Quando se fala de pedais de guitarra, a conversa costuma ir sempre para os mesmos nomes: overdrive, distorção, delay, reverb, chorus, wah. São efeitos populares porque têm uma sonoridade específica, altamente reconhecível. Como mudam o som de forma evidente, chamam rapidamente a atenção e têm mais impacto nas preferências dos guitarristas.
Mas há outros pedais que, apesar de serem menos sexys, podem fazer uma grande diferença no som de uma guitarra: ajudam a controlar dinâmicas, corrigem frequências, reduzem ruído, oferecem mais volume e presença nos solos, estabilizam o sinal ou tornam a pedalboard mais funcional.
São pedais que não criam um efeito dramático, mas que podem mudar completamente o vosso som e até a vossa maneira de tocar. Um compressor bem regulado oferece consistência sonora, um EQ pode soar quase invisível até perceberem que, bem regulado, dá outra vida ao vosso amplificador e melhora o som da vossa banda, um noise gate não transforma nem muda o som, mas permite que toquem staccatos com maior definição.
Neste artigo, vamos olhar para pedais de guitarra menos óbvios, mas muito úteis para ensaio, palco, gravação e estudo. Não são obrigatórios para todos os guitarristas, mas podem ser exatamente aquilo que falta para tornar o vosso som mais consistente, controlado e fácil de trabalhar.
Nem todos os pedais servem para criar efeitos
Há pedais criativos e pedais utilitários. Os pedais criativos alteram o som de forma clara. Por exemplo, um delay repete notas e abre possibilidades rítmicas e harmónicas a riffs que, sem ele, não teriam o mesmo interesse. Reverb cria espaço e ambiente, distorção muda completamente a textura da guitarra e um chorus traz outra dimensão a acordes e linhas melódicas que, sem ele, soariam mais lineares.
Os pedais utilitários nem sempre são tão evidentes. Servem para resolver problemas, melhorar o sinal, controlar volume, equilibrar frequências, reduzir ruído ou preparar a guitarra para tocar melhor com outros equipamentos.
Isto não significa que sejam aborrecidos. Pelo contrário. Muitos guitarristas começam a perceber a importância destes pedais quando passam a tocar com banda, gravar em casa, usar uma pedalboard maior ou ligar diretamente a uma mesa de mistura.
E se querem mudar completamente o vosso som, basta ter os dois primeiros da lista. Nunca mais irão tocar da mesma maneira e o vosso material vai soar bem melhor do que antes.
1. Compressor
O compressor é um dos pedais mais úteis e mais mal compreendidos. A sua função principal é controlar a dinâmica: reduz a diferença entre sons muito fortes e sons mais fracos. Na prática, pode tornar a guitarra mais equilibrada, dar mais sustain e fazer com que cada nota tenha uma presença mais consistente.
É muito usado em sons limpos, funk, country, pop, arpejos, dedilhados, bases rítmicas e solos que precisam de mais sustentação. Também pode ajudar guitarristas que têm uma palhetada irregular, porque suaviza diferenças de volume entre notas.
O risco está no exagero. Um compressor demasiado forte pode tirar naturalidade, aumentar ruído e deixar o som esmagado, por isso o ideal é usar parâmetros mais moderados, pelo menos no princípio. O objetivo não é fazer a guitarra soar artificial, mas controlar melhor a resposta.
Onde pode ajudar
- - sons limpos;
- - arpejos;
- - funk e pop;
- - solos com mais sustain;
- - palhetada mais regular;
- - guitarra que desaparece em algumas notas.
Como usar
- - Ajustem primeiro o volume de saída. Alternem entre o pedal ligado e desligado e procurem um volume semelhante nos dois estados. Este ponto, conhecido como unity gain, evita confundir um aumento de volume com uma melhoria do som.
- - Aumentem gradualmente a compressão ou o sustain. Parem quando as notas mais fracas ganharem presença e os picos mais fortes ficarem controlados. Se o som perder expressão, aumentar muito o ruído ou parecer demasiado uniforme, reduzam a compressão.
- - Regulem o ataque de acordo com o estilo. Um ataque mais lento deixa passar o início da nota e preserva o impacto da palheta, sendo útil para funk, country, riffs rítmicos e sons mais percussivos. Um ataque mais rápido controla os picos mais cedo e cria uma resposta mais suave e uniforme.
- - Usem o controlo Blend, se o pedal o tiver, para misturar o sinal comprimido com o som original. Aumentar a componente limpa ajuda a conservar a dinâmica, o ataque das notas e a sensação natural ao tocar, enquanto o sinal comprimido acrescenta equilíbrio e sustain.
- - Ajustem o Tone, se o pedal o tiver, apenas depois de acertarem a compressão. Se o som ficar demasiado escuro, acrescentem algum brilho. Se os agudos se tornarem agressivos ou o ruído aumentar, recuem ligeiramente.
- - Toquem acordes, notas isoladas, arpejos e frases com intensidades diferentes durante a regulação. Um compressor deve funcionar com a vossa forma real de tocar, e não apenas com uma nota repetida durante o teste.
- - Testem o pedal com a banda ou com uma gravação de acompanhamento. Uma - regulação que parece equilibrada quando tocam sozinhos pode deixar a guitarra demasiado plana ou pouco presente no conjunto.
