Uma Filarmónica muito moderna

Uma Filarmónica muito moderna

Esta não é uma filarmónica como as outras. Sedeada em Travassô, Águeda, a Orquestra Filarmónica 12 de Abril tentou sempre marcar a diferença, criando uma imagem própria desde a forma de fardar e de se apresentar, mas também defendendo o papel fundamental que estas instituições têm junto das comunidades em que se inserem, na formação musical e pessoal dos seus elementos.

E foi mais além, incorporando outros estilos no seu repertório, colaborando com músicos nacionais de referência e dando uma imagem renovada do que uma filarmónica pode e deve ser.

lder Filipe Pires, Presidente da Direção da Orquestra Filarmónica 12 de Abril, falou com o Salão Musical de Lisboa para nos explicar como é que se leva uma instituição quase centenária para a modernidade, com a ajuda de todos que fazem parte dela.

A história da Orquestra Filarmónica 12 de Abril divide-se em duas fases, uma desde a fundação em 1925 até 1980, a outra desde 1980 até hoje.

De facto, olhando para a história da orquestra, 1980 foi um marco. Nessa altura a denominação banda filarmónica era a que fazia mais sentido, dadas as atividades tipicamente relacionadas com a atividade filarmónica. Pouco antes disso, a criação da Escola de Música foi outro dos mais importantes passos que foram dados, dando importância à parte didática/social.

A partir de 1980 o foco foi a qualidade musical, a vontade de fazer bem e, sobretudo, continuar a fazer diferente, com outro rigor, disciplina e profissionalismo.

A Orquestra Filarmónica 12 de Abril não se limita apenas aos eventos tradicionais deste tipo de conjuntos, também toca com grandes músicos nacionais. Como é que isto acontece e que vantagens traz à instituição e aos seus músicos?

Esta associação procura a evolução e diferenciação dos pares constantemente. Essa motivação fez com que, nos anos 80, tenhamos sido, muito provavelmente, a primeira banda a apostar no repertório ligeiro, com arranjos encomendados expressamente para o efeito.

Esse fator granjeou-nos um enorme sucesso e ajudou a recuperar as gerações mais novas de volta aos "arraiais filarmónicos". Também as trincheiras da 12 de Abril foram encorpadas por juventude que queria tocar repertório diferente e “animado”, com um jovem maestro à sua frente, Pedro Neves. Quando anos depois esta se tornou a prática comum, sentimos que estava na altura de abraçar outros desafios.

As circunstâncias e o trabalho desenvolvido, permitiu-nos, uma vez mais desbravar caminho. Com Luís Cardoso como diretor artístico, reconhecido nacional e internacionalmente como um compositor de referência no universo filarmónico, arriscámos, em 2014, a preparação de um espetáculo dedicado à música Portuguesa, com foco nos anos 80, com a voz de Luís Portugal a interpretar não só o repertório que o eternizou nos Jafumega mas também outros autores como Carlos Paião e Paulo de Carvalho, com arranjos exclusivamente preparados para esse efeito.

De referir, que sem o apoio da Câmara Municipal de Águeda que conseguiu perceber a dimensão daquilo que estava a ser preparado e o resultado que teria, talvez fosse muito difícil alcançar o sucesso que este projeto teve. Foi com este incentivo que continuámos nesta linha.

Em 2015 preparámos um espetáculo com o Jorge Palma, desta vez interpretando exclusivamente o seu repertório, em 2016 com Sérgio Godinho, e em 2017 com Manuela Azevedo dos Clã.

Ainda em 2017, e considerando o sucesso estrondoso dos anteriores projetos, foi-nos endereçado o convite de nos apresentarmos no recém-estreado Centro de Artes de Águeda com os Budda Power Blues e a cantora Maria João, o que se revelou uma experiência extremamente gratificante e enriquecedora.

Em 2018 apresentámo-nos com Tim dos Xutos e Pontapés e, neste momento, encontramo-nos a preparar um novo espetáculo, que terá como convidado Luís Represas.

Que vantagens retiraram destes espetáculos?

As vantagens que estes projetos trazem são inúmeras. Os palcos diferentes trazem exigências muito específicas não só pelos arranjos, pela necessidade de ajustar timbres e intensidades ao facto de termos um cantor em palco, mas também por todo o ambiente que inclui cabos, microfones, luzes, monitores, etc., que não é, de todo, o ambiente filarmónico comum e que se traduz numa enorme e ímpar aprendizagem.

Além disso, a oportunidade de tocar com grandes nomes da música portuguesa é, com toda a certeza, um fator motivacional preponderante para a manutenção do espírito típico da 12 de Abril.

No entanto, não podemos deixar de referir as vantagens para o público. Os habituais seguidores da Orquestra, têm a oportunidade de a ouvir e ver num registo completamente diferente daquele que são as típicas romarias filarmónicas.

Os "fãs" dos cantores, veem os temas imortais dos seus artistas preferidos a transformar-se e a ganharem uma dimensão orquestral, que se tem revelado extraordinariamente enriquecedora.

