Preparem-se para fazer música:  um workflow para compor

Preparem-se para fazer música: um workflow para compor

Um compositor organizado é um compositor sempre inspirado. Se estão com problemas em desenvolver e terminar as vossas ideias musicais, este artigo é para vocês.

O vosso telemóvel está cheio de gravações áudio e vídeo com melodias e progressões de acordes que estão à espera de serem transformadas em canções? A vossa mesinha de cabeceira está cheia de notas em cadernos e folhas soltas com fragmentos de letras? Têm uma playlist no vosso serviço musical online preferido com faixas que vos chamaram a atenção por causa de um pormenor mas que nunca ouvem porque sabem que terão que começar a trabalhar na vossa ideia?

A criatividade é uma criatura felina. É um bicho fugidio, que tanto é capaz de se vir roçar nos nossos pés ao ponto de nos fazer perder o equilíbrio, como nos pode ignorar quando queremos um pouco da sua atenção. E, quando desaparece, a angústia é terrível.

Mas, ao contrário dos felinos que temos em casa, pode ser domada. Basta um pouco de organização e prática. Estas dicas aplicam-se para simplificar a vossa ideia e o processo de composição, e entrarem facilmente nesse estado único da criação artística. Se quiserem mais dicas, mas sobre como aprender músicas rapidamente, também temos um artigo sobre isso

Como compor uma peça musical em três actos

Os grandes criadores, ao contrário do mito, são pessoas com um método. Pode parecer caótico para o comum dos mortais mas, para eles, é o que lhes permite concretizar as suas ideias. Vamos ver como de um momento criativo podem criar uma obra de arte.

1- A ideia 

Esta parte é comum a todos nós. Muitas vezes, estamos apenas a tocar o nosso instrumento de eleição de forma descontraída e sem ligar muito ao que estamos a fazer até que há uma melodia ou um ritmo ou motivo que nos chama a atenção. 

A inspiração surge muitas vezes quando não nos estamos a esforçar, porque deixamos a nossa mente vaguear para um lado menos racional e consciente. Se calhar é por isso que o estereótipo do artista é ainda um pouco o de uma criatura que vive no mundo da lua ou que passa a vida a tentar estar numa outra dimensão do pensamento. 

Como o nosso cérebro está formatado para voltar rapidamente ao estado de alerta, é fácil que as ideias que surgem nessa frequência de onda desapareçam. O truque está em registá-las imediatamente. 

Um telemóvel é excelente para registar essa ideia em áudio. Ou, melhor ainda, em vídeo. Assim não têm que se preocupar com o nome dos acordes ou em que escala está, podem ver as questões teóricas depois. 

Se são mais espontâneos e querem logo gravar uma versão com qualidade, sem terem que ligar o computador e arrancar o programa, criar uma nova sessão, ligar os cabos do microfone que, por acaso, ainda estão na mala do equipamento desde a última vez que foram usados, ou ficaram na sala de ensaio...estávamos a falar do quê mesmo? Pois, a ideia foi-se.


Um gravador portátil é uma excelente solução para nunca mais perderem as vossas ideias musicais. O Roland R 07 é um gravador perfeito para músicos que conseguem logo estruturar uma canção ou peça em pouco tempo. 

Para além de gravar em áudio de alta qualidade, através dos microfones incorporados, podem ainda usar o afinador e até aplicar um metrónomo, especialmente se querem usar essa faixa como guia para uma gravação mais a sério. É só carregar num botão ou controlá-lo remotamente através do telemóvel.

O importante é capturar o momento, no momento. Sem perder tempo.

2 - Desenvolvimento e experiências

Se já têm um esboço, então está na altura de começar a juntar volume e cores. Quantos instrumentos vão usar, que sons transmitem melhor a vossa ideia? É aqui que, e sem a possibilidade de ter os colegas de banda por perto (ou se não os têm), vale a pena usar um computador como ferramenta de composição e outros instrumentos complementares.

Com um computador é fácil ter um estúdio virtual completo, com imensos sons que podem controlar através de um teclado MIDI. Existem imensos programas de edição áudio para fazer música com alta qualidade sonora, e são uma excelente ferramenta para irem adicionando camadas à vossa ideia adicional. 