- - Coloquem normalmente o compressor perto do início da cadeia, depois do afinador ou do wah e antes dos pedais de overdrive e distorção. Nesta posição, controla o sinal da guitarra antes de entrar nos restantes efeitos.
- - Experimentem colocá-lo depois do overdrive quando quiserem uniformizar o volume do som saturado. Tenham cuidado, porque esta posição pode aumentar o ruído e reduzir parte da dinâmica criada pela distorção. Podem ter até dois compressores na vossa pedalboard,
- - Evitem colocá-lo depois de delays e reverbs, salvo se procurarem um efeito específico. O compressor pode levantar as repetições e as caudas do reverb, alterando a forma natural como desaparecem.
- - Usem menos compressão com pickups de saída elevada, como alguns humbuckers. Um sinal mais forte pode acionar o compressor mais cedo e deixar o som excessivamente limitado.
- - Para usar o pedal sempre ligado, escolham uma compressão subtil, com o volume equilibrado e ataque suficiente para preservar a palhetada. O efeito deve tornar o som mais consistente sem ser claramente audível.
- - Para solos, podem aumentar ligeiramente o sustain e o nível de saída. Procurem prolongar as notas sem criar um salto de volume excessivo nem aumentar demasiado o ruído.
- - Não usem o compressor para esconder os vossos problemas de técnica. Pode suavizar diferenças de volume, mas convém continuar a trabalhar a regularidade da palhetada, a dinâmica e o controlo das notas.
- -Comecem com os controlos numa posição moderada. Coloquem o nível de compressão ou sustain baixo e os restantes parâmetros perto da posição central. Assim, conseguem perceber o efeito de cada ajuste sem esmagar imediatamente a dinâmica da guitarra.
Guia: Como montar a primeira pedalboard - 3 setups (rock, pop e metal)
2. EQ
O pedal de EQ é talvez um dos pedais mais subestimados da pedalboard. Não tem o encanto imediato de uma distorção nova, mas pode mudar completamente a forma como a guitarra encaixa numa banda.
Um EQ permite aumentar ou cortar frequências específicas. Podem reduzir graves excessivos, acrescentar médios para a guitarra aparecer melhor, suavizar agudos agressivos ou criar um som mais fino para certas partes.
Também pode servir como boost para solos. Em vez de aumentar apenas o volume, podem reforçar frequências médias e fazer a guitarra destacar-se sem ficar demasiado alta.
Outra utilização útil é compensar diferenças entre guitarras, amplificadores ou salas. Se tocam em locais diferentes, um EQ pode ajudar a corrigir rapidamente um som demasiado abafado, estridente ou confuso.
Onde pode ajudar
- - guitarra que não se ouve na banda;
- - som demasiado escuro;
- - som demasiado estridente;
- - solos que precisam de presença;
- - adaptação a salas diferentes;
- - compensar diferenças entre guitarras.
Como usar
- - Comecem com todos os controlos de frequência na posição central. Esta configuração neutra permite ouvir o som original e perceber claramente o efeito de cada ajuste.
- - Ajustem uma frequência de cada vez. Movimentos pequenos costumam ser suficientes, por isso evitem colocar imediatamente os controlos no máximo ou no mínimo.
- - Experimentem cortar frequências antes de aumentar outras. Se o som estiver confuso, reduzir graves ou médios-graves em excesso pode resultar melhor do que acrescentar agudos e volume.
- - Cortem ligeiramente as frequências mais graves quando o som estiver abafado, pouco definido ou a competir com o baixo e o bombo da bateria.
- - Aumentem os médios quando a guitarra desaparecer no conjunto. Um reforço moderado nesta zona ajuda o instrumento a destacar-se sem exigir um grande aumento de volume.
- - Evitem cortar demasiado os médios. A conhecida curva em “sorriso”, com graves e agudos elevados e médios reduzidos, pode soar bem quando tocam sozinhos, mas tende a fazer a guitarra desaparecer numa banda.
- - Reduzam as frequências mais agudas se o som estiver estridente, áspero ou cansativo. Se perder definição, devolvam gradualmente algum brilho.
- - Usem o controlo de Level para equilibrar o volume do pedal ligado com o sinal sem efeito. Isto permite avaliar a equalização sem confundir um som mais alto com um som melhor.
- - Para criar um boost para solos, aumentem ligeiramente o Level e reforcem os médios. Assim, a guitarra ganha presença no conjunto sem precisar de um salto excessivo de volume.
- - Coloquem o EQ antes dos pedais de overdrive ou distorção quando quiserem mudar a forma como esses efeitos reagem. Aumentar certas frequências antes do drive pode fazer com que saturem mais, enquanto cortá-las pode tornar o som mais controlado.
- - Coloquem o EQ depois dos pedais de overdrive ou distorção quando quiserem moldar o som já saturado. Esta posição permite corrigir graves excessivos, médios agressivos ou agudos ásperos sem alterar tanto a quantidade de distorção.
- - Experimentem colocar o EQ no loop de efeitos do amplificador para alterar o som global do pré-amplificador. Esta opção é particularmente útil para corrigir a resposta do amplificador, adaptar o som à sala ou criar um boost de volume mais limpo.
