Derek Amato: Génio musical por acidente

Derek Amato: Génio musical por acidente

Foto: Isaac Martin / Unsplash

O que define um génio musical? Mozart, Stravinsky, Beethoven são os nomes de alguns dos génios mais conhecidos da história da Música, mas o que é que os une entre eles e os separa dos demais?  

Para os académicos, um génio musical é alguém com uma capacidade técnica superior, de enorme virtuosidade, que consegue criar e interpretar obras com integridade, originalidade, com uma compreensão musical quase transcendente. 

Ao génio musical também costumam estar associadas uma memória excepcional e um desenvolvimento precoce destas capacidades, como no caso de crianças prodígio. Apostamos que estão a pensar em Mozart, e fazem bem. Wolfgang Amadeus Mozart era uma criatura tão rara que foi o primeiro músico a ser estudado por cientistas, ainda quando era criança. 

Outro factor em comum é terem crescido rodeados de música e em famílias musicais. O pai de Mozart era um músico e cordecompositor muito conhecido na época e instruiu os seus filhos nesta arte. A Ciência diz que a música é uma linguagem, e que as crianças que estão rodeadas dela e de instrumentos durante a fase em que estão a aprender a falar, têm maior facilidade na sua interpretação e execução ao longo da sua vida. 

O génio pode ser inato, mas a sua expressão é algo que se aprende. Ou talvez não. 

Génio por acidente

Derek Amato é um génio musical acidental. Até aos 39 anos, só tinha tocado guitarra no liceu e a sua família incentivou sempre o seu lado atlético. Mas, numa tarde de verão, mergulhou para uma piscina para apanhar uma bola de futebol americano e bateu com a cabeça na parte rasa. 

Amato foi levado para o hospital, onde lhe diagnosticaram uma concussão. As consequências deste acidente eram graves: os médicos disseram-lhe que perdera parte da audição e também iria ficar com problemas de memória, condições que se iriam piorar com o avançar do tempo. Quando Derek regressou a casa, dormiu 5 dias.

No dia em que acordou e se achou minimamente em condições, visitou um amigo que tinha uma sala com instrumentos musicais, que incluíam um piano cheio de pó. Instintivamente, Derek quis tocar nas teclas, e dos seus dedos saiu música com tanta naturalidade como se tivesse praticado piano a vida toda. Do nada, Derek Amato tinha desenvolvido a capacidade de tocar e compor num instrumento que nunca tinha aprendido.

Segundo os neurologistas, que fizeram de Amato um caso de estudo, ele tem savantismo, o síndrome de sábio adquirido, também conhecido por síndrome do idiota-prodígio. Este distúrbio manifesta-se na demonstração súbita de capacidades excepcionais em áreas que os pacientes não dominavam, após um trauma violento na cabeça. É tão raro que só 50 pessoas no mundo estão nesta categoria, sendo Amato o único que se revelou com aptidões musicais.

Este dom não vem sem dificuldades para Amato. Para além de ter perdido o emprego após o seu acidente, por precisar de mais tempo para se dedicar à música, ele continua a sofrer de dores de cabeça agudas, hemorragias, e de hipersensibilidade aos estímulos que o rodeiam.

Mas Amato não trocaria este dom por nada, até porque há o risco de o perder um dia tão depressa como o adquiriu. “Se alguma vez isto desaparecer, espero poder dizer: tive esta coisa belíssima durante alguns anos e agora vou ter que voltar a um emprego normal. Mas foi verdadeiramente uma viagem muito interessante. ”

Há quem questione, e bem, esta história. Afinal, o extraordinário necessita de provas extraordinárias. A neurologia contradiz algumas destas afirmações, mas Amato é um caso de estudo na comunidade científica. E porque é que Amato não toca um estilo musical mais complexo, em vez de um jazz pop bastante agradável? Seja como for, é uma boa história, e o mundo musical vive também das narrativas inacreditáveis e de performers peculiares. 

No final de contas, é a música que nos faz ficar.

Génios absolutos

A história de Derek Amato vem questionar o que é um génio musical nos tempos modernos, especialmente num mundo onde há uma maior facilidade para os jovens partilharem as suas ideias, graças às redes sociais

Um desses miúdos é, realmente, um génio musical no sentido clássico da definição. Jacob Collier cresceu numa casa de músicos e, desde cedo, demonstrou uma enorme capacidade de criação e interpretação que desafiam a norma. Para além de ser um multi-instrumentista de grande destreza, a sua compreensão musical está bem acima da capacidade do comum dos mortais. 

A sua criatividade é tal que obrigou a Apple a actualizar as suas workstations porque os limites das máquinas e dos editores de áudio digitais eram demasiado restritivos para a sua capacidade criativa.

Collier brilha musicalmente mas também na partilha do seu conhecimento, como podemos ver nesta apresentação de 2018.

Jacob Collier não é o único génio musical da nossa época, mas é o mais falado. A sua figura esguia e energia imparável atraem a atenção dos melómanos, mesmo os que não gostam da sua música, em todas as apresentações e palestras que faz, pela forma como explica conceitos complexos com a clareza própria dos génios e uma paixão enorme.

Derek Amato encontrou alguma fortuna na sua desgraça, o que prova que a música é realmente uma dádiva para os que usufruem dela. E não precisa de ser por acidente.

Para que não andem às cabeçadas às paredes para tentarem ser o próximo génio musical, recomendamos que visitem a nossa loja e vejam os instrumentos que poderão ser as futuras ferramentas da vossa criatividade.  

É que, para criar música, não é preciso ser genial. Basta ter paixão em fazê-la.

Publicado no dia 2021-08-25 por Salão Musical de Lisboa Atualidade 0 106
Tag: piano

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