — Ré — Lá — Sol — Dó
Ou, do grave para o agudo:
Dó — Sol — Lá — Ré — Sol — Lá
Se compararem as duas afinações nota por nota, a relação torna-se imediatamente clara. O Si de Lisboa passa para Lá em Coimbra, o Lá passa para Sol, o Mi para Ré e assim sucessivamente.
A guitarra de Coimbra tem também, tradicionalmente, uma escala mais longa e dimensões diferentes da guitarra de Lisboa, características que contribuem para a sonoridade mais grave associada ao instrumento.
Guitarra Portuguesa Artimúsica GPBASEC Modelo Coimbra no Salão Musical
Posso usar afinação de Lisboa numa guitarra de Coimbra?
É possível afinar uma guitarra construída segundo o modelo de Coimbra com a afinação de Lisboa, mas não basta subir todas as cordas um tom e assumir que o instrumento vai responder da mesma forma. A guitarra de Coimbra tem uma escala mais longa e a sua afinação habitual trabalha com uma tensão diferente.
Se querem usar regularmente afinação de Lisboa numa guitarra de Coimbra, convém instalar um jogo de cordas próprio para guitarra de Lisboa. O calibre e a tensão desse encordoamento são mais adequados à afinação mais aguda e evitam tentar levar um jogo de Coimbra para uma tensão para a qual não foi pensado.
O caminho inverso é ainda menos aconselhável: instalar um jogo de cordas de Coimbra numa guitarra de Lisboa não deverá produzir um bom resultado. Como essas cordas são concebidas para uma escala maior e para trabalhar um tom abaixo, numa guitarra de Lisboa podem ficar com tensão insuficiente, resposta pouco definida e uma sensação de execução inadequada.
Por isso, distingam sempre duas decisões: o modelo da guitarra e o encordoamento necessário para a afinação que pretendem utilizar. Se vão alterar de forma permanente a afinação habitual do instrumento, escolham um jogo de cordas correspondente e, em caso de dúvida, confirmem a opção com um técnico ou guitarrista experiente.
Lisboa e Coimbra: porque existe um tom de diferença?
A afinação mais baixa em Coimbra está fortemente associada à evolução do instrumento e da respetiva linguagem durante o século XX, nomeadamente à influência de Artur Paredes. A construção da guitarra de Coimbra acompanhou também essa evolução, com uma escala tradicionalmente mais comprida e uma tessitura mais grave.
É redutor pensar que uma guitarra de Coimbra é apenas uma guitarra de Lisboa afinada um tom abaixo. São duas variantes do mesmo instrumento, desenvolvidas em tradições musicais diferentes e com características próprias de construção, execução e sonoridade.
Leiam também Fado de Lisboa vs Fado de Coimbra: guitarras, diferenças e semelhanças no Blog do Salão Musical
Antes de afinar
Antes de mexerem numa única corda, confirmem primeiro qual é a afinação que pretendem utilizar e identifiquem corretamente a primeira e a sexta ordem. Se estiverem a pegar pela primeira vez numa guitarra portuguesa, façam esse reconhecimento com calma, porque doze cordas muito próximas umas das outras tornam bastante fácil escolher a corda errada enquanto estão concentrados no visor do afinador.
Há ainda uma segunda razão para avançarem devagar: as cordas metálicas da guitarra portuguesa trabalham sob tensão considerável. Se uma corda estiver muito abaixo da nota pretendida, aproximem-se progressivamente da afinação em vez de rodarem rapidamente o carrilhão à procura da nota.
O mesmo se aplica se não sabem em que afinação o instrumento se encontra. Não partam do princípio de que uma guitarra com cabeça em lágrima está necessariamente afinada em Coimbra, ou que uma guitarra de Lisboa terá obrigatoriamente a respetiva afinação tradicional. Um instrumento pode ter sido afinado de outra forma pelo seu proprietário.
Ouçam primeiro e confirmem com um afinador cromático.
Como afinar a guitarra portuguesa passo a passo
Peguem na vossa guitarra e no vosso afinador, respirem fundo e ouçam com atenção. Afinar um instrumento faz parte da nossa relação com ele e das suas características físicas, e a guitarra portuguesa é um instrumento que vale a pena sentir e ouvir com maior cuidado e presença.
Vamos começar pelas cordas mais agudas.
Como afinar os pares em uníssono
Nas três primeiras ordens, a tarefa é relativamente fácil de compreender: queremos que as duas cordas produzam a mesma nota à mesma altura.
O afinador ajuda, mas o ouvido pode dizer-vos muito. Afinem primeiro cada corda separadamente e depois toquem as duas ao mesmo tempo. Se estiverem muito próximas, devem fundir-se num único som firme. Se houver uma pequena diferença de afinação, poderão ouvir uma espécie de pulsação ou ondulação no som.
