Instrumentos tradicionais portugueses que devem conhecer
Salão Musical de Lisboa Loja de instrumentos musicais desde 1958
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Instrumentos tradicionais portugueses que devem conhecer

Publicado por2026-01-06 por 66
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Descubram alguns dos instrumentos tradicionais mais populares de Portugal: cavaquinho, violas regionais, gaita de foles, acordeão, ferrinhos, bombo e adufe.

São os instrumentos que seguram o canto, marcam a dança e dão identidade a cada região. Cordofones como o cavaquinho e outras violas regionais, aerofones como a gaita de foles e o acordeão, e percussões como ferrinhos, bombo e adufe, fornecem o os sons que definem a música tradicional portuguesa.

Venham conhecê-los melhor numa introdução rápida, que esperamos que seja um ponto de partida para a vossa exploração destes instrumentos fundamentais para a nossa cultura musical e que têm aparecido em tantas composições de músicos modernos.

ÍNDICE

Porque é que os instrumentos tradicionais ainda importam

Cordofones na música popular

Cavaquinho: pequeno, brilhante e muito rítmico

Viola beiroa: brilho metálico e tradição da Beira Baixa

Viola braguesa: rasgado, presença e base harmónica

Viola campaniça: a voz das cordas no Baixo Alentejo

Aerofones e palhetas: som contínuo e instrumentos que “puxam” pelo grupo

Gaita de foles: bordão, chamada e tradição de rua

Acordeão: um instrumento que faz quase tudo sozinho

Percussão tradicional: o pulso que organiza a festa

Ferrinhos: o ritmo que corta na mistura

Bombo: o chão do tempo forte

Adufe: pele dupla, tradição comunitária e linguagem própria

Três portas de entrada para aprofundar por território

Tradição é história em ação

Porque é que os instrumentos tradicionais ainda importam

Estes instrumentos nasceram em contextos muito concretos: romarias, bailes, cantigas partilhadas, desfiles, trabalho coletivo e festas ao ar livre. A música precisava de pulso, clareza e projeção, sempre sem amplificação. Por isso, muitos destes instrumentos privilegiam o ritmo, a presença e a capacidade de funcionar em grupo.

Dos ranchos que acompanhavam e celebravam os ciclos de trabalho no campo, aos grupos de música popular, sejam de cariz tradicional ou projetos de fusão e gravações, os instrumentos tradicionais portugueses apresentam uma versatilidade enorme. Alguns mantêm o papel de sempre, outros interpretam linguagens mais recentes, com sotaque e identidade.

Muitos são muito fáceis de aprender a tocar, e são perfeitos para atuações em conjunto. Portugal tem uma tradição de tunas, académicas e não só, que demonstram esta capacidade de comunhão musical que os instrumentos tradicionais proporcionam a músicos de todas as gerações e nível técnico.

Estes são alguns dos instrumentos tradicionais portugueses mais populares. É uma lista curta, mas que serve para descobrirem o vosso instrumento tradicional e o seu papel na música tradicional portuguesa.

Cavaquinho: pequeno, brilhante e muito rítmico

O cavaquinho é um cordofone pequeno, com corpo em forma de oito e braço trastejado. Em Portugal, liga-se historicamente ao Minho e a Braga, e ganhou um papel muito forte no acompanhamento rítmico e harmónico, sobretudo em contextos de grupo.

É comum associá-lo a quatro cordas, e vocês encontram diferentes materiais e práticas de afinação consoante a região e o contexto.O seu papel é sempre o mesmo: oferecer suporte rítmico e um timbre brilhante a conjuntos de vozes.

É um instrumento com diversas versões, como o braguinha e o rajão madeirense e que tem ligação direta a outras tradições, como percursor do ukulele, a versão do cavaquinho que encontrou uma casa do outro lado do mundo.

Cavaquinho vs. Ukulele: qual é a diferença

Se vocês já tocam guitarra, o cavaquinho pode ser o vosso primeiro instrumento tradicional. A aprendizagem passa mais pelo ritmo e pela mão direita do que por dedilhados e solos.