- - Usem o EQ para equilibrar guitarras diferentes. Podem criar uma regulação que acrescente corpo a uma guitarra com single coils ou reduza graves e volume numa guitarra com humbuckers de saída mais elevada.
- - Façam as regulações enquanto tocam com a banda ou com uma faixa de acompanhamento. Um som equilibrado quando estão sozinhos pode ocupar demasiado espaço ou desaparecer quando entram os restantes instrumentos.
- - Ajustem o pedal ao espaço onde vão tocar. Salas pequenas e fechadas podem reforçar os graves, enquanto espaços mais abertos podem fazer o som parecer mais fino ou brilhante.
- - Comparem frequentemente o pedal ligado e desligado. O objetivo é confirmar se a equalização resolve o problema identificado, e não alterar o som apenas porque existem controlos disponíveis.
- - Evitem corrigir problemas de cabos, amplificadores ou colunas com ajustes extremos. Se precisam de colocar várias bandas no máximo ou no mínimo, confirmem primeiro se existe alguma falha noutra parte do equipamento.
- - Registem ou fotografem as regulações que funcionam. Isto facilita a recuperação de configurações para guitarras, amplificadores, salas ou músicas diferentes.
Como usar o pedal de EQ: tirem melhor som da guitarra ou baixo
3. Clean boost
O clean boost tem uma função simples: aumentar o sinal da guitarra. Mas a forma como o usam pode mudar bastante o vosso som.
Se estiver colocado antes de um amplificador ou pedal de overdrive, pode empurrar o som para mais saturação. Se estiver depois dos drives, pode funcionar como aumento de volume para solos. Se for usado com sons limpos, pode dar mais presença sem mudar demasiado o timbre.
É um pedal útil para quem sente que a guitarra desaparece nos solos, que precisa de mais volume em certas partes ou que quer forçar o amplificador sem acrescentar uma distorção nova.
Também pode ser usado para compensar diferenças entre guitarras. Por exemplo, uma guitarra com pickups de saída mais baixa pode precisar de um pequeno boost para equilibrar com outra.
Onde pode ajudar
- - solos com pouco volume;
- - partes que precisam de destaque;
- - amplificador a responder com mais saturação;
- - compensar guitarras com volumes diferentes;
- - dar mais presença sem mudar demasiado o som.
Como usar
- - Comecem com o controlo de boost ou Level no mínimo e aumentem-no gradualmente enquanto alternam entre o pedal ligado e desligado. Isto ajuda a encontrar o aumento de volume necessário sem criar um salto excessivo.
- - Definam primeiro o objetivo do pedal: aumentar o volume, criar mais saturação, reforçar o som base ou equilibrar guitarras diferentes. A posição na cadeia e a regulação dependem dessa escolha.
- - Coloquem o clean boost antes dos pedais de overdrive e distorção quando quiserem aumentar o sinal que entra nesses efeitos. O resultado será normalmente mais ganho, saturação e compressão, com um aumento de volume menos evidente.
- - Coloquem o boost depois dos pedais de drive quando quiserem aumentar o volume do som já saturado. Esta posição costuma ser mais eficaz para destacar solos, desde que o amplificador ainda tenha margem disponível.
- - Tenham em conta que um amplificador já muito saturado pode não produzir um aumento significativo de volume. Nesse caso, o boost colocado à entrada tende a acrescentar mais distorção e compressão.
- - Experimentem colocar o pedal no loop de efeitos do amplificador quando precisarem de um aumento de volume mais limpo. Esta opção permite atuar depois do pré-amplificador, mas só deve ser usada se o amplificador tiver loop e o pedal for compatível com o nível de sinal dessa ligação.
- - Para solos, aumentem o nível apenas o suficiente para a guitarra aparecer no conjunto. Um pequeno aumento bem regulado costuma resultar melhor do que um salto de volume que desequilibra a banda.
- - Testem o boost com todos os músicos a tocar. Uma regulação que parece forte em casa pode ser insuficiente no ensaio, enquanto um aumento aparentemente moderado pode tornar-se excessivo numa sala pequena.
- - Se o pedal tiver controlos de Gain e Level, usem pouco Gain e mais Level para procurar um aumento mais limpo. Aumentem o Gain quando quiserem acrescentar alguma saturação ou carácter ao som.
- - Se o pedal incluir controlos de graves, agudos ou médios, comecem numa posição neutra. Ajustem a equalização apenas quando precisarem de corrigir o som ou melhorar a presença da guitarra.
- - Usem o clean boost para equilibrar guitarras com níveis de saída diferentes. Regulem o pedal para compensar uma guitarra com pickups mais fracos e confirmem que a mudança entre instrumentos não cria diferenças exageradas de volume.
- - Para utilizar o boost sempre ligado, procurem uma regulação subtil. O pedal pode reforçar o sinal, dar mais corpo ou melhorar a resposta do amplificador sem produzir um aumento de volume claramente percetível.
- - Confirmem se o pedal é realmente transparente. Alguns clean boosts acrescentam brilho, graves, médios ou uma ligeira saturação, mesmo quando são apresentados como transparentes.
- - Não coloquem automaticamente o controlo no máximo. Um sinal demasiado forte pode saturar outros pedais, a entrada do amplificador ou a interface de áudio e aumentar o ruído.