De ressalvar que vários destes espetáculos tiveram repetições e continuam prontos a apresentar em qualquer momento. E, nessa linha de pensamento, surgiu outro desafio (talvez o maior destes já referidos) que foi juntar no mesmo palco, em 2018, todos os artistas que já se tinham apresentado a solo com a 12 de Abril.

Foi assim que surgiu o espetáculo 12/4 (doze por quatro), apresentado no Centro de Artes de Águeda (e esgotado nas 2 apresentações), com a Orquestra Filarmónica 12 de Abril com Luís Portugal, Jorge Palma, Sérgio Godinho e Manuela Azevedo. Além de temas que já tinham apresentado anteriormente, esta foi a oportunidade para apresentar duetos inéditos em orquestrações exclusivas que elevaram ainda mais um espetáculo, só por si inesquecível.

A 12 de Abril quis perpetuar esse momento ímpar, prevendo-se para breve a apresentação de CD e DVD do “12/4”.

As orquestras Filarmónicas são um pólo para a educação musical dos jovens. Partindo do vosso exemplo, qual é a importância deste tipo de instituições para os jovens que querem aprender música mas que não têm acesso a outros tipos de educação musical formal, e o que é diriam aos jovens para os convencer a juntar-se a uma orquestra filarmónica?

Felizmente, atualmente, o acesso à educação musical é cada vez mais transversal e fácil. No entanto, acreditamos que, apesar de existirem inúmeras formas de se aprender música, aprender música numa orquestra filarmónica, não é aprender apenas música. Nas orquestras filarmónicas ensina-se muito mais que isso.

A questão social ganha nas orquestras filarmónicas uma importância e dimensão superiores. Trabalhamos diariamente para que seja uma forma diferente de aprender a estar, e viver, em sociedade, com mais empenho e disciplina porque acreditamos que os jovens (e menos jovens) têm facilidade em se apaixonar por tudo o que é “belo” e pelo prazer de o construir, e que há poucas coisas mais satisfatórias que ser capaz de se exprimir com música.

Por norma, basta mostrar-lhes que existe arte dentro deles e continuar a trabalhar esse sentimento para ajudarmos na construção de seres humanos melhores (que também sabem música).

Aprender e tocar numa Orquestra Filarmónica obriga a uma abertura de espírito que transcende o indivíduo e o relega para segundo plano, para que o grupo seja o essencial.

Portugal tem um grande número de instituições deste tipo que promovem a música nas suas comunidades. Acham que têm sido ignoradas?

Portugal tem, de facto, um número invejável de instituições desta natureza que fazem um trabalho louvável na educação musical e humana no seio das populações em que se inserem. Graças ao trabalho voluntário que genericamente as pessoas que as compõem desenvolvem, estas associações têm conseguido subsistir com mais ou menos dificuldades.

Considerando a atualidade e a panóplia enorme de atividades à disposição das populações, parece tornar-se cada vez mais difícil cativar músicos, apoiantes e voluntários que vejam nesta atividade uma mais valia como nós a vemos. É também por isso que apostamos na diferença, para tentar minimizar o crescente afastamento da população.

E, apesar de o termos conseguido fazer, muito graças à boa vontade e voluntarismo das pessoas que nos rodeiam, compreendemos que este é um problema real e que a subsistência destas instituições dependerá sobremaneira da tutela local e do seu discernimento sobre a importância que é dada às mesmas e ao trabalho fundamental que fazem na preservação da identidade popular.

O que faz a Orquestra Filarmónica 12 de Abril diferente das restantes?

Antes de mais, desejamos fazer e ser diferente, em segundo, temos tido capacidade de o concretizar. A ambição e a criatividade que temos, essencialmente baseada em pessoas empenhadas e capazes de dar vida às ideias, tem sido primordial. Porque, reiteramos, estas associações são feitas de pessoas e é a sua resiliência, espírito de grupo e paixão que fazem a verdadeira diferença.

Que planos têm para o futuro?

Temos consciência que o futuro depende do trabalho diário que fazemos e da envolvência e entrega das pessoas. Temos várias ideias, vários sonhos e planos, mas centramo-nos, essencialmente, em continuar a construir espetáculos de elevado valor musical, que cheguem a cada vez mais público, explorando áreas que normalmente não estão associadas ao trabalho rotineiro e característico das orquestras filarmónicas.

Além disso, resta-nos esperar e trabalhar para que tal seja suficiente para permitir alimentar os grandes objetivos sociais e educacionais que sempre foram basilares para a Orquestra Filarmónica 12 de Abril.

A Orquestra Filarmónica 12 de Abril é um enorme exemplo de como o trabalho, a dedicação, a audácia e o trabalho colectivo podem levar as filarmónicas para outra dimensão, apenas porque se dedicaram a ser originais. A eles e a todas as bandas filarmónicas de Portugal, o nosso reconhecimento e obrigado pelo trabalho incrível que fazem todos os dias, em todo o país.

Se estão interessados em dar o passo seguinte no crescimento da vossa instituição, podem começar por melhores instrumentos, aos melhores preços. Aqui no Salão Musical de Lisboa temos tudo o que precisam para a vossa banda filarmónica. Visitem-nos.

Publicado no dia 2019-05-17 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 450

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