Cavaquinhos
portugueses no Salão Musical

Cavaquinhos portugueses no Salão Musical

Viola beiroa: brilho metálico e tradição da Beira Baixa

A viola beiroa é uma viola tradicional associada à Beira Baixa. Entra frequentemente como suporte para cantares e danças, com um timbre que muitos descrevem como brilhante e com um toque metálico, muito ligado ao uso de cordas de arame.

Em versões atuais e muito comuns, vocês encontram viola beiroa com 12 cordas, o que aponta para uma organização em ordens, típica das violas portuguesas.Ao mesmo tempo, há registos e descrições que mostram variação histórica no número de ordens e nas soluções de construção, o que é normal num instrumento enraizado em práticas locais.

Se querem começar a reconhecê-la, façam o exercício mais útil: ouçam gravações da Beira Baixa e reparem no papel da viola no conjunto. Muitas vezes, a função é clara: sustentar a canção e dar base rítmica à dança.

Violas beiroas
no Salão Musical

Violas beiroas no Salão Musical

Viola braguesa: rasgado, presença e base harmónica

A viola braguesa integra a família das violas portuguesas e aparece ligada ao Minho e a zonas do Norte, com tradições de conjunto muito vivas.

Uma das imagens típicas do instrumento é a do rasgado que “enche” o grupo: com ataque, movimento e sustentação harmónica. E é por isso que a viola braguesa funciona tão bem em repertórios de baile, onde o ritmo precisa de empurrar o corpo. A organização em ordens de cordas duplas e para o uso de cordas de arame contribui para a riqueza e para a clareza do timbre.

Violas Braguesas
no Salão Musical

Violas Braguesas no Salão Musical

Viola campaniça: a voz das cordas no Baixo Alentejo

A viola campaniça, muitas vezes chamada viola alentejana, associa-se ao Baixo Alentejo e a contextos onde a tradição vive do canto, das modas e do convívio. É uma das maiores violas portuguesas com 10 cordas organizadas em cinco ordens.

A técnica tradicional costuma privilegiar o dedilhado servindo como base harmónica e rítmica, e um carácter sonoro muito reconhecível no universo alentejano.

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Violas campaniças no Salão Musical

Cordofones tradicionais nunca são demais

Aerofones e palhetas: som contínuo e instrumentos que “puxam” pelo grupo

Gaita de foles: bordão, chamada e tradição de rua

A gaita de foles é um aerofone com reservatório de ar, o fole ou bolsa, que alimenta um tubo melódico e pelo menos um bordão. Isto cria um som contínuo e muito característico, em que a melodia soa por cima de uma nota pedal grave.

Em Portugal, encontramos a gaita ligada sobretudo a tradições do Norte e do Centro, muitas vezes em romarias, desfiles e danças. A presença do bordão dá-lhe uma identidade imediata: mesmo antes de reconhecerem a melodia, vocês reconhecem o chão harmónico que não desaparece.

A gaita de foles muitas vezes suporta toda a parte melódica, assente num tom constante, o que abre espaço para outros instrumentos, como bombos. As arruadas são um exemplo típico de grupos com gaitas de foles.

Gaitas de
Foles no Salão Musical

Gaitas de Foles no Salão Musical

Acordeão: um instrumento que faz quase tudo sozinho

O acordeão é um aerofone de palheta livre com fole. É um instrumento capaz de produzir melodia, baixos e acordes, graças ao teclado ou botões na mão direita e ao sistema de botões de baixos na mão esquerda.

Essa capacidade tornou-o central em muitos contextos de música popular e folclore mais recente, porque pode animar um baile inteiro sem precisar de grande acompanhamento. Podemos encontrar o acordeão em ranchos, festas de aldeia e repertórios populares de várias regiões, precisamente porque segura harmonia e ritmo enquanto conduz a melodia.

O acordeão não é um instrumento fácil, porque obrigar a pensar em camadas: o que a mão esquerda constrói, a mão direita comenta. Portugal tem uma tradição muito forte no acordeão, com executantes virtuosos a serem regularmente distinguidos em eventos internacionais.