Pedais para dar corpo a guitarras single coil
4. Buffer
No papel, o buffer é um dos pedais menos excitantes, mas pode ser muito útil em pedalboards maiores. A sua função é ajudar a preservar o sinal da guitarra quando passa por muitos cabos e pedais.
Em setups simples, com guitarra, um cabo e amplificador, talvez não faça falta. Mas quando começam a usar vários pedais true bypass, cabos longos e muitas ligações, podem notar perda de brilho, menos definição e um som mais apagado. Um buffer pode ajudar a recuperar clareza.
Alguns pedais já têm buffer interno. Outros são true bypass. Nenhuma opção é automaticamente melhor em todas as situações. O importante é perceber se o vosso sinal perde qualidade ao longo da cadeia.
Onde pode ajudar
- - pedalboards grandes;
- - cabos muito compridos;
- - perda de agudos;
- - som apagado;
- - sinal fraco depois de muitos pedais;
- - setups com vários pedais true bypass.
Como usar:
- - Como saber se precisam realmente de um buffer? Liguem a guitarra diretamente ao amplificador e comparem esse som com o sinal a passar por toda a pedalboard, mantendo os pedais desligados. Se perderem brilho, definição ou resposta, um buffer pode ser útil.
- - Não confundam buffer com boost. Um buffer não deve aumentar significativamente o volume. A sua função é converter o sinal de alta impedância da guitarra num sinal de baixa impedância, mais resistente às perdas provocadas por cabos compridos e muitas ligações.
- - Coloquem o buffer perto do início da cadeia para proteger o sinal antes de este passar pelos restantes pedais e cabos. É uma posição particularmente útil quando a pedalboard tem vários pedais true bypass.
- - Coloquem primeiro os pedais sensíveis à impedância. Alguns fuzzes de inspiração vintage, como Fuzz Face e Tone Bender, costumam responder melhor quando recebem diretamente o sinal da guitarra. Nestes casos, coloquem o buffer depois do fuzz.
- - Experimentem também colocar o buffer no final da pedalboard. Esta posição ajuda a conduzir o sinal através do cabo que liga a pedalboard ao amplificador, sobretudo quando esse cabo é comprido.
- - Mantenham curto o cabo entre a guitarra e o primeiro buffer. Quanto maior for a distância percorrida pelo sinal de alta impedância antes de chegar ao buffer, maior poderá ser a perda de agudos.
- - Numa pedalboard muito extensa, podem experimentar um buffer perto do início e outro no final. O primeiro protege o sinal ao longo da cadeia e o segundo ajuda na ligação entre a pedalboard e o amplificador.
- - Verifiquem se já têm pedais com bypass bufferizado. Muitos afinadores, pedais BOSS e outros efeitos incluem um buffer que permanece ativo quando o efeito está desligado. Nesse caso, podem não precisar de um pedal dedicado.
- - Consultem o manual dos pedais antes de acrescentar vários buffers. “True bypass” e “buffered bypass” descrevem a forma como o sinal atravessa o pedal quando o efeito está desligado, mas nenhuma das opções é automaticamente melhor em todos os setups.
- - Se o pedal permitir escolher entre buffer e true bypass, comparem os dois modos com todos os cabos e pedais ligados. Façam o teste ao volume habitual de ensaio ou concerto, porque algumas diferenças são menos evidentes a volumes baixos.
- - Prestem atenção à posição do afinador. Um afinador com bypass bufferizado colocado no início da cadeia pode cumprir simultaneamente as funções de afinação, silenciamento e preservação do sinal.
- - Não esperem que o buffer recupere totalmente frequências já perdidas antes de o sinal chegar até ele. A posição deve ser escolhida para evitar a degradação, e não apenas para tentar corrigi-la no final.
- - Usem o buffer com cabos em bom estado. O pedal não resolve fichas defeituosas, maus contactos, ruído de alimentação ou ligações mal feitas.
- - Confirmem que o buffer não provoca uma alteração indesejada no timbre. Um modelo transparente deve preservar o carácter da guitarra, mas alguns buffers são concebidos para acrescentar uma ligeira coloração ou resposta mais próxima de circuitos vintage.
- - Testem a resposta do volume da guitarra. Um buffer pode alterar a forma como alguns pedais reagem quando reduzem o volume do instrumento, sobretudo fuzzes e outros circuitos sensíveis à impedância.
- - Façam a comparação com diferentes guitarras. Pickups passivos, ativos, single coils e humbuckers podem interagir de forma diferente com a entrada do buffer e com os restantes pedais.
- - Avaliem o resultado com a banda. O objetivo não é tornar o som artificialmente mais brilhante, mas recuperar a definição e a resposta que tinham quando ligaram a guitarra diretamente ao amplificador.
- - Se não ouvirem uma diferença útil entre o sinal direto e a pedalboard, não precisam de acrescentar um buffer só porque usam vários pedais. Num setup curto e bem montado, pode ser desnecessário.
5. Noise gate
O noise gate ajuda a controlar ruído quando não estão a tocar. É útil em setups com muita distorção, high gain, pedais ruidosos, cabos problemáticos ou salas com interferências.
Não remove todos os problemas de som, nem deve ser usado para esconder uma cadeia mal montada. Mas pode ser muito útil para reduzir ruído entre frases, especialmente em rock, metal, solos com muito ganho ou partes com paragens secas.
