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O que é Jazz Manouche? Breve História do Jazz Manouche ou Gypsy Jazz

Publicado por2023-07-20 por 3430
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Venham descobrir o que é Jazz Manouche, a sua história, os seus pioneiros e onde o podem ouvir em Portugal.

O Jazz tem uma variante europeia que é o resultado de diversas tradições e culturas, mas também de um acidente que poderia ter acabado com a carreira do seu maior ícone.

Índice

O que é Jazz Manouche?

As origens do Jazz Manouche

Pioneiros do Jazz Manouche

Oscar Marcelo Aleman

Django Reinhardt

O som do Jazz Manouche

Jazz Manouche em Portugal

Notas finais

O que é Jazz Manouche?

O Jazz Manouche, também conhecido como Gypsy Jazz, Romani swing ou hot club jazz, é um estilo de música que surgiu na Europa nos anos de 1930, com base na música cigana, na música argentina e no jazz americano.

Os grupos de Jazz Manouche consistiam numa guitarra solo, violino, duas guitarras ritmo e contrabaixo. As guitarras rítmicas forneciam um ritmo percussivo chamado la pompe (a bomba) que, em conjunto com os contrabaixos fortemente sincopados, tornavam desnecessária uma seção de percussão.

Solos improvisados de guitarra e/ou violino eram a norma, e eram uma oportunidade para os músicos se entregarem ao virtuosismo, sem se esquecerem que estavam a tocar para pessoas que queriam dançar.

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A imagem de marca destes grupos eram as guitarras Selmer, que preenchiam os salões de baile com o seu som. As duas guitarras rítmicas eram necessárias no início dos anos 1930, pois não havia amplificação disponível e as casas de dança eram grandes e barulhentas. As guitarras ritmo distinguem-se pela sua boca em forma de D.

Guitarra
Jazz Manouche ritmo APC JMD200WLN

Guitarra Jazz Manouche Ritmo APC JMD200WLN

As guitarras solo também tinham que se fazer ouvir e cortar pelo meio do resto da banda e do som dos convivas. Distinguem-se das guitarras ritmo pela sua pequena boca oval, que destaca as frequências médias e agudas. Ambas têm uma caixa maior que uma guitarra acústica tradicional e usam cordas de aço.

Guitarra
Jazz Manouche Solo APC JM200MPL Selmer

Guitarra Jazz Manouche Solo APC JM200MPL Selmer

As origens do Jazz Manouche

Depois dos anos negros da Primeira Guerra Mundial, a Europa estava a precisar de alegria e música. Com a circulação de soldados de várias nacionalidades e da afluência de refugiados de vários pontos do continente, assistiu-se a um cruzamento de ideias, culturas e tradições sem precedentes num tão curto espaço de tempo.

França, especialmente Paris, era o centro das artes no pós-guerra, com a vida boémia e dos cafés a apelar aos artistas, que queriam viver a vida intensamente para a verter para as suas obras. A música era um elemento fundamental da vida noturna parisiense, que já tinha uma longa tradição de bailes e de grupos musicais que misturavam a música das suas origens com os sons locais.

Com o aparecimento da rádio e dos discos e a ajuda da influência da presença dos militares americanos, novas formas musicais começaram a dar música aos bailes e clubes de Paris, como o jazz americano e, também, o tango argentino. Estes estilos excitantes trouxeram com eles novos instrumentos e ritmos, que ajudaram a formar o som característico do Jazz Manouche.

As influências não vieram só do outro lado do Atlântico. Muitos dos músicos nos anos 20 em Paris eram ciganos nómadas que incorporaram neste estilo elementos musicais de várias origens, desde a Rússia à Itália, Bélgica, Espanha, Médio Oriente e aos Balcãs.

Pioneiros do Jazz Manouche

Existem dois nomes incontornáveis quando se fala da génese do Jazz Manouche: Oscar Marcelo Aleman e Django Reinhardt.

Oscar Marcelo Aleman

Aleman nasceu na Argentina em 20 de fevereiro de 1909 numa família de músicos. O pai era guitarrista e a mãe era pianista, e tinham um grupo de música chamado Sexteto Moreira onde Oscar dançava e cantava desde os seis anos de idade.

