Só juntar água? A fórmula da pop de sucesso

Só juntar água? A fórmula da pop de sucesso

Diz-se que estamos a ficar velhos quando a música nova nos começa a soar toda ao mesmo. Mas será verdade? O que é que faz com que uma música seja um sucesso e as outras todas não? Como é que elas chamam a nossa atenção e ficam presas no ouvido até nos levar à loucura?

O objectivo de uma música pop é entranhar-se na nossa existência e fazer dinheiro por causa disso. Há dezenas de estudos que tentaram explicar a fórmula secreta de compositores como Max Martin, que nos últimos 20 anos escreveu 22 dos maiores 100 sucessos de vendas, para artistas como Britney Spears, Katy Perry ou Backstreet Boys. Aquele Si bemol seguido de dois Dós no Hit me Baby One More Time vai ficar para sempre… está a tocar agora na vossa cabeça, não está?

Max Martin faz parte de um grupo cada vez mais reduzido de compositores que criam música pop para um rol cada vez maior de artistas, fazendo lembrar um pouco o que acontecia nos anos 50 em Tin Pan Alley, onde os melhores criadores musicais escreviam para músicos que pouco podiam fazer para cantar as suas próprias canções. Mas qual é o segredo desta comunidade seleta que moldou a música pop moderna?

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Há um padrão na maioria dos sucessos dos últimos anos:

  • são simples harmonicamente (nada de muitos acordes complicados em progressões estranhas) ;

  • são mexidos mas não muito, ou seja, dá para dançar mas sem cansar;  

  • são altas, com muito volume de som;

Tudo isto em pouco mais de três minutos, porque não temos mais capacidade para nos mantermos atentos.  O site Music Machinery tem uma série de visualizações que ajudam a perceber os padrões da música pop contemporânea, em contraste com outros sucessos de outras eras.

Outras características têm a ver com questões físicas do próprio áudio: altamente comprimido, com frequências elevadas no refrão, que é também mais ritmado, mais enérgico. E já repararam que os cantores masculinos cantam cada vez mais em tons agudos?

Na construção musical, a música popular usa cada vez menos notas e variações. Esta acusação já vem desde o início do rock’n’roll como música popular, mas parece ser mais frequente. As letras são também mais simples: comparem o Bohemian Rhapsody às letras da pop moderna, que usam muito menos palavras e quase sempre as mesmas, muitas vezes recorrendo a interjeições (Hey, yeah, a-ha).  E o virtuosismo foi abandonado ao ponto de até os solos, que vinham normalmente a seguir ao segundo refrão, terem desaparecido.

As músicas pop estão realmente a ficar cada vez mais parecidas, não só porque são feitas por menos pessoas, mas também porque têm que corresponder a padrões de produção. A música pop é uma indústria, e produz em série. Se têm dúvidas, vejam este projeto do New York Times que analisa até que ponto os sucessos de verão dos últimos anos são diferentes dos sucessos de há duas décadas, e muito semelhantes entre si.

Mas a música de hoje em dia é mais limitada? Claro que não. Há centenas de anos que se usam as mesmas progressões em músicas tão diferentes como o Canon de Pachelbel e o Paranoid dos Green Day. Há apenas uma maior engenharia sonora e o acesso através de muitos mais canais do que antes havia.

E isto não é mau. O truque parece ser compor uma canção que é parecida com o que se anda a fazer, mas suficientemente diferente para nos chamar a atenção. Ou seja, não há uma fórmula, mas há elementos e atributos que podem fazer com que se torne um sucesso. Podemos seguir a receita, mas é o toque pessoal do compositor e dos executantes que faz a diferença. E o tempero secreto é sempre a honestidade e o coração de quem a toca. Mesmo que use os mesmos quatro acordes que toda a gente usa.

É claro que hoje em dia as redes sociais, os vídeos, a comunicação pessoal dos artistas têm um peso enorme nos seus sucessos. As editoras pressionam as rádios e as redes sociais para promoverem determinados músicos e essa repetição permanente leva a que acabemos por gostar de uma música por duas razões: porque até nos parece agradável à quarta ou quinta vez que somos obrigados a ouvi-la, e porque toda a gente gosta. E esse sentimento de pertença é um factor importantíssimo, porque a música realmente junta as pessoas. Até o Despacito.

“Mas qual é a fórmula?”, perguntam vocês. Bem, é esta:

Score = (w1 x f1) + (w2 x f2) + (w3 x f3) + (w4 x f4), e está explicada num artigo muito interessante chamado “The Hit Factor”, que explora a ciência por detrás da música pop. Quem disse que música é matemática não estava a brincar, mas é a matemática mais divertida de todas.

Seguir esta receita não vos vai encher a barriga com o vosso potencial sucesso de verão. A música continua a ser uma forma de arte, e o seu mérito é como as pessoas se relacionam com ela. Quantas mais pessoas se relacionarem, mais popular ela fica, e passa a ser pop. E há música pop de grande qualidade. Sib - Dó - Dó. Ainda estão a ouvir?

Para cozinharem os vossos sucessos, temos todo o equipamento de que precisam, basta só visitarem a nossa loja online.  O tempero é da vossa responsabilidade.

Publicado no dia 2018-11-08 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 53

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