O erro mais comum é regular o threshold demasiado alto. Quando isso acontece, o pedal corta o som de forma artificial, engole notas mais suaves e torna a guitarra pouco natural.
Onde pode ajudar
- - distorção com muito ruído;
- - high gain;
- - paragens secas (staccatos);
- - palcos com interferências;
- - pedais ruidosos;
- - silêncio entre frases.
Como usar:
- - Comecem com o threshold no mínimo e aumentem-no lentamente enquanto não estão a tocar. Parem assim que o ruído de fundo desaparecer. Subir mais do que o necessário pode cortar notas suaves e reduzir o sustain.
- - Testem o threshold a tocar as notas mais fracas que aparecem realmente nas músicas. O noise gate deve abrir com essas notas e fechar apenas quando o sinal desce até ao nível do ruído.
- - Ajustem o decay, release ou release time para controlar a rapidez com que o som desaparece depois de deixarem de tocar. Um tempo mais longo preserva melhor a queda natural das notas.
- - Usem um decay mais curto para riffs com paragens secas, palm muting e partes rítmicas de metal. Confirmem que o corte não fica demasiado brusco ou artificial.
- - Usem um decay mais longo para acordes, sons limpos, solos e partes com notas sustentadas. Assim, o gate fecha de forma gradual e não interrompe o final das frases.
- - Se o pedal tiver um controlo de damping, reduction ou range, comecem com uma redução moderada. Nem sempre é necessário cortar completamente o sinal; atenuar o ruído pode produzir um resultado mais natural.
- - Coloquem o pedal depois dos efeitos que estão a gerar ruído, como overdrive, distorção, fuzz e alguns compressores. Desta forma, o gate consegue atuar sobre o feedback ou o ruído acrescentado por esses pedais.
- - Evitem colocar o noise gate depois de delay e reverb, salvo se procurarem esse efeito. O pedal pode cortar as repetições e as caudas do reverb antes de desaparecerem naturalmente.
- - Se o pedal tiver ligações send e return, coloquem os pedais de ganho nesse loop. O noise gate pode acompanhar o sinal limpo da guitarra enquanto controla o ruído produzido pelos efeitos dentro do loop.
- - Se o ruído vier do pré-amplificador do amplificador, experimentem colocar o gate no loop de efeitos. Um pedal colocado apenas antes do amplificador não consegue eliminar ruído criado depois dessa posição.
- - Em configurações de quatro cabos, sigam o esquema indicado pelo fabricante. Este método permite ao pedal detetar o sinal diretamente da guitarra e controlar, ao mesmo tempo, o ruído dos pedais de ganho e do pré-amplificador.
- - Regulem o pedal com os efeitos mais ruidosos ligados. Se ajustarem o threshold apenas com um som limpo, a configuração pode não ser suficiente quando ativarem uma distorção com muito ganho.
- - Testem também o som limpo depois de fazerem a regulação. Um threshold adequado a high gain pode ser demasiado elevado para arpejos, dedilhados e partes tocadas com menor intensidade.
- - Se alternam entre sons limpos e muito saturados, procurem uma regulação de compromisso ou escolham um modelo que acompanhe diretamente o sinal da guitarra. Alguns sistemas adaptam melhor a supressão às mudanças de ganho.
- - Confirmem os parâmetros que definiram no pedal quando mudarem de guitarra. Pickups ativos, humbuckers e single coils podem ter níveis de saída e quantidades de ruído diferentes, alterando o ponto em que o gate abre.
- - Tenham atenção ao controlo de volume da guitarra. Ao baixarem o volume, o sinal pode deixar de ultrapassar o threshold e o pedal pode começar a cortar notas mais cedo.
- - Não usem o noise gate para esconder cabos defeituosos, fontes inadequadas, problemas de terra ou interferências evitáveis. Identifiquem primeiro a origem do ruído e usem o pedal para controlar o que resta.
- - Afastem fontes de alimentação, transformadores e cabos elétricos dos cabos de áudio sempre que possível. Um setup mais silencioso permite usar um threshold mais baixo e preservar melhor a dinâmica.
- - Comparem o pedal ligado e desligado enquanto tocam frases completas. O objetivo é reduzir o ruído entre notas sem alterar de forma evidente o ataque, a dinâmica e o sustain.
- - Regulem o noise gate com o volume habitual que usam o amplificador em ensaio ou concerto. O nível de ruído e a resposta do equipamento podem mudar quando aumentam o volume do amplificador.
6. Afinador em pedal
O afinador em pedal não é um efeito, mas pode ser o pedal mais importante da pedalboard. Afinar em silêncio, cortar o sinal entre músicas e ter uma referência sempre disponível é essencial em ensaio e ao vivo.
Um afinador de pinça é prático, sobretudo para acústica, mas num palco ruidoso um afinador em pedal costuma ser mais fiável. Também ajuda a manter a pedalboard organizada, porque fica sempre no mesmo sítio e pode funcionar como mute.
Para guitarristas que tocam ao vivo, é uma ferramenta profissional. Não muda o timbre, mas evita um dos piores problemas em palco: tocar desafinado.
