Música ao vivo ou gravada em estúdio?

Música ao vivo ou gravada em estúdio?

Foto: Andrew Arrol / Unsplash

Ouvir e ver música ao vivo é uma experiência intensa e a razão pela qual muitos de nós somos músicos. Poucas coisas se comparam a estar numa multidão que se move, canta e vibra com a interação com os músicos em palco. Muito menos coisas se podem comparar a tocar para uma plateia cheia de gente que conhece e adora a música que fazemos. 

A música era feita para ser ouvida em comunidade, mas com os suportes de gravação a música passou a ser ouvida em privado, em todo o lado. E isto é espectacular, especialmente porque podemos ouvir músicos que estão distantes, quer no tempo quer no espaço. Não é melhor ou pior, mas outra coisa.

Ao vivo vs Estúdio 

A música ao vivo e a música gravada são duas experiências completamente diferentes, não só pelo contexto, mas pelas questões técnicas. Em estúdio, os músicos podem gravar diversas faixas até atingirem o take e o som perfeito mas, ao vivo, é a versão crua. 

Podem dizer que há bandas que tocam em palco como tocam nos discos, mas são raras. Até porque a energia do público, a inspiração do momento, o estado de espírito da banda e a sua química musical e pessoal afetam o seu desempenho.

Ao vivo, vemos a banda como ela é. A gravação é como a banda visualiza a sua música. Mesmo as bandas que gravam os seus discos no estúdio como se fosse ao vivo têm uma entrega e atuação diferentes em frente a um público. 

Live Music Analyst

Há um projecto intitulado Live Music Analyst que se dedicou a estudar estas diferenças de forma quantitativa, analisando parâmetros como energia, tempo, com a possibilidade de podermos ouvir a faixa de referência em estúdio e a versão ao vivo.

A justificação para as variações vão das psicológicas e ambientais até à funcionais: uma banda de um em estúdio soa diferente com uma banda de apoio ao vivo. 

Este exemplo do Bob Dylan em disco comparado com o Bob Dylan com os The Band é claríssimo, mas há centenas de outros casos que valem a pena explorar.

Mesmo quando é a mesma banda, já plena de energia explosiva em estúdio, as diferenças são grandes: Led Zeppelin, James Brown, Elvis, Foo Fighters, Queen.

Não fujam já para comprar bilhetes de concertos, ainda temos mais algumas ideias para vocês.

A música mais intimista

No contexto da pop,  do rock, funk, música eletrónica e outros géneros musicais que vivem de multidões festivaleiras, o facto de haver milhares de pessoas a ouvir música a sair de umas colunas com uns milhares de watts de potência combinada em vez de headphones de telemóvel também ajuda a que os músicos sintam o momento de maneira diferente. 

O jazz é outra criatura completamente diferente. Este género musical vive da improvisação, que é a interação em tempo real entre músicos que criam coisas novas a partir de uma base comum no momento. Um disco de jazz, particularmente os mais clássicos, é o registo de um desses momentos que, apesar de recriado vezes sem conta ao vivo, nunca mais foi repetido da mesma forma e nem seria esse o objectivo.  

Esta canção da Esperanza Spalding é, esteticamente, jazz contemporâneo, num formato pop. Podemos ver isso até pelo videoclip que foi produzido para promover a música. 

 

Ao vivo, para uma plateia sentada, a canção passa para mais do dobro da duração, dando espaço a solos, improviso e performance, no sentido teatral da palavra. Há diálogo, movimento, saídas de cena. E uma exploração das capacidades musicais de cada um dos membros da banda que, em disco, não seria tão eficaz. 

Ouvir música ao vivo é um acto físico e menos intelectual. Quem esteve perto de um bombo de bateria com um baterista competente sabe a diferença. Mesmo um recital de piano, com uma pessoa que respira à nossa frente a fazer a sua interpretação de uma peça com séculos é completamente diferente da sua versão gravada. Nem que seja por toda a comunicação não verbal que está ausente, apesar de podermos ouvir a respiração do Pablo Casals e os barulhos que Thelonious Monk fazia enquanto tocava.

Conseguem ouvi-lo cantarolar?

Como criar a vossa versão ao vivo 

Se são músicos, especialmente se são músicos que gravam em casa e não têm estrada nas pernas, fazer uma versão do vosso trabalho para os palcos pode ser assustador. Mas temos algumas ideias.

Formação

Quem vai interpretar as músicas? Se são músicos a solo, precisam de uma banda que vos acompanhe? Ou tocam acompanhados por um computador? Ou só com uma guitarra e pedais de loop? Primeiro é perceber o que estão a tocar, há música que não é para ser tocada com banda, e há músicos que estão tão habituados a tocar sozinhos que dispensam uma, mesmo sendo um sucesso de vendas. Ed Sheeran acompanhava-se a ele mesmo com um Boss RC-300.

Sozinhos ou com uma orquestra, escolham a solução que serve melhor a vossa música.

Arranjos

Se gostam de gravar 30 faixas de guitarra por música mas só têm um guitarrista, não há problema. Muitas das subtilezas da gravação em estúdio são desnecessárias ao vivo. Os Ramones, mesmo quando tinham álbuns com maior produção, nunca abandonaram o seu estilo de acordes de quinta em quaternário acelerado e muita energia, porque era isso que se esperava deles. 

Com o apoio de dispositivos digitais, é possível ter mais instrumentos e arranjos complexos em palco com menos pessoas, mas se a base for boa, resulta perfeitamente até em modo acústico. De qualquer forma, é inevitável que a música sofra adaptações para ser tocada em palco, seja por uma questão logística, sonora ou pelas características e capacidades dos músicos envolvidos. 

Fidelidade

Aqui temos uma questão de ovo e galinha: a versão ao vivo deve ser fiel à versão do disco ou o oposto? A resposta é: são duas coisas completamente diferentes e ambas válidas. Toquem uma versão que vos dê gozo tocar ao vivo, se os vossos fãs já conhecerem a música vão gostar ainda mais. Porque, para ouvir uma versão exatamente igual à dos discos, ficamos em casa. 

Se estão cheios de vontade de subir para um palco, recomendamos que vão preparados com equipamento de confiança e qualidade. No Salão Musical temos tudo o que precisam para concertos à séria, para pessoas reais e presentes. Vejam o nosso catálogo online.

Publicado no dia 2021-04-27 por Salão Musical Atualidade, Palcos e Festivais 0 497

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