7 estudos científicos sobre benefícios da música
Salão Musical de Lisboa Loja de instrumentos musicais desde 1958
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7 estudos científicos sobre benefícios da música

Publicado por2026-02-03 por 24
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Conheçam 7 estudos recentes sobre benefícios da música no stress, ansiedade, bem estar e cognição, e saibam como aplicar as conclusões no dia a dia.

A música faz parte da vida de quase toda a gente. Uns ouvem para ter companhia ou como som de fundo. Há quem ouça para relaxar, dançar, concentrarem-se, dançar ou para ganhar energia. Também há quem desfrute dela como objeto de estudo, como obra de arte, como um momento espiritual.

Depois, há os músicos: os profissionais, os que tocam para se desligarem da tensão do dia a dia. Outros ainda usam música para treinar foco, disciplina e até para se sentirem mais próximos de outras pessoas. E há também quem toque apenas porque faz parte da sua identidade.

A Música é uma das artes que melhor relação tem com a Ciência, sendo o motor para muitos avanços tecnológicos e beneficiando das descobertas mais recentes, seja em materiais de construção e processos de fabrico, como nos mecanismos de produção sonora, do analógico ao eletrónico, até ao digital. E muitos cientistas também recorrem à música para se expressar, distrair e, até, resolver os problemas mais complexos do seu trabalho.

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Em 2025, vários pesquisas analisaram os benefícios da música em diversos contextos. Vamos olhar para sete estudos recentes que nos mostram o que a música pode fazer por nós.

ÍNDICE

Estudo 1: A influência da música na saúde mental através da neuroplasticidade: mecanismos, implicações clínicas e perspetivas contextuais

Conclusões úteis para quem ouve música e para quem toca

Estudo 2: Efeitos das intervenções sonoras na resposta ao stress mental em adultos: revisão de escopo

O que isto quer dizer para regular o stress no dia a dia

Estudo 3: Musicoterapia no tratamento da ansiedade: revisão sistemática e meta análise

Quando faz sentido pensar em musicoterapia

Estudo 4: Musicoterapia como uma alternativa viável para melhorar o bem-estar psicológico

Estudo 5: Avaliação da eficácia da terapia baseada em música em crianças e adolescentes com desafios de saúde física e mental: revisão sistemática

Estudo 6: Mudanças cognitivas induzidas pela música e flexibilidade das redes cerebrais em adultos mais velhos: estudo piloto

Estudo 7:Como a música potencia a estimulação cerebral

O ritmo é um elemento fundamental

Conclusões gerais: o que estes 7 estudos apontam em comum

Aplicações práticas no vosso dia a dia

Se tocam um instrumento

Recomendações para quem ouve música todos os dias

Se têm crianças e adolescentes em casa que estão a começar na música

Conclusão

Como ler estes estudos sem ser cientista

Antes de entrar nos sete estudos, vale a pena traduzir as três metodologias usadas na criação destes trabalhos.

Uma revisão narrativa ou integrativa junta ideias e resultados de muitos trabalhos, mas não segue sempre critérios tão rígidos como uma revisão sistemática. Serve bem para mapear mecanismos e hipóteses, mas exige mais cautela ao falar de “provas” fortes. É uma espécie de compilação, que não garante uma resposta definitiva.

Uma revisão sistemática tenta reunir estudos seguindo regras claras, com critérios de inclusão e exclusão. Quando inclui meta análise, combina estatisticamente resultados para estimar o tamanho médio do efeito. Em geral, dá-vos uma base mais sólida para conclusões.

Um estudo experimental testa uma intervenção e mede resultados. Pode ser em laboratório, em clínica, ou em contexto mais natural. Em muitos casos, aproxima-se mais da ideia de causa e efeito, mas continua dependente da amostra e medidas usadas.

A Ciência apresenta provas que reforçam ou desmentem uma hipótese. Quando os resultados são consistentes e bem medidos, reforçam a hipótese. Quando não são, enfraquecem-na ou obrigam a reformulá-la.

Mesmo assim, a ciência raramente “prova” no sentido absoluto. Dá suporte com diferentes níveis de confiança, dependendo da qualidade e quantidade das evidências.