Oscar ficou sozinho aos 10 anos, com o suicídio do pai após a morte de sua mãe. Ao longo da adolescência trabalhou esporadicamente como dançarino e músico e, em 1924, Oscar começou a trabalhar com o guitarrista brasileiro Gaston Bueno Lobo.

A dupla teve tanto sucesso que foi contratada pela editora discográfica argentina Victor, sob o nome de ‘Los Lobos’. Com o violinista Eleven Verdure, gravavam sob o nome de ‘Trio Victor’.

No final dos anos 1920, Oscar ficou fascinado com o jazz americano ao ouvir Eddie Lang, um dos pioneiros da guitarra jazz. Aleman já conhecia Louis Armstrong e o ‘Swing’, mas ouvir jazz na guitarra permitiu que desenvolvesse o seu próprio estilo, conquistando o público argentino.

Mudou-se pouco tempo depois para Paris, onde foi imediatamente contratado por Josephine Baker para liderar a sua banda residente no Café de Paris, o que lhe deu a oportunidade de tocar com músicos de jazz americanos que iam ver Baker e tocar com a sua banda.

Mais tarde, Oscar Aleman formou sua própria banda e tocava todas as noites no Le Chantilly. Foi um dos músicos que mais contribuiu para definir o som do novo jazz europeu e transformá-lo num fenómeno de popularidade.

Enquanto Oscar tocava no Le Chantilly, do outro lado da cidade, no Hot Club de France, atuava o músico que é a imagem e o som de referência do Jazz Manouche: Django Reinhardt.

Django Reinhardt

Jean Baptiste “Django” Reinhardt nasceu a 24 de janeiro de 1910 em Liberchies, Bélgica, num acampamento do clã cigano Manouche, a que pertencia.

Django Reinhardt com o seu banjo-guitarra

A música fazia parte da vida desta comunidade. Aos 12 anos, Django recebeu um banjo-guitarra de um vizinho que notou o seu interesse pela música - Django já tocava violino - e que aprendeu a tocar rapidamente.

Antes de fazer 13 anos, já tinha uma carreira musical. Tocava num salão de baile com o popular acordeonista Guerino e também com várias outras bandas e músicos da região. As suas primeiras gravações foram com outro acordeonista, Jean Vaissade, para a Ideal Company. Como Django não sabia ler nem escrever, o seu nome surge como “Jiango Renard” nesses discos.

A lenda de Django começa com um incêndio que lhe poderia ter destruído a carreira. A 2 de novembro de 1928, à 1 da manhã, Django de 18 anos voltava para sua caravana depois de uma noite de trabalho num novo clube.

Naguine, a sua mulher, estava grávida com o seu primeiro filho e dormia lá dentro. A caravana estava cheia de flores de celulóide que tinha feito para vender no mercado. O celuloide, um material altamente inflamável, ​​entrou em combustão por causa de uma vela, iniciando um violento incêndio. Django e a mulher conseguiram escapar às chamas, mas a sua mão esquerda e o lado direito da perna ficaram gravemente queimados.

A mão esquerda de Django estava tão queimada que só o dedo indicador e o do meio estavam funcionais. Os restantes ficaram inutilizados, permanentemente curvados por causa dos tendões terem encolhido com o calor do fogo. Reinhardt conseguia usá-los nas primeiras duas cordas da guitarra para fazer acordes e oitavas, mas não tinha uma extensão total.

Depois de 18 meses acamado, e com grande determinação, Django descobriu uma maneira de usar os dois dedos funcionais da sua mão esquerda e criar um som único e eterno.

Django Reinhardt, como Oscar Aleman, foi exposto a gravações de Eddie Lang e Joe Venuti, Louis Armstrong e Duke Ellington. Ao reinterpretar o jazz americano e combinando-o com a riqueza da tradição cigana, Django elevou o Jazz Manouche a uma nova forma de música de dança popular, que iria atingir novas alturas com outro músico também fundamental na história do Jazz Manouche.

Cordas para jazz manouche / gypsy jazz Savarez Argentine

Jogo De Cordas para Jazz Manouche Savarez Argentine no Salão Musical

Em 1934, Django conheceu Stephane Grapelli, um violinista com formação clássica que também era apaixonado pelo trabalho de Eddie Lange e Joe Venuti.

Fizeram clique imediatamente e, juntos, montaram o Quinteto do Hot Club da França. A formação original era Django (guitarra solo), Stéphane (violino), Roger Chaput (guitarra rítmica), Louis Vola (baixo) e o irmão de Django, Joseph (guitarra rítmica).

