Versões: dos standards às covers

Versões: dos standards às covers

Qualquer músico começa por aprender a música dos outros, a ouvir o que foi feito e o que se faz. Ninguém cria nada do nada. Bob Dylan disse que escreveu a ‘Highway 61’ por ter cantado imensas vezes a  ‘Key to the Highway’, de Big Bill Broonzy: “Qualquer pessoa teria escrito essa música se tivessem cantado a  ‘Key to the Highway’ tantas vezes como eu”. Temos sérias dúvidas se conseguiríamos, mas percebemos a ideia.

O que o laureado com o Nobel quer dizer é que toda a música que se faz é o resultado de toda a música a que tivemos acesso, e que ficou connosco. Um bom músico de jazz tem na ponta dos dedos centenas de temas que foram tocados milhões de vezes por milhares de músicos ao longo de décadas. E há aquelas músicas que ficaram como standards, que são consensuais entre os executantes e muito conhecidas do público.

Por exemplo, a ‘Autumn Leaves’ foi tocada e reinterpretada por tanta gente, que por vezes demoramos a descobrir o tema lá no meio. E, como sempre acontece no jazz, o tema principal é o ponto de partida para a improvisação e mestria dos músicos, que fazem dele uma coisa completamente nova.

Claro que não é só no jazz que isto acontece. A música popular está cheia de exemplos de músicos que, por questões comerciais, pegaram numa canção alheia e a tornaram popular. Por exemplo, sabiam que a ‘Valerie’, popularizada pela grande Amy Winehouse, tinha sido lançada um ano antes por uma banda chamada The Zutons?

Os autores originais chegaram ao 10º lugar da tabela de vendas do Reino Unido, enquanto que a versão de Amy Winehouse atingiu o segundo lugar e esteve no top 20 durante dezanove semanas.

Esta é uma prática antiga, em que algumas editoras passavam alguns temas para cantores mais populares, fornecendo-lhes hits instantâneos.

Há também músicos que revisitam a obra alheia, não porque a sua capacidade de criar esteja esgotada, mas com o objectivo de homenagear o que os outros fizeram. Johnny Cash fez isso no seu ‘American IV: The Man Comes Around” onde a maioria das faixas são versões de outros músicos, fora do registo habitual do Homem de Negro. Aqui, ele apropria-se de uma música de Nine Inch Nails, e fá-la completamente sua.

Depois há quem se exceda, e pegue no original e lhe mude alguns detalhes como a letra, ou faz um arranjo novo, ao ponto de renovar o que já era um clássico. Um dos maiores músicos de sempre fez isso a outro dos maiores músicos de sempre, ao ponto de não se perceber qual das versões é a definitiva.

Esta canção, curiosamente, ganhou notoriedade entre o grande público, por causa da actuação (brilhante) de uma concorrente num desses inúmeros programas de cantores que podemos ver todas as semanas na televisão, que no fundo são concursos de karaoke megalómanos, e que têm revelado grandes vozes desconhecidas.

As bandas de versões continuam a ser a base do sustento de muitos músicos profissionais, para além de serem uma excelente forma de aprender e dominar técnicas, ganhar estrada e experiência de palco. Mas há bandas de versões que levam a coisa mais além, como estes Post Modern Jukebox, que assumiram a pop como base dos seus “standards”, arranjados em estilos tão distintos como ragtime ou soul, a milhares de quilómetros de distância do espírito original do original (perdoem-nos o pleonasmo). Procurem a versão dos Maroon 5 e comparem.

E há quem não saia de casa, e toque para o seu público online a versão que fez para colocar no YouTube. Vocês não imaginam a quantidade de talentos fantásticos que têm aparecido assim.

Têm alguma vossa para partilhar?

Toquem versões ou originais, vocês precisam dos melhores instrumentos e da melhor assistência técnica, que podem encontrar sempre aqui, no Salão Musical. Façam-nos uma visita.

Publicado no dia 2017-07-07 por Salão Musical de Lisboa 0 344
Tag: covers

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