É um método que nos tem servido bem ao longo dos séculos. Vamos vestir a nossa bata de laboratório e analisar estes estudos ao microscópio.

Guitarras Alhambra no Salão
Musical

Guitarras Alhambra no Salão Musical

Estudo 1: A influência da música na saúde mental através da neuroplasticidade: mecanismos, implicações clínicas e perspetivas contextuais

Este estudo é uma revisão, ou seja, os autores não fizeram uma experiência nova, apenas juntaram muitos estudos anteriores e procuraram perceber como a música pode ser um suporte à saúde mental.

A conclusão desta análise é que música não mexe só com emoções. Também mexe com atenção, memória, expectativa, ritmo e resposta do corpo.

Quando ouvem música, o cérebro acompanha padrões e adivinha o que vem a seguir. Já todos nós reagimos e acompanhámos músicas que nunca ouvimos na vida, certo? Quando tocam ou cantam, juntam coordenação, esforço físico, decisão e feedback imediato do som. Isto pode ajudar a criar mudanças úteis com o tempo, sobretudo quando existe repetição e rotina.

Os autores referem benefícios que aparecem com frequência na literatura: a música promove melhorias no humor, redução de ansiedade e depressão, apoio ao pensamento e à atenção, ajuda no sono e também efeitos em movimento e recuperação em alguns contextos clínicos. Não dizem que funciona sempre. Dizem que existem evidências destes efeitos em vários cenários, com resultados que variam muito.

Os autores também fazem um aviso importante. Muitos dos trabalhos analisados não descrevem bem a música usada no estudo, nem o tempo de exposição, nem o contexto. Alguns têm grupos pequenos. Isso dificulta uma comparação equilibrada dos estudos e perceber o que funciona melhor.

Artigo: The Influence of Music on Mental Health Through Neuroplasticity

Violinos no Salão
Musical

Violinos no Salão Musical

Conclusões úteis para quem ouve música e para quem toca

Para quem ouve música, a conclusão prática é que a escolha musical e o contexto contam. A música pode ajudar a regular estado emocional e corporal, mas o efeito tende a ser mais consistente quando há intenção e repetição.

Para quem toca, a regularidade e o feedback diário contam mais do que sessões esporádicas longas. O vosso cérebro aprende aquilo que repetem, sobretudo quando repetem com atenção ao som e ao corpo.

Leiam o nosso Guia rápido: como estudar música 30 minutos por dia (ou menos)

Estudo 2: Efeitos das intervenções sonoras na resposta ao stress mental em adultos: revisão de escopo

Como no estudo anterior, em vez de testar uma hipótese nova, os autores foram analisar o que já existe na investigação sobre som e stress em adultos. Olharam para vários tipos de som, como música, sons da natureza e voz, e tentaram perceber como estes sons podem influenciar a resposta ao stress.

O objetivo principal não foi provar que a música reduz níveis de stress em todas as pessoas. Os autores tentaram perceber o que parece fazer diferença nos resultados. O estudo destaca fatores como as preferências de cada pessoa, como o som é apresentado, o ambiente onde acontece e até o contexto cultural. Ou seja, o mesmo som pode ter efeitos diferentes em pessoas diferentes, consoante os gostos e formas de ouvir.

O estudo também deixa um aviso importante. A maioria das intervenções sonoras parece mostrar efeitos positivos, mas alguns estudos relatam efeitos negativos. Em certas situações, o som pode aumentar stress em vez de o reduzir. Isto reforça a ideia de que som relaxante não é uma regra automática. Depende do tipo de som e do contexto.

Outra ideia útil é que os autores olham para respostas medidas no corpo, não apenas para o que a pessoa diz que sente. A revisão reúne informação sobre respostas fisiológicas associadas a estas intervenções e aponta falhas e lacunas na investigação atual, o que significa que ainda há espaço para estudos mais consistentes e fáceis de comparar.

A conclusão deste estudo é que intervenções com som podem ajudar na resposta ao stress em adultos, mas o efeito muda muito com a pessoa e com o ambiente. Somos todos diferentes e reagimos de forma diferente às mesmas coisas. É por isso que a playlist de cada pessoa é tão única como a sua impressão digital.