Esse fenómeno é conhecido como batimento.
Quando duas frequências estão muito próximas mas não são exatamente iguais, interferem entre si e o volume parece aumentar e diminuir regularmente. À medida que aproximam as duas cordas da mesma frequência, o batimento torna-se mais lento até praticamente desaparecer.
Aprender a ouvi-lo é uma das melhores maneiras de deixarem de depender exclusivamente do visor do afinador.
A tecnologia diz-vos onde está a nota; o ouvido confirma se as duas cordas estão realmente a trabalhar como um par.
Como afinar os pares à oitava
Nas três ordens graves é a mesma nota, mas separada por uma oitava.
Isto significa que, numa ordem de Ré, por exemplo, uma das cordas produz um Ré mais grave e a outra um Ré mais agudo.
Se estiverem a usar um afinador cromático simples, o visor poderá mostrar a mesma letra para ambas — D, no caso de Ré — porque pertencem à mesma classe de nota. Afinadores que mostram também o número da oitava permitem distinguir imediatamente os dois registos.
Para quem está habituado apenas a uma guitarra de seis cordas, esta disposição pode causar alguma confusão no início. O instinto é tentar fazer as duas cordas do par soar exatamente à mesma altura, o que levaria a afinar uma delas na oitava errada.
Se tiverem dúvidas, não forcem a tensão até encontrarem a nota por tentativa e erro. Confirmem a afinação correta, escutem uma referência e aproximem-se gradualmente da frequência correta. Toquem as duas, ouçam se soam à mesma nota mas com uma presença mais grave. Se soar estranho é porque algo não está no ponto certo. Revejam o afinador.
E, pronto, já está! Nem por isso. Vão ter de dar mais uma volta. Afinar uma corda altera a tensão exercida sobre o instrumento e, ao longo de seis ordens, essas pequenas alterações podem fazer com que as primeiras cordas se desloquem ligeiramente. Voltem por isso à primeira ordem e façam uma segunda passagem pela guitarra.
Em instrumentos acabados de encordoar, podem precisar de repetir este ciclo várias vezes.
Como usar um afinador cromático
Um afinador cromático é particularmente útil para a guitarra portuguesa porque não está limitado à afinação convencional de uma guitarra de seis cordas.
Em vez de esperar Mi, Lá, Ré, Sol, Si e Mi, simplesmente identifica a nota que está a ouvir. Isso permite afinar sem problemas tanto em Lisboa como em Coimbra e reconhecer também outras afinações.
Toquem uma única corda de cada vez, esperem que a indicação estabilize e verifiquem qual é a letra apresentada.
Para a afinação de Lisboa procuram B, A, E, B, A, D do agudo para o grave.
Em Coimbra procuram A, G, D, A, G, C.
Se o afinador tiver modos específicos para “Guitar”, “Bass”, “Ukulele” ou outros instrumentos, escolham o modo Chromatic sempre que existir. Um modo dedicado a guitarra pode estar programado para reconhecer apenas as seis notas da afinação convencional e tornar a tarefa desnecessariamente confusa.
Também vale a pena confirmar que a referência está em Lá = 440 Hz, a frequência de referência moderna mais habitual, a menos que tenham uma razão específica para usar outra calibração.
Afinador Korg CA 2 Cromático no Salão Musical
Leiam também o nosso Guia de afinação para instrumentos de cordas no Blog do Salão Musical
Como perceber se a guitarra portuguesa está bem afinada
Depois de percorrerem todas as ordens, esqueçam o afinador durante alguns segundos e ouçam a guitarra.
Toquem cada par isoladamente. Nas três ordens agudas, escutem se as duas cordas se fundem ou se existe um batimento demasiado evidente. Nas ordens oitavadas, procurem a sensação de uma única nota reforçada em dois registos, e não de duas cordas a competir uma com a outra.
Depois façam alguns acordes ou posições que conheçam bem.
Se a guitarra soa equilibrada nas cordas soltas mas começa a parecer desafinada quando sobem pelo braço, o problema pode já não estar na afinação das cordas. A posição do cavalete, o estado dos trastes, a compensação, a altura das cordas e outros aspetos de regulação influenciam a entoação ao longo da escala. Nesse caso, continuar a rodar as cravelhas não vai resolver o problema.
Uma guitarra bem afinada deve manter relações convincentes entre as notas quando começam a tocar música, não apenas apresentar seis leituras corretas no afinador.
Cordas novas e estabilidade da afinação
Se acabaram de colocar um encordoamento novo e a guitarra insiste em desafinar, não significa necessariamente que fizeram alguma coisa mal, significa só que as cordas novas precisam de tempo para estabilizar.
