Marcas Nacionais: As histórias de amor da Oficina César

Marcas Nacionais: As histórias de amor da Oficina César

Onde há uma romaria, há sempre bombos e tambores que, muito provavelmente, foram fabricados na Oficina César. Esta instituição da música tradicional portuguesa especializou-se em instrumentos de percussão - bombos, tambores, pandeiretas, adufes -  mas também em brinquedos tradicionais de madeira. Venham conhecê-los. 

Há gerações que os produtos da Oficina César marcam o compasso de romarias e dão a alegria a miúdos e graúdos. César Gonçalves é sócio gerente desta empresa familiar com raízes em Ermesinde e clientes em todo o mundo, e falámos com ele sobre as origens da Oficina César. Logo de início, descobrimos que é uma história com várias histórias de amor.

“Foi sempre um negócio familiar de casais: primeiro os meus bisavós, depois juntaram-se os meus avós, depois os meus pais. Neste momento, os meus pais estão comigo e com a minha esposa à frente da empresa.”

O fabrico de instrumentos tradicionais é uma prática que passa de pais para filhos, que se prolonga dentro de famílias e até das comunidades onde se inserem. A Oficina César não é excepção. “A Oficina César nasceu em 1943 pelas mãos de César Duarte Ferreira e a sua esposa”, conta-nos César Gonçalves, bisneto do César original. “O meu bisavô já trabalhava para um tio dele, sendo que esse tio já seguia as pisadas do pai, que já tinha começado em 1883.”

A procura por instrumentos tradicionais era grande, e a Oficina cresceu rapidamente. “Chegámos a ter cerca de 50 funcionários no tempo dos meus bisavós e dos meus avós. Muitos eram crianças dos 9 aos 14 anos que vinham para aqui depois das aulas.”

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A procura já não é como antes, mas podemos ouvir o bater dos tambores da Oficina César um pouco por todo o país, graças aos grupos que animam as romarias e festas populares e também pela criação de colectivos de percussão mais modernos.

“Os produtos que mais vendemos são os bombos de romaria, normalmente em festas populares como por exemplo as festas de Viana, de Mirandela e Guimarães.

Existem também cada vez mais grupos de bombos, principalmente desde o aparecimento dos Tocá Rufar, e temos também uma grande procura de bombos, caixas e timbalões para uso profissional um pouco por todo país, com maior incidência em Sta. Maria da Feira e na zona centro e sul.”

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É preciso pôr amor no que se faz quando se fabricam instrumentos artesanais. A Oficina César ainda usa muitas das técnicas e equipamentos originais para fazer os seus instrumentos, o que faz com que cada um deles seja uma peça única. 

“Os instrumentos feitos à mão são únicos, é “impossível” fazer instrumentos exatamente iguais. Há uma maior atenção ao detalhe, há cada vez uma exigência maior na qualidade e variantes, e os instrumentos são moldados em função daquilo que o cliente pretende. 

Cada instrumento tem a sua personalidade e, por isso, tem um valor acrescido face aos instrumentos produzidos em série, mecanicamente.”

TRADIÇÃO E A SUA PRESERVAÇÃO

As gerações mais novas estão interessadas em instrumentos tradicionais? César Gonçalves diz que sim, e tem feito a sua parte para preservar a arte da construção de instrumentos de percussão na região, com ações de formação de reparação e manutenção de instrumentos. A próxima é em Sta. Maria da Feira, no dia 21 de Abril.

“As crianças e jovens gostam não só de tocar, mas também de perceber como são fabricados os instrumentos. Têm sido criados alguns grupos de percussão nas escolas e até em infantários. Penso que é importante para as crianças e jovens não só o ensino da percussão mas também o saber reparar ou construir.” 

A Oficina de Artesanato César faz mais do que bombos e tambores. Os brinquedos artesanais em madeira são uma componente muito importante do seu negócio, com destaque para os mecânicos como a pomba e o ciclista, mas também piões, rapas, carros de bois e andarilhos. 

Neste vídeo feito para a Junta de Ermesinde, César Gonçalves conta como a história da Oficina se confunde com a história dos brinquedos na cidade.

Como todos os negócios, a Oficina César não estava imune aos acontecimentos do último ano. Longe vão os tempos em que contavam com dezenas de trabalhadores, estando agora reduzidos a apenas um funcionário.

“O último ano tem sido terrível, estamos com quebras de vendas a rondar os 90%. Contudo, permitiu-nos repensar estratégias, reforçar stocks. Mas é urgente começar a vender, os apoios são insuficientes e estamos há praticamente um ano a pagar para trabalhar. “

Para César Gonçalves, é preciso apoiar a produção nacional.

“Nos tempos que correm mais que nunca é importante comprarmos o que é português. Procuramos comprar toda a matéria prima em Portugal, mesmo tendo opções mais baratas com matéria importada. Desta forma estamos a ajudar empresas portuguesas e a colocar o máximo de qualidade nos nossos produtos. Achamos que não faz sentido defendermos as nossas tradições com instrumentos importados.”

“Temos esperança que depois da tempestade venha a bonança. Antes da pandemia, estávamos num crescimento quase sempre constante desde 2013. Os planos que temos para o futuro são continuar a fazer mais e melhor, e tentar exportar mais do que temos exportado.”

Até voltarem os tambores em romaria ou grupos a rufar, podem conhecer melhor a história desta instituição da música tradicional portuguesa em oficinacesar.pt.  

E vejam este mini documentário, onde as pessoas e os locais que fazem parte desta história de amor são apresentados na primeira pessoa.

A Oficina César é uma das marcas nacionais que o Salão Musical tem orgulho de ter no seu catálogo. Visitem a nossa loja online e mostrem o vosso amor à produção nacional comprando em Portugal. 

Publicado no dia 2021-03-30 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 195

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