Artigo: Effects of Sound Interventions on the Mental Stress Response

O que isto quer dizer para regular o stress no dia a dia

Se querem usar música para reduzir stress, tratem o ambiente como parte da “intervenção”. Um tema calmo num volume confortável pode ajudar. O mesmo tema, alto, em trânsito, com notificações e interrupções, pode não ter o mesmo efeito. Mas, mesmo nestas condições, pode ser eficaz para alguns: quem é que já cantou uma canção da rádio em plenos pulmões dentro do carro, apenas para libertar a tensão (ou porque é divertido?).

Leiam Cantar: benefícios físicos, psicológicos e sociais

E há uma conclusão muito útil para quem estuda música. A escolha pessoal parece importar. Se estiverem a tentar acalmar, têm mais probabilidade de sucesso com música que vocês aceitam como “casa”, em vez de música escolhida por obrigação. A nossa recomendação: toquem o que vos dá prazer, torna-se tudo mais fácil. E cantem alto quando forem de carro.

Microfones no Salão
Musical

Microfones no Salão Musical

Estudo 3: Musicoterapia no tratamento da ansiedade: revisão sistemática e meta análise

Este grupo de investigadores recolheu estudos já feitos e tentou responder a uma pergunta direta: a musicoterapia ajuda mesmo a reduzir a ansiedade?

Aqui, “musicoterapia” tem um significado específico. Não é pôr uma playlist a tocar e esperar que a ansiedade diminua. É uma intervenção planeada, com objetivos de saúde claros, conduzida por um musicoterapeuta, com atividades que podem envolver ouvir música de forma guiada, fazer música, ou misturar as duas coisas.

Quando os autores juntaram as medidas de ansiedade dos estudos incluídos, a musicoterapia mostrou um efeito médio na redução da ansiedade. Quando olharam para ansiedade autor reportada, ou seja, aquilo que a própria pessoa diz sentir, o efeito também foi médio.

O estudo também analisou medidas fisiológicas ligadas à ansiedade, como sinais do corpo monitorizados por alguns estudos. Aqui, o efeito foi pequeno e não foi estatisticamente significativo neste conjunto de dados. Na prática, isto quer dizer que, com os dados reunidos, não dá para afirmar com segurança que a musicoterapia muda esses sinais do corpo de forma consistente.

Artigo: Music therapy for the treatment of anxiety: a systematic review with multilevel meta-analyses

Mas isso quer dizer que a musicoterapia não tem efeito sobre a ansiedade? Não necessariamente. A conclusão a que este estudo chegou foi que as intervenções mais recetivas, mais focadas em ouvir música de forma guiada, e as intervenções que juntam ouvir com fazer música, mostraram efeitos maiores do que intervenções mais passivas. Significa que, para ansiedade, a forma como a intervenção é desenhada pode alterar o resultado.

Os autores também dizem que ainda faltam mais dados sobre efeitos a longo prazo. Por isso, a conclusão responsável e equilibrada: a musicoterapia pode reduzir sintomas de ansiedade em vários contextos, mas ainda há perguntas em aberto sobre como, para quem e durante quanto tempo o efeito se mantém.

Quando faz sentido pensar em musicoterapia

Se a ansiedade é persistente, se afeta sono, trabalho ou relações, e se já leram todos os livros de autoajuda nos tops para perceber que dizem todos quase nada ou o mesmo, sem melhoria, vale a pena considerar apoio profissional. A musicoterapia pode entrar como complemento, sobretudo quando faz parte de um plano clínico mais amplo.

Se a ansiedade é mais situacional, como nervos antes de uma apresentação, a mensagem prática é outra: podem usar música como ferramenta de regulação, mas com método, e sem esperar que uma playlist resolva um problema que exige outras mudanças. Ou seja, ajuda, mas não é a solução para problemas que exigem mais trabalho.

Leiam o nosso artigo O que é Musicoterapia: para quem é, benefícios e instrumentos

Djembes no Salão
Musical

Djembes no Salão Musical

Estudo 4: Musicoterapia como uma alternativa viável para melhorar o bem-estar psicológico

Este artigo também se foca na musicoterapia, desta vez como abordagem complementar para o bem-estar psicológico. A ideia base é que a musicoterapia é uma prática com objetivos definidos, que pode usar formas ativas, como criar música, cantar, dançar ou escrever canções, e formas mais recetivas, como ouvir música de forma orientada.