Onde pode ajudar
- - afinar em silêncio;
- - cortar sinal entre músicas;
- - palco ruidoso;
- - mudanças de afinação;
- - ao trocar de guitarra principal para guitarra de reserva;
Como usar:
- - Coloquem o afinador no início da cadeia de sinal, para receber diretamente o som da guitarra antes de distorções, modulações e outros efeitos que podem dificultar a leitura da nota.
- - Se usam um fuzz ou wah sensível a buffers, verifiquem se o afinador tem true bypass selecionável. Nesses casos, podem desligar o buffer ou experimentar colocar o afinador depois desses pedais.
- - Liguem a guitarra à entrada do afinador e a saída principal ao pedal seguinte ou ao amplificador. Em modelos com saídas Output e Bypass, confirmem qual delas silencia o sinal durante a afinação.
- - Usem a saída com mute quando quiserem afinar sem o público ouvir. A saída sem mute pode ser útil para manter o sinal ativo ou enviar a guitarra para um segundo equipamento.
- - Confirmem a afinação de referência antes de começar. Na maioria dos casos, devem usar Lá a 440 Hz. Só alterem esta referência quando tocarem com instrumentos ou gravações afinados de outra forma.
- - Escolham o modo adequado ao instrumento. O modo cromático reconhece qualquer nota, enquanto os modos dedicados a guitarra ou baixo podem mostrar o número da corda e facilitar uma afinação mais rápida.
- - Para afinações alternativas, Drop D ou afinações mais graves, usem o modo cromático. Confirmem sempre se o pedal está configurado para a afinação pretendida.
- - Toquem apenas uma corda de cada vez. Silenciem as restantes com as mãos para impedir que vibrações e harmónicos confundam a leitura.
- - Toquem a corda com uma intensidade moderada e consistente. Uma palhetada demasiado forte pode fazer a nota começar ligeiramente mais aguda e tornar a indicação instável.
- - Depois de tocar a corda, deixem a nota estabilizar durante um momento antes de fazer o ajuste final. A altura pode variar ligeiramente entre o ataque inicial e o sustain.
- - Se a nota estiver demasiado aguda, baixem-na primeiro um pouco abaixo da afinação correta e voltem a subir lentamente até ao centro. Afinar de uma nota mais grave para uma mais aguda ajuda a reduzir folgas no mecanismo da tarraxa.
- - Façam ajustes pequenos. Rodar a tarraxa demasiado depressa pode fazer com que passem repetidamente acima e abaixo da nota pretendida.
- - Comecem pela corda mais grave e avancem até à mais aguda. Depois de afinar todas as cordas, voltem a verificá-las, porque as alterações de tensão podem afetar ligeiramente a afinação das restantes.
- - Em guitarras com pontes flutuantes, façam várias passagens por todas as cordas. A tensão de cada corda influencia a posição da ponte, pelo que a afinação pode precisar de estabilizar gradualmente.
- - Usem o modo de leitura normal para afinar rapidamente em palco. Usem o modo strobe ou semelhante quando precisarem de maior precisão, como em gravação, regulação de oitavas ou preparação do instrumento.
- - Ajustem o brilho do visor às condições do local. Um modo de luminosidade elevada pode melhorar a leitura em palcos exteriores, enquanto um brilho menor evita distrações em espaços escuros.
- - Voltem a afinar depois de mudanças de guitarra, utilização intensa de bends, colocação de capo, alterações de temperatura ou transporte do instrumento.
- - Confirmem a afinação antes do início do concerto e entre músicas sempre que necessário. É preferível fazer verificações breves e silenciosas do que descobrir uma guitarra desafinada a meio de uma canção.
- - Usem a função mute para trocar de guitarra, desligar cabos ou silenciar o equipamento durante pausas. Isto evita estalidos, ruídos e sinal indesejado no sistema de som.
- - Se o afinador tiver buffer integrado, pode ajudar a preservar o sinal numa pedalboard grande. Comparem o modo bufferizado com o true bypass, quando disponível, e escolham aquele que funciona melhor no vosso setup.
- - Confirmem o estado da pilha ou da fonte de alimentação antes de ensaios e concertos. Um afinador sem energia deixa de funcionar como afinador, mute e, em alguns modelos, como passagem de sinal.
- - Se o pedal permitir alimentar outros efeitos, usem apenas a fonte e os cabos recomendados pelo fabricante. Confirmem que a corrente disponível é suficiente para todos os pedais ligados.
7. Volume pedal
O pedal de volume permite controlar o volume com o pé. Pode parecer simples, mas abre muitas possibilidades práticas e expressivas.
Ao vivo, pode ajudar a silenciar a guitarra entre músicas, controlar entradas de linhas melódicas, ajustar partes mais suaves ou fazer swells (aqueles crescendos em que a nota entra gradualmente, quase como um som de cordas).
Também é útil para guitarristas que precisam de passar rapidamente de uma base discreta para uma parte mais presente, sem mexer nos controlos da guitarra ou do amplificador.
A posição na cadeia faz diferença. Antes dos drives, o volume pedal comporta-se mais como o volume da guitarra, afetando o ganho. Depois dos drives, controla mais o volume geral.
Mas atenção: não confundam um pedal de volume com um pedal de expressão. Um pedal de volume recebe o sinal de áudio através de entradas e saídas; um pedal de expressão controla um parâmetro de outro equipamento e não transporta diretamente o som da guitarra.
