Guitarra Acústica: Momentos importantes do folk

Guitarra Acústica: Momentos importantes do folk

A música folk, ou a música do povo, é um género que engloba diversas tradições musicais de diferentes origens. Na sua definição mais simples, é a música transmitida de voz em voz ao longo de gerações, que definem uma identidade cultural informal, feita pelo povo para o povo, por povos de todo o mundo. No seu sentido mais restrito, é a música tradicional de uma comunidade.

A folk contemporânea, predominantemente de inspiração anglosaxónica, surgiu nos anos 60 do século passado, e baseava-se nos sons, canções e instrumentos tradicionais, mas cruzando-os com temas modernos e novos instrumentos. A comunidade a que se referiam era a juventude americana, em plena era de rebelião, mas a música tinha simpatia harmónica e tópica noutras paragens mais distantes e, rapidamente, se tornou global.

 

A maior referência de todos os intérpretes da folk que surgiram nessa época foi Robert Allen Zimmerman, também conhecido por Bob Dylan, que, com uma guitarra acústica e canções de formato tradicional, cantava letras que diziam muito à (e sobre) a sua geração. O seu estatuto de derradeiro cantor folk era tal que, quando pegou numa guitarra eléctrica para fazer a sua música, foi um escândalo. Mas essa história fica para outra altura, apesar de ser também um dos momentos mais importantes da história do folk.

Woody Guthrie

Bob Dylan não foi o primeiro herói da folk contemporânea - foi, certamente, o seu primeiro anti-herói. Antes dele, existiu Woody Guthrie, um músico que abriu o caminho para o jovem Robert Zimmerman e tantos outros que veneravam a sua música.

 

Armado com uma guitarra acústica, Guthrie pegava em canções do povo, normalmente de estratos sociais mais modestos, e cantava-as com a mesma dedicação que cantava as suas próprias composições. Em 1940, enquanto andava à boleia no meio de um inverno rigoroso para chegar a Nova Iorque, escreveu a canção seminal da folk contemporânea “This Land is Your Land”, um tema que muitos consideram o hino alternativo dos Estados Unidos da América, e uma das mais populares e influentes canções folk do século XX.

 

A estrutura musical tradicional tocada numa guitarra acústica, a letra simples e terra a terra, com intenção mais política e social que artística, definiu os cânones para o que viria a seguir.

Blowing In the wind

Foi preciso chegar a 1962 para o tal Bob Dylan popularizar a folk com o seu single Blowin’ in the Wind, que capturou o espírito da época na perfeição. A juventude era rebelde, cheia de questões existenciais e o panorama mundial estava tenso. Tornou-se num hino para o movimento dos direitos civis americano e também foi adotado pelo movimento anti-guerra. Onde havia uma causa, estava esta canção.

 

 

Os ventos sopraram até ao outro lado do Atlântico, onde a tradição folk era forte mas não tinha o mesmo tipo de empenho. A resposta britânica a Bob Dylan foi outro cantautor de guitarra acústica em punho chamado Donovan, que lançou uma música curiosamente chamada de Catch the Wind.

 

As ilhas britânicas, para além de fazerem o melhor blues rock da época, também geraram alguns dos mais inovadores músicos folk: Bert Jansch, com a sua aproximação virtuosística à guitarra acústica e Nick Drake, que se tornou um músico de culto. Drake continua ser uma influência muito presente, sendo uma das grandes referências para muitos trovadores modernos.

 

Mulheres do folk

A folk trouxe também muitas mulheres para a ribalta, que usaram o género para se expressar de uma forma completamente livre. Joan Baez usou a sua música para manifestar o seu activismo social e político com grande sucesso mas o ícone feminino da época foi Joni Mitchell.

 

Com composições brilhantes feitas com afinações alternativas na sua guitarra acústica e histórias pessoais e íntimas nas suas letras, Mitchell tornou-se num dos maiores expoentes musicais da época e a inspiração para milhares de compositoras até aos dias de hoje. O seu álbum Blue é um dos discos folk que ficaram para sempre.

 

Outros nomes fundamentais nas raízes do folk no feminino foram Odetta, Emmylou Harris, Judy Collins, Janis Ian, e tantas outras que encontraram no folk um espaço ideal para conjugar o talento musical e as suas ideias pessoais.

O fim da época de ouro

Os anos 70 foram o fim da época dourada do folk: o cinismo substituiu o ativismo, o rock ganhou mais peso e músculo e a juventude queria dançar ao som da disco. O grande evento da década terá sido um álbum derivado do folk mas que, ao mesmo tempo, quebra com o modelo tradicional, lançado por Paul Simon, ele próprio recentemente separado da dupla com Art Garfunkel.

Rico nas influências e diverso, o primeiro disco de Paul Simon a solo tem um toque urbano, não de uma cidade qualquer mas da urbe por excelência - Nova Iorque - na sua confluência de sons, línguas e expressões. É um álbum informado pela música do mundo que Simon encontrou no pequeno planeta que era a Big Apple e isso nota-se nos ritmos que empregou, com origem na música folk de outros povos.

 

 

Durante muito tempo, o cantautor com ideias políticas andou desaparecido dos tops, pelo menos dos americanos. Noutros países eram chamados de músicos de intervenção e eram ouvidos às escondidas.

O mainstream só voltou a ter música de inspiração folk com Tracy Chapman no final dos anos 80, que trouxe a guitarra acústica para os palcos como suporte para a sua mensagem.

Folk Moderna

Nas décadas seguintes o género foi reinventado, desmontado, reconstruído. Juntou-se eletrónica, linguagem pop, misturou-se com tradições diferentes e cantou-se em todas as línguas. Mas o folk vive, com o mesmo espírito intimista de falar próximo do ouvido e do coração de quem o ouve. Temos a Laura Marling para provar isso.

 

 

Há muitos artistas, novos e antigos, a lançar discos incríveis. Recomendamos esta lista com os melhores álbuns folk de 2020 com alguns dos melhores exemplos do folk que se anda a fazer por aí fora. Ou, se preferirem os clássicos, podem recorrer a esta playlist para ouvir os temas de referência do género.

A arma do músico folk

A guitarra tem sido a ferramenta principal do verdadeiro músico folk. É um instrumento rico, acessível na execução, que implica poucos meios para se fazer ouvir, para além de ser muito portátil. 

E como gravar uma guitarra acústica em casa é relativamente fácil e libertador para quem quer compor, a dificuldade está apenas na escolha do instrumento que querem ter. No Salão Musical de Lisboa, temos alguns modelos perfeitos para se lançarem na interpretação e composição da vossa música de inspiração folk.

Um deles é a Yamaha FG800, uma guitarra acústica inspirada pelos instrumentos que marcaram a música dos anos 60. A FG800 tem um corpo formato Traditional Western feito em abeto maciço, e fundo e ilhargas em mogno, para maior volume e definição. O acabamento sunburst é apenas um pormenor espetacular.

Para além da FG800, temos muitas outras guitarras folk que também vos podem interessar, desde modelos parlor às tradicionais dreadnought.

 

Descubram-nas já na nossa loja online.

 

Publicado no dia 2021-02-24 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 261

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