Uma das conclusões mais interessantes a que este estudo chegou foi que o ambiente conta na prática da musicoterapia, porque um espaço calmo e seguro facilita a participação e a expressão emocional. Refere ainda limites e desafios, como o facto de sessões gravadas de musicoterapia poderem ser mais acessíveis, mas perdem a parte mais personalizada da intervenção.

O que nos faz pensar que a música, seja num ambiente terapêutico controlado ou como experiência coletiva, como num concerto ou numa discoteca, é algo que também deve ser feito com pessoas. Estejam lá para ouvir ou para tocar, é um ato interpessoal, que nos faz bem.

Artigo: Music Therapy as a Viable Alternative Medicine for Improving Psychological Well-being

Quadros no Salão
Musical

Quadros no Salão Musical

Estudo 5: Avaliação da eficácia da terapia baseada em música em crianças e adolescentes com desafios de saúde física e mental: revisão sistemática

Este grupo de investigadores pegou em 14 estudos, com um total de 2.789 participantes, todos crianças e adolescentes em vários contextos, como o escolar, hospitalar ou comunitário.

O que eles queriam perceber é simples. Quando se usa música como intervenção, isso melhora algum aspeto do bem-estar psicológico ou da saúde física de crianças e adolescentes?

As conclusões gerais dizem que sim. A maioria dos estudos incluídos, 12 em 14, reportou benefícios com significado estatístico. Os autores destacam melhorias em áreas como regulação emocional, gestão de stress e, em alguns casos, recuperação motora.

O estudo também compara, de forma clara, duas maneiras de usar música. Uma é mais passiva, como ouvir música. A outra é mais ativa, como tocar instrumentos, cantar e fazer atividades rítmicas estruturadas. Aqui, a revisão indica que as intervenções com participação ativa tendem a mostrar melhores resultados do que a exposição passiva.

Artigo: Evaluating the Efficacy of Music-Based Therapy in Children and Adolescents with Physical and Mental Health Challenges: A Systematic Review

Apesar de muitos dos estudos incluídos neste trabalho não terem seguimento longo, o que dificulta perceber se os efeitos se mantêm com o tempo e faltarem também, em vários trabalhos, detalhes sobre diferenças entre participantes, como idade, género, contexto social e cultural, o que podem tirar disto, de forma segura, é o seguinte: a música, quando é usada como atividade organizada e com participação ativa, aparece associada a melhorias em bem-estar psicológico e, nalguns casos, a ganhos físicos em jovens.

A forma da intervenção e o contexto contam muito. E a ciência ainda precisa de mais estudos com acompanhamento de maior duração para perceber o impacto duradouro desses benefícios.

O que sabemos é que vale a pena começar cedo.

Leiam Os benefícios da música em bebés

Protetores de
ouvido no Salão Musical

Protetores de ouvido no Salão Musical

Estudo 6: Mudanças cognitivas induzidas pela música e flexibilidade das redes cerebrais em adultos mais velhos: estudo piloto

Este estudo é um ensaio piloto, feito com adultos mais velhos, para perceber se treinar a criatividade musical pode ajudar ao raciocínio e se tem efeito na forma como o cérebro se organiza em repouso. É importante reter a palavra piloto. O objetivo aqui é explorar e abrir caminho, não fechar o assunto com uma resposta definitiva.

Os investigadores compararam dois grupos. Um fez um programa de criatividade musical durante seis semanas. O outro ficou como grupo de controlo sem tratamento. Antes e depois, os participantes fizeram uma ressonância funcional em repouso e um teste de cognição global.

O resultado mais direto pode surpreender. No conjunto dos participantes, o treino musical não mudou de forma clara duas medidas do estudo, chamadas flexibilidade e modularidade das redes do cérebro. Ou seja, não houve uma melhoria “igual para todos” nessas medidas ao longo do tempo.

