30 anos de MTV Unplugged

30 anos de MTV Unplugged

Foto: Markus Thorsen

No início dos anos 90, a música popular era ouvida alta e com bastante distorção. Foram os anos do grunge e do rock pesado, do heavy metal moderno e dos mosh pits. No entanto, um dos maiores legados musicais dessa época foram os concertos acústicos da MTV. Vamos recordar alguns dos mais importantes.

No início dos anos 90, a música popular era ouvida alta e com bastante distorção. Foram os anos do grunge e do rock pesado, do heavy metal moderno e dos mosh pits. No entanto, um dos maiores legados musicais dessa época foram os concertos acústicos da MTV. Vamos recordar alguns dos mais importantes.

Para músicos habituados a tocar com uma banda completa ligada a alta voltagem, despir as suas músicas de toda a distorção e efeitos é o equivalente a fazer trapézio sem rede. É também regressar aos rudimentos básicos da construção e interpretação musical. 

A série Unplugged da MTV mostrou como a música que normalmente se ouvia em ambientes de estádio ou festival podia ser uma experiência intimista e crua, cheia de sentimento. 

O primeiro MTV Unplugged foi realizado em 1989, e tinha um conceito muito simples: era um concerto feito apenas com instrumentos acústicos, realizado para um público reduzido. A primeira vida desta série atravessou a década de 1990, e mudou para sempre a vida de alguns dos seus intervenientes.

No primeiro conjunto de concertos, os nomes mais sonantes a deixar a sua marca foram os Aerosmith, Stevie Ray Vaughan, Joe Satriani, Elton John e Sinead O’Connor, mas 1992 foi o ano em que o MTV Unplugged explodiu junto do grande público, muito especialmente por causa do primeiro senhor desta lista.

Vamos apresentar os cinco concertos mais importantes da série MTV Unplugged, sem seguir nenhuma ordem específica. São apenas os que fizeram a diferença e se tornaram lendários. 

  

ERIC CLAPTON (1992)

O mais relevante intérprete dos blues britânicos aproveitou esta oportunidade para revisitar alguns dos seus temas favoritos e dar ao mundo a versão definitiva da sua “Tears in Heaven”, para além de uma versão alternativa de “Layla”, um clássico que o acompanhava à 20 anos, desde o tempo em que tocava nos Derek and The Dominos. 

Esta mistura de clássicos da sua carreira, standards de blues e uma interpretação fantástica de uma canção que toda a gente na altura andou a cantarolar, levou a que este concerto fosse reconhecido com seis Grammys e vendas de milhões de discos em todo o planeta.A palavra Unplugged ganhou um significado próprio, reconhecido por toda a gente.

Neste vídeo promocional podem ver alguns momentos da atuação e as ideias de Eric Clapton sobre as escolhas que fez para o concerto.

 

Também destacamos a banda que o acompanha, tem dos melhores músicos que se podiam encontrar na altura.

NEIL YOUNG (1993)

Esteve para não acontecer, mas tornou-se num dos Unpluggeds lançados em disco com maior sucesso. Neil Young viu a sua música chegar a novos públicos graças às bandas grunge que o citavam como referência. Por isso, era uma escolha natural para ser o veterano a suceder  a Eric Clapton na série. Numa primeira gravação em Nova Iorque, as coisas correram tão mal que Young desistiu a meio e saiu porta fora. 

A equipa de produção conseguiu convencê-lo a voltar mas foi preciso que passassem dois meses para que Neil Young, acompanhado por músicos escolhidos a dedo - e a sua meia-irmã a fazer coros - fizesse uma segunda tentativa. 

Correu tão bem que ficou como um dos concertos mais emblemáticos neste formato, com Young a apresentar os melhores momentos da sua carreira num só espetáculo, dando-se a conhecer a um novo público que ficou com ele desde então. 

Segundo os registos, mesmo este concerto não esteve livre de problemas mas Neil Young lá autorizou a edição pela MTV. E ainda bem que o fez.

ALICE IN CHAINS (1996)

Para Layne Staley, foi a melhor atuação dos Alice in Chains em três anos. Para a banda, foi a única. Esta desorientação do vocalista dos Alice in Chains justifica-se com o consumo abusivo de drogas, uma praga que vitimou Staley e tantos outros músicos nessa década. Foi o seu último grande momento com a banda antes de morrer por overdose, cinco anos mais tarde.  

Eventos trágicos à parte, o concerto acústico dos Alice in Chains foi um sucesso, e um retrato fiel do que era a música e o espírito da época. Se não fossem os problemas de Layne Staley, provavelmente a marca que os Alice in Chains deixaram seria ainda mais forte. 

Foi um momento de superação da banda, especialmente para o guitarrista Jerry Cantrell, que passou grande parte do concerto com dificuldades por causa de uma intoxicação alimentar, que parece mesmo assim mais controlado que o seu vocalista. Apesar de tudo, é um dos melhores concertos da série.

PEARL JAM (1992)

A banda que provavelmente mais beneficiou de um MTV Unplugged foi os Pearl Jam. Ainda a surfar a onda do sucesso do seu primeiro álbum, Eddie Vedder e companhia libertaram o génio da garrafa naquela noite e ganharam uma identidade que os marca até hoje.

Intensa e ao mesmo tempo intimista, a actuação cheia de energia dos Pearl Jam fez com que as músicas que toda a gente ouviu eletrificadas no disco não perdessem nada quando transpostas para o formato acústico. 

Momentos icónicos: as interpretações de “Black” e de “Porch”. Caso único nesta lista, a actuação dos Pearl Jam não teve uma edição dedicada em disco. 

É caso para dizer que estavam completamente ligados à ficha, mesmo sem estarem ligados à eletricidade. 

NIRVANA (1993)

Para todos os efeitos, a banda que marcou os anos 90 foram os Nirvana. Kurt Cobain, a estrela mártir da década, liderou o amigo Pat Smear e os colegas de banda Krist Novoselic e um muito bem comportado Dave Grohl no concerto que definiu a série e a carreira dos Nirvana.  

Não revisitaram os estridentes sucessos da banda, talvez porque Kurt Cobain andasse cansado das exigências de ser um músico popular, preferindo músicas menos conhecidas e algumas versões de outros autores como Lead Belly, David Bowie e Meat Puppets. Mesmo assim, foi um sucesso estrondoso, sendo o concerto de que se fala quando se fala do MTV Unplugged.

Cobain morreu cinco meses depois, mas o Unplugged dos Nirvana ficou para sempre com os fãs da banda. 

Anos mais tarde, Dave Grohl soltou o cabelo, saiu de trás da bateria e lançou-se numa banda chamada Foo Fighters, da qual já devem ter ouvido falar.

A influência destes concertos foi enorme, com uma geração inteira a aprender a tocar guitarra inspirados por estes concertos desligados da ficha mas completamente ligados à música. De certa forma, foram uma parte fundamental da formação musical que definiu quem cresceu nos anos 90. 

A série continua nos nossos dias, com grandes nomes da pop a apresentarem-se também sem rede, demonstrando que o formato continua a ser um desafio aliciante para qualquer músico que se preze. E, por todo o lado, podemos ver ainda hoje anúncios para versões unplugged de bandas de bar, o que demonstra que o apelo de tocar sem corrente é ainda muito forte. 

Se gostam de tocar versões acústicas das vossas músicas favoritas, o melhor será terem um instrumento à altura do desafio. Ou vários. 

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Publicado no dia 2021-03-19 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 243

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