Gravaram e lançaram os seus primeiros discos com a Ultraphone, alcançando um enorme sucesso comercial em ambos os lados do oceano.

Mas, em 1939, a Segunda Guerra Mundial apanha o Quinteto numa digressão pela Inglaterra. Django regressa a Paris, separando-se de Grappelli que decide ficar em Inglaterra. Django substituiu o violino de Grappelli pelo clarinete de Hubert Rostaing. Livre de afiliações e lealdades a não ser à sua música, Reinhardt pôs ao largo das políticas da guerra, mantendo-se musicalmente activo em Paris durante a ocupação.

Depois do fim do conflito, fez ainda uma breve digressão com Duke Ellington nos Estados Unidos da América e voltou a Paris, onde continuou sua carreira até 1951, quando se aposentou na pequena vila de Samois Sur Seine.

A 16 de maio de 1953, Django Reinhardt sofreu uma trombose enquanto conversava com amigos no café. Tinha apenas 43 anos, mas o seu legado viveria para sempre.

Os solos de Django são cheios de energia e de um liricismo único, contagioso, desenrolando-se sobre os ritmos das outras guitarras em linhas melódicas alegres e sombrias ao mesmo tempo, mas sempre fluentes e com uma direcção precisa.

O som do Jazz Manouche

As limitações físicas de Django Reinhardt levaram a que a sua aproximação à guitarra fosse completamente diferente da tradicional, influenciando não só técnica mas também a sonoridade que definem este estilo.

Reinhardt, devido à sua lesão, não conseguia fazer acordes de barra. Por isso, os acordes maiores e menores de travessão quase nunca são tocados e são substituídos por acordes de sétima maior, sexta maior e acordes de 6/9.

As harmonizações manouche muitas vezes procuram dar uma sensação menor mesmo quando uma música está num tom maior, substituindo, por exemplo um acorde de sexta menor por uma sétima dominante.

Os acordes de sétima dominante também são alterados, adicionando o nono e o décimo terceiro grau da escala. As músicas de Jazz Manouche também usam acordes diminutos para preceder acordes de sétima dominante, em tons menores.

Vejam esta lição rápida que mostra os acordes de Jazz Manouche para o Minor Swing.

As escalas mais usadas são a cromática, a escala menor melódica, o modo dórico e a escala diminuta. Os solos são muitas vezes descritos como arpejos ornamentados ou decorados.

Os arpejos na guitarra são tipicamente executados como padrões diagonais dos trastes inferiores nas cordas inferiores para os trastes superiores nas cordas superiores. Esses padrões usam no máximo duas notas por corda, resultado direto de Django só conseguir articular dois dedos na mão esquerda.

É incrível como um estilo tão alegre tem tantas adversidades e limitações na definição da sua identidade e sonoridade, sendo simultaneamente tão rico e complexo musicalmente.

Jazz Manouche em Portugal

Em Portugal, podemos ouvir Jazz Manouche de grande qualidade em dois festivais dedicados a este género musical.

O Festival Jazz Manouche Almada, que se realiza em Maio, e que tem trazido alguns nomes importantes do Jazz Manouche actual.

Logo de seguida, em Junho, temos o Festival Django Portugal, um festival itinerante que leva esta música a várias cidades portuguesas. A 3ª edição, que ocorreu em 2023, teve espetáculos em Lisboa, Coimbra, Évora, Beja, Elvas, Cascais e Sesimbra, oferecendo também Workshops e Jam Sessions.

Existem também alguns grupos nacionais dedicados a este estilo, como os Miss Manouche. Outra banda que interpreta o Jazz Manouche como poucos são os Djangoland, de Coimbra.

Notas finais

O Jazz Manouche é um estilo de música vibrante e emocionante que continua a ser apreciado por pessoas de todo o mundo. O estilo é caracterizado pelo seu ritmo rápido, melodia cativante e uso de técnicas nascidas da superação de um dos seus maiores intérpretes.

Um século depois de ter nascido nas salas de dança parisienses, o Jazz Manouche continua a fascinar quem o ouve e gosta de música sem fronteiras. Visitem a loja online do Salão Musical e encontrem os instrumentos que precisam para tocar Jazz Manouche.

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