A conclusão mais interessante aparece quando olham para as diferenças entre pessoas. O estudo observou que o efeito do treino musical na cognição dependeu da flexibilidade do cérebro no início. Em termos simples, o treino ajudou mais na cognição global quando a pessoa já começava com uma flexibilidade de rede acima da média. Quando essa flexibilidade inicial era mais baixa, o benefício não apareceu da mesma forma.

A conclusão prudente, mas muito útil, é que a música pode ajudar a melhorias cognitivas em alguns adultos mais velhos, mas o benefício pode depender do ponto de partida de cada pessoa.

Artigo: Music-induced cognitive change and whole-brain network flexibility: a pilot study

O estudo também reforça uma ideia prática. Se querem usar música como atividade para “treinar o cérebro”, faz sentido apostar em tarefas que puxem por criatividade e atenção, em vez de repetir sempre as mesmas coisas em piloto automático.

Se estão a pensar voltar a tocar, ou se têm familiares mais velhos que querem uma atividade com sentido, a criatividade musical deve ser estimulada. Improvisações simples, variação de ritmos, criar pequenas frases, tocar em grupo, tudo isto desafia mais do que repetir sempre o mesmo padrão automático.

E há uma nota importante. Pessoas diferentes respondem de forma diferente.

Leiam É demasiado tarde para aprender a tocar piano? no blog do Salão Musical

Pianos Verticais
no Salão Musical

Pianos Verticais no Salão Musical

Estudo 7:Como a música potencia a estimulação cerebral

Este trabalho parte de uma pergunta muito concreta: pode um padrão rítmico estimular o cérebro?

A equipa de Stanford testou uma ideia simples e engenhosa. A estimulação magnética transcraniana, ou TMS, é uma técnica que usa impulsos magnéticos para influenciar a atividade do cérebro. O problema é que a resposta pode variar muito de momento para momento, o que torna a técnica menos previsível.

Para contornar esse problema, os investigadores usaram o ritmo da música para “alinhar” o cérebro e escolher o melhor momento para dar o impulso de TMS. Para ver se o cérebro entrava no ritmo, colocaram toucas de EEG a 27 pessoas enquanto ouviam música. E repararam num padrão consistente: no córtex motor, havia uma descida na atividade cerca de 200 milissegundos antes do batimento mais forte.

Depois passaram ao teste mais importante. Mediram sinais elétricos nos músculos da mão em 19 participantes enquanto recebiam TMS. Quando os impulsos eram dados um pouco antes do batimento, nesse momento de “janela” que tinham identificado, os efeitos foram maiores do que com TMS normal e do que com uma condição de controlo em que o impulso caía em cima do batimento.

No artigo científico associado, os autores descrevem isto como um aumento claro na excitabilidade do córtex motor, medido por potenciais evocados motores.

O Stanford Report resume o impacto de forma muito direta: ao acertarem o tempo dos impulsos com a música, conseguiram aumentar muito o efeito, chegando a referir que duplicaram o impacto num teste típico desta área.

A conclusão que podem usar com segurança é esta. O ritmo pode ajudar a tornar a estimulação cerebral mais consistente, porque o cérebro entra em sincronização com padrões musicais e fica mais “pronto” em certos instantes. Isto ainda não é um tratamento para ansiedade ou depressão por si só. É um passo técnico que pode ajudar investigação e, no futuro, pode contribuir para tornar algumas intervenções mais bem calibradas.

Artigo: How music supercharges brain stimulation | Stanford Report

O ritmo é um elemento fundamental

Ritmo organiza atenção. Ritmo organiza movimento. Ritmo reduz incerteza.

Quando usam ritmo de forma consciente, criam uma âncora. E essa âncora pode ser útil tanto para foco como para regulação emocional.

Ou seja, sigam o tempo e mais facilmente entrarão no groove.

Metrónomos no Salão
Musical

Metrónomos no Salão Musical

Conclusões gerais: o que estes 7 estudos apontam em comum

Na nossa própria meta-análise a estes estudos, verificamos que há quatro ideias que aparecem repetidamente.