A partir da vossa faixa guia podem regravar o que for preciso, adicionar ritmos, mudar as batidas por minuto, trabalhar a estética sonora geral. É nesta altura que algumas músicas mudam completamente. 

Um exemplo fantástico é o clássico dos 10CC, “I’m not in Love”. A primeira versão que gravaram era em modo bossa nova, mas ninguém gostou. No entanto, grande parte do staff do estúdio continuava a trautear a melodia principal dias depois de terem desistido da canção. Decidiram dar-lhe uma segunda oportunidade, recorrendo a algumas experiências à mesa de mistura, gravando faixas individuais de voz para criarem uma peça coral etérea que podemos ouvir em fundo e que deu uma nova identidade à ideia original.

Warren Huart (que tem um canal espetacular sobre produção musical) explica como tudo aconteceu, com a ajuda dos 10CC.

Criem novas ideias a partir da ideia principal, usem as melhores. Por vezes, surge algo completamente diferente do que se pensou inicialmente.

3 - Concretização

Concretizar a nossa ideia musical é simplesmente conseguir pegar no que era apenas um riff, uma progressão ou uma melodia e ter uma peça ou canção que pode ser executada do princípio ao fim por um ou por um conjunto de executantes. 

Ou então, e porque estas coisas não têm fronteiras definidas, é quando acabaram de a gravar e está pronta a partilhar, com a ideia de fazer versões diferentes no futuro. Ou não. Fazer música é também isso, pegar em temas existentes e dar-lhes novas interpretações, construir sobre eles, desfazê-los e refazê-los. É assim que o jazz funciona, por exemplo.

Mesmo um tema clássico como “Danny Boy” pode ser completamente transformado nas mãos de um músico incrível como Jacob Collier.

Há uma altura em que é preciso empurrar a vossa criação para fora do ninho para ir viver nos ouvidos, vozes e mãos de quem a ouve e de quem a toca. Só assim é que uma música ganha vida.

Dicas rápidas

O acto criativo de compor passa muito por pequenas questões pragmáticas. O que é bom porque, se são pequenas e práticas, são controláveis. Para se dedicarem a algo têm que criar uma disposição mental e física para o fazer, e eliminar obstáculos e distrações. Estas ideias podem ajudar:

  • Tenham um espaço dedicado à música onde podem trabalhar sossegados: outra divisão, uma garagem ou mesmo um bom par de headphones. Este espaço é tanto físico como psicológico;

  • Tenham o material necessário, pronto a usar, afinado, com todos os acessórios essenciais. Não é altura de trocar cordas ou andar à procura das vassouras;

  • Evitem as interrupções: fechem a porta, deixem o telemóvel noutro lado ou coloquem-no em silêncio em modo de avião. Ninguém sabe quantas obras primas se perderam para sempre por causa de vídeos de gatinhos;

  • Usem o que conhecem: não é hora de instalar um programa novo ou tocar um instrumento que não sabem tocar. As ferramentas deverão ser simples e familiares;

  • Tenham as vossas pastas de ficheiros e notas bem organizadas, nunca se sabe quando é que aquela parte de uma letra que escreveram há meses pode encaixar na perfeição nesta melodia, se ao menos a conseguissem encontrar…

  • Tirem notas: apontem os acordes que souberem, as palavras e ideias que fazem sentido, indiquem tipos de sons que irão experimentar, ponham nomes de músicas que conhecem como referência para a vossa;

  • Não se inibam. Estão fechados no vosso mundo, relativamente incontactáveis e mais ninguém sabe o que estão a fazer, portanto, vale tudo. Não há ideias parvas. O único crítico presente são vocês e podem mandá-lo ir passear e comer um gelado, por agora. Será útil mais tarde para avaliar o que fizeram. Até lá, e enquanto ele não volta, arrisquem. 

Estas condições são simples de se atingir. O importante é escolherem fazer música de forma deliberada e, acima de tudo, tornar isso numa rotina. Como Jonathan Mann, que há 11 anos está a escrever uma música por dia, mesmo quando poucas destas condições estavam disponíveis. Vejam como e porque é que ele o fez.

Ficaram inspirados?

No Salão Musical de Lisboa temos tudo o que precisam para criarem a vossa música. Visitem a nossa loja online, enviamos para todo o mundo, com segurança, para que não tenham de sair de casa. 

Publicado no dia 2021-03-23 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 161

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