À medida que são colocadas sob tensão e começam a assentar nos pontos de contacto, a afinação pode baixar ligeiramente, obrigando a várias correções durante as primeiras sessões.
Numa guitarra portuguesa, onde trabalham com doze cordas, este efeito torna-se ainda mais evidente. Afinam uma ordem, passam à seguinte, chegam ao fim e descobrem que a primeira já se deslocou, o que é perfeitamente normal e, se juntarem condições ambientais de calor e humidade ainda podem tornar o processo mais demorado.
Em vez de corrigirem obsessivamente uma única corda, percorram novamente todas as ordens e deixem o instrumento estabilizar gradualmente.
E se uma corda nova perder constantemente a afinação muito mais depressa do que todas as outras, observem se está corretamente instalada no carrilhão e no atadilho. Uma corda mal presa pode deslizar mesmo quando o resto do instrumento já estabilizou.
Jogos de cordas para Guitarra Portuguesa no Salão Musical
Como fazer as asas das cordas da guitarra portuguesa
Trocar as cordas de uma guitarra portuguesa também é uma arte que, por si só, daria um artigo. Isto porque, ao substituir as cordas de uma guitarra portuguesa há um pequeno trabalho que não encontramos quando mudamos o encordoamento de uma guitarra clássica ou elétrica, que é fazer as chamadas asas das cordas, os pequenos laços que permitem prender cada corda aos ganchos do carrilhão.
Para formar a asa, dobra-se a extremidade da corda até criar o laço e enrola-se depois a ponta livre várias vezes sobre a própria corda, criando uma união suficientemente firme para suportar a tensão quando começarem a afinar.
O processo pode ser feito manualmente, mas torna-se muito mais simples e regular com um alicate próprio para fazer asas: a corda fica presa na ferramenta e uma pequena manivela ajuda a torcer a extremidade de forma controlada.
Alicates para fazer asas de cordas no Salão Musical
Convém trabalhar com cuidado, sobretudo nas cordas bordão, para não danificar o enrolamento exterior, e deixar uma asa suficientemente pequena para ficar segura no gancho sem criar folgas desnecessárias.
Depois de instalada a corda, aumentem a tensão progressivamente e confirmem se a asa ficou bem presa antes de levarem a corda até à afinação final. Melhor do que ler, é mesmo ver:
Outras afinações da guitarra portuguesa
Lisboa e Coimbra são as tradições dominantes, mas a história da guitarra portuguesa não se resume a estas duas afinações.
A afinação natural teve uma presença importante historicamente e apresenta uma organização diferente da afinação de fado. Existem também variantes, como a chamada afinação da Mouraria, entre outras soluções utilizadas em diferentes épocas, repertórios e escolas. Estas afinações seguem a mesma regra de 3 ordens em uníssono nas mais agudas e de oitavas nas mais graves:
Afinação natural: Si — Sol — Mi — Si — Sol — Mi
Afinação da Mouraria: Si — Sol — Mi — Si — Lá — Mi
Não precisam de aprender estas afinações para começar a tocar guitarra portuguesa. Aliás, se estão no início, é muito mais útil escolher a tradição em que querem trabalhar, seja Lisboa ou Coimbra, e desenvolver primeiro uma relação sólida entre ouvido, posições e afinação.
Mas saber que estas alternativas existem ajuda a perceber uma ideia importante: a guitarra portuguesa não chegou até nós congelada numa configuração eterna. O instrumento, os seus repertórios e a maneira de o afinar foram evoluindo em conjunto.
Notas finais
Afinar a guitarra portuguesa parece mais complexo quando só vemos doze cordas. Mas, se percebermos que são seis duplas organizadas segundo uma lógica bastante clara, tudo se torna mais fácil. Em Lisboa, guardem:
Si — Lá — Mi — Si — Lá — Ré.
Em Coimbra, baixem toda essa estrutura um tom:
Lá — Sol — Ré — Lá — Sol — Dó.
A partir daí, o processo é sistemático: uma corda de cada vez, um par de cada vez, primeiro com a ajuda do afinador e depois com atenção ao que os dois elementos de cada ordem fazem quando soam em conjunto.
Ao longo do tempo, o afinador deixa de ser aquilo que vos diz se a guitarra está certa ou errada e passa a ser uma ferramenta de confirmação. Começam a reconhecer os batimentos dos pares em uníssono, a sentir quando uma oitava não encaixa e a perceber que algo mudou antes mesmo de olharem para o visor.
Esse é o verdadeiro objetivo de aprender a afinar um instrumento: não apenas colocar as cordas nas frequências certas, mas começar a conhecer a sua voz.
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