Acordeões no Salão
Musical

Acordeões no Salão Musical

Concertinas e Acordeões, de teclas e botões

Percussão tradicional: o pulso que organiza a festa

Ferrinhos: o ritmo que dá alegria

Os ferrinhos, o nome popular para o triângulo, são um idiofone metálico em forma triangular, suspenso e percutido com um batente metálico. O som é agudo e penetrante, e por isso ele funciona muito bem a marcar pulsação em grupos com cordas e percussão mais grave.

Na prática, os ferrinhos são como “cola” rítmica. Eles não precisam de fazer muito para se ouvirem. Precisam de tocar no sítio certo, com regularidade e intenção.

São excelentes para pontuar alguns momentos na música e para dar mais energia nos refrões.

Triângulos no Salão
Musical

Triângulos no Salão Musical

Bombo: o chão do tempo forte

O bombo é um tambor grande, de som grave, que em muitos contextos tradicionais aparece como a base do tempo forte. É tocado normalmente com baqueta e dá a pulsação a romarias e desfiles.

Portátil e com enorme projeção sonora, é o coração da música portuguesa, com um batimento forte que acompanha aerofones como a gaita de foles. E, se já ouviram um conjunto de bombos em diálogo rítmico, sabem perfeitamente do poder que trazem a qualquer evento.

Bombos
Artesanais no Salão Musical

Bombos Artesanais no Salão Musical

Leiam As histórias de amor da Oficina César, no blog do Salão Musical

Adufe: pele dupla, tradição comunitária e linguagem própria

O adufe é um instrumento de percussão com pele retesa dos dois lados, montada num caixilho de madeira quadrangular. É segurado com as mãos e tocado com dedos e palma, o que cria uma relação muito física com o ritmo.

Em Portugal, o adufe associa-se fortemente a tradições da Beira Baixa e a práticas comunitárias em que o canto tem grande peso. Há fontes que sublinham a presença histórica das adufeiras e a ligação do instrumento a repertórios locais, incluindo contextos religiosos e profanos.

O que torna o adufe especialé que obriga a sentir a pulsação e o fraseado no corpo. Para cantar com o adufe é preciso contar, respirar e encaixar o gesto no canto. Parece simples, mas implica uma noção rítmica e melódica muito apuradas, já que muitas vezes é executado sem suporte harmónico, a não ser em harmonia com outras vozes.

Adufes no Salão Musical

Adufes no Salão Musical

Três portas de entrada para aprofundar por território

Cada região tem instrumentos e repertórios que se cruzam, mas com identidades próprias. No Norte, encontram tradição de rua, cordas com presença rítmica e percussão com impacto. No Centro, a diversidade local é enorme e a tradição liga-se muitas vezes ao canto, e mesmo assim com grandes variações do litoral para o interior. E a insularidade traz outras características ao som da música tradicional de Açores e Madeira.

Se quiserem ter uma pequena ideia destas tradições regionais, leiam os artigos que dedicámos aos instrumentos tradicionais por região.

- Instrumentos tradicionais portugueses do Norte

- Instrumentos tradicionais portugueses da zona Centro

- Instrumentos tradicionais portugueses do Sul e ilhas

E para uma exploração mais aprofundada, recomendamos o folclore.pt, que tem mais histórias e História sobre os instrumentos tradicionais portugueses.

Tradição é história em ação

Estes instrumentos contam histórias de lugares e de pessoas. Eles nasceram para servir o canto, a dança e a rua. Continuam vivos porque ainda fazem sentido nas mãos de quem toca, seja num ensaio, numa festa, num palco ou num estúdio.

Descubram os instrumentos da vossa região ou os que têm o som que mais vos cativa. Depois, procurem o contexto onde estes sons vivem. Quando fazem isso, a tradição deixa de ser uma ideia abstrata e passa a ser som, corpo e presença. A música não nasce num vazio, mas da vida das pessoas, e a música tradicional é a música que servia de fundo aos momentos fundamentais das comunidades: colheitas, festas religiosas e bailes populares.

Para trazerem o som da tradição para a vossa música, visitem o Salão Musical e vejam os instrumentos tradicionais que temos para vocês, fabricados por alguns dos melhores construtores nacionais.

Foto: Michel Giacometti
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