Onde pode ajudar
- - controlar entradas e saídas;
- - swells;
- - silenciar entre músicas;
- - ajustar dinâmica em tempo real;
- - controlar volume sem mexer na guitarra;
- - tocar partes ambientais.
Como usar:
- - Comecem por definir a função do pedal: controlar o ganho, ajustar o volume geral, criar swells ou silenciar o sinal. A posição na cadeia depende do resultado pretendido.
- - Coloquem o pedal de volume no início da cadeia quando quiserem que funcione de forma semelhante ao controlo de volume da guitarra.
- - Antes dos pedais de overdrive e distorção, baixar o volume reduz o sinal que entra nesses efeitos. O resultado costuma ser menos ganho e saturação, sem uma redução proporcional do volume final.
- - Depois dos pedais de overdrive e distorção, o pedal controla melhor o volume do som já saturado. Esta posição permite baixar ou aumentar o nível sem alterar tanto a quantidade de distorção.
- - Para criar swells, experimentem colocar o pedal depois dos efeitos de ganho e antes do delay e do reverb. Assim, podem retirar o ataque inicial da nota, enquanto as repetições e as caudas continuam a desaparecer naturalmente.
- - Comecem cada swell com o pedal na posição de calcanhar. Toquem a nota ou o acorde e levantem gradualmente a ponta do pé para fazer o som entrar de forma suave.
- - Sincronizem o movimento do pedal com a duração da frase. Um movimento rápido cria uma entrada curta e marcada; um movimento lento aproxima o som de cordas, sintetizadores ou instrumentos tocados com arco.
- - Usem delay e reverb para tornar os swells mais fluidos. Tempos de delay mais longos e reverbs espaçosos ajudam a esconder o ataque da palheta e a prolongar a nota.
- -Coloquem o pedal depois do delay e do reverb quando quiserem controlar todo o sinal, incluindo as repetições e as caudas. Nesta posição, fechar o pedal silencia imediatamente todo o som.
- - Experimentem o pedal no loop de efeitos do amplificador quando quiserem controlar o nível depois do pré-amplificador. Esta posição pode permitir baixar o volume geral sem reduzir tanto a saturação criada pelo pré-amplificador.
- - Regulem o controlo Minimum Volume, se estiver disponível, para definir o nível da posição de calcanhar. No mínimo, o pedal pode silenciar o sinal; num valor superior, pode alternar entre um volume de base e um volume mais forte.
- - Para passar de uma base discreta para um solo, definam o volume mínimo no nível da base e usem a posição totalmente aberta para o solo. Confirmem que o aumento é suficiente para se ouvir com a banda.
- - Não dependam apenas da posição do pé para repetir níveis exatos. Se precisam de dois volumes muito definidos, um boost ou um pedal com controlo de volume mínimo pode ser mais previsível.
- - Pratiquem movimentos suaves e graduais. O controlo deve vir do tornozelo, mantendo o pé apoiado no pedal, em vez de levantar e voltar a colocar o pé constantemente.
- - Ajustem a resistência do movimento, se o modelo permitir. Um pedal demasiado solto pode mudar de posição sozinho; um pedal demasiado rígido dificulta movimentos rápidos e precisos.
- - Verifiquem se o pedal permanece na posição escolhida quando retiram o pé. Isto é especialmente importante quando o usam para definir o volume durante uma música.
- - Usem a posição de calcanhar para silenciar a guitarra entre músicas, durante trocas de instrumento ou antes de desligar cabos. Confirmem que a posição mínima silencia realmente o sinal. Alguns pedais deixam passar uma pequena quantidade de volume, sobretudo quando o controlo mínimo está levantado.
- - Se o pedal tiver entradas e saídas estéreo, liguem os dois canais apenas quando o sinal anterior for realmente estéreo. Uma guitarra ligada diretamente ao pedal envia normalmente um sinal mono.
8. ABY switch ou line selector
O ABY switch e o line selector são pedais de organização de sinal. Podem não alterar o som diretamente, mas permitem criar setups muito mais flexíveis.
Um ABY pode enviar a guitarra para dois amplificadores, escolher entre dois caminhos ou combinar sinais. Um line selector pode alternar entre cadeias de pedais, criar loops de efeitos, ligar instrumentos diferentes ou organizar setups mais complexos.
São pedais muito úteis para guitarristas que usam dois amplificadores, alternam entre som limpo e som com efeitos, querem isolar partes da pedalboard ou precisam de soluções práticas em palco.
Onde pode ajudar
- - para usar dois amplificadores;
- - alternar entre cadeias de pedais;
- - ligar e desligar grupos de efeitos;
- - organizar pedalboards complexas;
- - comparar sons;
- - criar rotas alternativas de sinal.
Como usar:
- - Definam primeiro o objetivo do pedal: alternar entre dois amplificadores, usar ambos ao mesmo tempo ou mudar entre duas cadeias de efeitos.
- - Num ABY, liguem a guitarra à entrada e cada saída a um amplificador. A permite usar um amplificador, B o outro e Y os dois em simultâneo.
- - Testem cada amplificador separadamente antes de ativar os dois. Confirmem o volume, a equalização e a ausência de ruído em cada saída.
- - Se o som ficar mais fraco, fino ou com menos graves quando usam os dois amplificadores, experimentem o interruptor de inversão de fase.