  1. A música pode apoiar saúde mental e bem estar, sobretudo em stress, ansiedade e humor, com evidência mais forte quando falamos de intervenções estruturadas como musicoterapia.
  2. O contexto e a preferência pessoal importam muito. A mesma música pode acalmar uma pessoa e irritar outra. Onde ouvem e como ouvem música mudam resultados.
  3. O envolvimento ativo, como tocar, cantar e criar, tende a mobilizar mais sistemas ao mesmo tempo. Isso pode ser relevante para aprendizagem, motivação e cognição, mas não substitui automaticamente abordagens clínicas quando são necessárias.
  4. A ciência continua a mapear limites e a afinar métodos. Há resultados promissores, mas a é preciso ter cautela com promessas e respeito pelas diferenças que existem entre pessoas.

Aplicações práticas no vosso dia a dia

Agora o que interessa. Como aplicar estas conclusões à vossa realidade?

Se tocam um instrumento

  • - Criem uma rotina curta e regular. Mesmo 15 a 30 minutos por dia já permitem consistência e a consistência é o que traz resultados.
  • - Escolham um repertório que vos dá vontade de voltar amanhã. Se não gostam da música que tocam, é escusado insistir. Toquem o que vos dá gozo e vos faz voltar
  • - Usem a técnica como ferramenta para resolver problemas musicais. Se uma passagem vos falha, criem um exercício a partir dela. Isto dá foco e reduz frustração.
  • - Introduzam um momento de criatividade, mesmo que seja simples. Improvisar com poucas notas, variar um ritmo, inventar um final. A criatividade aumenta a sensação de autonomia, e isso ajuda a manter a motivação.

Recomendações para quem ouve música todos os dias

Ouçam música intencionalmente, em vez de usarem a música como ruído de fundo. Se têm um leitor de CDs, cassetes ou um gira-discos, peguem no telemóvel, tirem-lhe o som, metam-no numa gaveta noutra divisão e ouçam um disco até ao fim. Foquem-se no que estão a ouvir, apreciem as escolhas de arranjo e de som que os artistas fizeram, leiam as letras das canções (também devem apontar num papel onde é que guardaram o telemóvel, caso se esqueçam).

Escolham um objetivo para cada momento musical. Acalmar numa pausa do trabalho, focar durante o estudo, ganhar energia se forem correr ou treinar (motivação tipo Eye of the Tiger), ou desacelerar antes de dormir.

Ajustem o volume. Parece básico, mas é decisivo. Um volume alto pode manter o corpo em estado de alerta, mesmo com música calma. Além disso, a exposição prolongada a volumes elevados é prejudicial para a vossa audição. Protejam os vossos ouvidos.

Não querem ouvir um disco inteiro, mas querem entrar num mood específico? Criem uma sequência curta de duas a quatro faixas e repitam durante alguns dias. O cérebro gosta de previsibilidade, e isso pode ajudar na regulação.

Se têm crianças e adolescentes em casa que estão a começar na música

Aprender a tocar uma é uma das melhores atividades que os jovens podem ter porque desenvolve uma série de competências que são transversais a outros campos da sua vida: o estudo, a vida social, a autorregulação emocional. O foco deve estar na consistência e adequação ao nível: promovam uma prática regular que esteja ao alcance deles

Procurem formatos onde a criança faz música e sente que está a progredir, a aprender canções, a tocar em conjunto, e a explorar ritmos e instrumentos.

Evitem transformar música num campo de batalha diário. Quando a experiência vira pressão, as crianças perdem a motivação e o gosto e perdem o que a música tem de melhor.

Conclusão

Os sete estudos mostram que a música pode ter benefícios reais em bem-estar, stress e ansiedade, particularmente em intervenções estruturadas. Há também sinais promissores na manutenção e desenvolvimento cognitivo, com novas linhas de investigação a cruzarem música com neurociência aplicada. Mas a experiência científica que realmente importa é a vossa. Vejam como a música vos afeta, em que contextos, seja a ouvir ou a tocar. Partilhem a experiência com outras pessoas, que também toquem ou apenas ouçam música. Comparem notas e vejam como desfrutam melhor desta arte fantástica que tem tanto de ciência como de emoção pura.

O Salão Musical não tem microscópios para analisarem ao detalhe a vossa vida musical, mas temos as ferramentas necessárias para a fazerem crescer. Visitem a nossa loja online e encontrem o instrumento que vos irá fazer sentir bem. .

Foto Alireza Attari / Unsplash
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