- - Se surgir um zumbido com os dois amplificadores ligados, usem uma saída isolada por transformador e o ground lift do pedal, quando disponíveis.
- - Nunca removam o pino de terra da ficha elétrica de um amplificador para eliminar ruído. Usem apenas soluções de isolamento próprias para áudio.
- - Coloquem o ABY depois dos efeitos quando quiserem enviar o mesmo som para os dois amplificadores. Coloquem-no antes dos efeitos para criar duas cadeias independentes.
- - Para uma configuração wet/dry, enviem o sinal mais direto para um amplificador e os efeitos de delay, reverb ou modulação para o outro.
- - Não usem um ABY comum para alternar cabeças de amplificador ligadas à mesma coluna. Essa função exige um switcher específico que assegure uma carga correta.
- - Num line selector, liguem cada cadeia de efeitos entre o respetivo Send e Return e escolham o modo adequado: alternar entre A e B, ativar cada loop ou combinar ambos.
- - Ajustem o nível de cada loop para evitar saltos de volume quando mudam entre cadeias ou quando combinam sinais em paralelo.
- - Testem todas as combinações antes do ensaio ou concerto e mantenham um esquema simples das ligações para facilitar a montagem e resolver falhas.
O que é um Wet/Dry Rig de Guitarra e Como Funciona: Guia Completo
Outros pedais úteis que também merecem atenção
Além destes pedais, há outros que podem fazer sentido dependendo do vosso estilo e setup.
O looper é excelente para estudar, criar bases, praticar solos e tocar a solo. Já é mais conhecido, mas continua a ser muito útil.
O expression pedal permite controlar parâmetros de outros pedais, como delay, reverb, pitch, wah, volume ou modulação. Não faz som sozinho, mas aumenta muito as possibilidades de alguns efeitos.
O octaver pode engrossar riffs, criar linhas mais pesadas ou simular uma segunda voz abaixo ou acima da guitarra. Pode ser subtil ou muito evidente, conforme a regulação.
O pitch shifter permite mudar a altura do som, criar harmonias ou simular afinações alternativas em alguns contextos. Já entra num território mais criativo, mas também pode ser prático.
O reverb utilitário também merece menção. O reverb é muito conhecido, mas nem sempre é usado como ferramenta discreta. Um pouco de reverb pode ajudar a dar espaço a um som demasiado seco, especialmente quando tocam direto para PA ou interface.
Como saber que pedais fazem falta?
Antes de comprar mais um pedal, pensem no problema que querem resolver.
Se o som limpo é irregular ou perde força, talvez um compressor ajude. Se a guitarra não aparece na banda, talvez precisem de EQ ou boost. Se a pedalboard ficou apagada depois de muitos cabos, talvez o problema esteja no sinal. Se há ruído entre frases, um noise gate pode ser útil. Se tocam direto para PA, talvez falte simulação de coluna.
Também convém pensar no contexto. Um guitarrista que toca em casa não precisa do mesmo setup de quem toca ao vivo todas as semanas. Quem usa poucos pedais talvez não precise de buffer. Quem não usa high gain talvez não precise de noise gate. Quem toca sempre com amplificador talvez não precise de cab simulator.
O melhor pedal é aquele que resolve uma necessidade real. Não aquele que parece mais interessante numa demonstração de dois minutos.
Como evitar ruídos: guitarras e amps
Onde colocar estes pedais na cadeia?
Não há uma única ordem obrigatória, mas há lógicas comuns: o afinador costuma aparecer no início, para receber o sinal limpo da guitarra. O compressor aparece muitas vezes antes dos drives, para controlar a dinâmica logo no início da cadeia. O EQ pode aparecer antes ou depois dos drives, dependendo do objetivo: antes, muda a forma como os drives respondem, depois, molda o som já saturado.
O boost também muda muito conforme a posição. Antes dos drives, aumenta ganho. Depois dos drives, aumenta volume. O noise gate pode aparecer depois dos drives ou em pontos específicos da cadeia, conforme o ruído que querem controlar.
O pedal de volume pode aparecer antes dos drives, funcionando quase como o volume da guitarra, ou depois, controlando o volume geral.
Estas regras são pontos de partida. O ideal é experimentar e ouvir. A ordem certa é aquela que funciona no vosso setup.
Conclusão
Os pedais mais populares nem sempre são os que fazem mais falta. Overdrive, delay, reverb e modulação têm o seu lugar, mas pedais como compressor, EQ, boost, buffer, noise gate, afinador em pedal, volume pedal e ABY switch podem melhorar muito a forma como a guitarra se comporta.
Alguns ajudam a controlar a dinâmica. Outros resolvem ruído ou permitem dar mais destaque aos solos ou adaptar o som a salas diferentes.
A melhor forma de escolher é começar pelo vosso problema real. O som está irregular? Falta presença? Há ruído? Perdem brilho com muitos cabos? Precisam de alternar entre dois caminhos de sinal e usar dois amps diferentes ao mesmo tempo, ou alterná-los?
Quando sabem o que querem resolver, estes pedais deixam de parecer acessórios secundários e passam a ser ferramentas essenciais para tocar melhor, com mais controlo e menos surpresas.
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Foto: Frankie Lopez / Unsplash