Adufe: o que é, como se toca e história
Salão Musical de Lisboa Loja de instrumentos musicais desde 1958
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Adufe: o que é, como se toca e história

Publicado por2026-03-18 por 10
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O que é o adufe, qual é a sua história e como se toca? Venham descobrir um dos instrumentos mais icónicos da musica tradicional portuguesa

O som do adufe está ligado aos cantares, festas e romarias, à tradição oral e a uma forma muito própria de viver o ritmo em comunidade no nosso país. Em muitas regiões de Portugal é um símbolo forte da música tradicional, sobretudo na Beira Baixa, ombreando com a guitarra portuguesa e o cavaquinho como representante da identidade musical nacional.

Após ter caído em desuso, temos assitido a uma recuperação e renovado interesse no adufe e nas suas sonoridades, com músicos de vários estilos a atribuir-lhe um papel importante, quer na preservação do repertório popular como em contextos pedagógicos e criativos.

Simples na sua conceção mas rico nas texturas e ritmos, o adufe é tão poderoso que pode servir de acompanhamento único a uma ou várias vozes. É um instrumento que transforma a melodia mais simples num momento intenso, orgânico e cheio de gravidade.

Venham descobrir um dos instrumentos fundamentais do nosso folclore, com raízes nas tradições musicais mediterrânicas, e uma importância que perdura e se espalha a novas interpretações da música folclórica portuguesa.

ÍNDICE

O que é o adufe

A história do adufe e a sua importância cultural

Instrumentos semelhantes ao adufe

Como soa o adufe e qual é o seu papel na música

Adufe, como tocar

Para quem é o adufe

Como escolher o primeiro adufe

Conclusão

O que é o adufe

O adufe é um instrumento de percussão tradicional português. Em termos organológicos, é descrito como um bimembranofone de caixilho, normalmente de forma quadrada, com duas peles esticadas e pequenos elementos no interior, como sementes ou soalhas, que enriquecem a sonoridade quando o instrumento vibra e é movimentado.

Ao olharem para um adufe tradicional, a primeira diferença face a outros instrumentos de percussões de mão está logo na forma. Em vez do formato redondo que muitos associam ao pandeiro ou ao tamborim, o adufe tem um desenho quadrangular muito característico. Esse formato influencia a forma de o segurar, a resposta ao toque e até a presença visual do instrumento em palco ou num grupo tradicional.

Outra característica importante está na relação entre som e gesto. O adufe não vive apenas da pancada direta na pele. Vive também do balanço, do abafamento, da forma como as mãos controlam a ressonância e da pequena percussão interior que acrescenta textura. É por isso que, mesmo sendo um instrumento simples na aparência, oferece mais subtileza e exigência técnica na sua execução do que muita gente imagina ao primeiro contacto.

Leiam Instrumentos de percussão fáceis de tocar no blog do Salão Musical

Adufe MMG
25cm no Salão Musical

Adufe MMG 25cm no Salão Musical

A história do adufe e a sua importância cultural

Falar do adufe é entrar numa história longa e misteriosa. Várias fontes apontam para a relação deste instrumento com a família dos tambores de moldura da Península Ibérica e do Mediterrâneo, e há referências que associam a sua introdução no espaço ibérico à presença árabe entre os séculos VIII e XII, embora não haja uma conclusão definida sobre as suas origens.

Hoje, o adufe pertence de forma muito clara ao património musical português, embora também faça parte da herança cultural espanhola e encontre parentes próximos noutras geografias fazendo parte do mapa musical e cultural mediterrânicos.

Em Portugal, a sua associação mais forte surge na Beira Baixa, com destaque para zonas como Monsanto e Idanha-a-Nova, onde grupos de mulheres chamadas de adufeiras mantiveram repertórios e técnicas ao longo do tempo. Essa linhagem feminina é um dos traços mais marcantes da identidade do adufe em Portugal.

Idanha-a-Nova tornou-se um dos centros mais visíveis desta preservação e projeção contemporânea. O concelho desenvolveu projetos de ensino dedicados ao instrumento e a própria UNESCO reconhece Idanha-a-Nova como Creative City of Music. O adufe não é apenas uma memória do passado, é também matéria de ensino, programação cultural e um ícone da musica e identidade de uma região.

Instrumentos semelhantes ao adufe

O adufe partilha família com vários instrumentos de percussão de mão da Península Ibérica e do Mediterrâneo. Em Espanha, por exemplo, surge a designação pandero cuadrado, e algumas fontes referem também variantes regionais como o pandeiro mirandês em território português.

Mas há diferenças entre estes instrumentos, já que nem todos os tambores de moldura respondem da mesma forma, nem todos são tocados do mesmo modo. O adufe distingue-se pela configuração quadrangular, pela dupla pele, pelos elementos soltos no interior e por uma tradição de execução muito própria. Por isso, quando virem instrumentos aparentados de outras regiões, olhem para eles como parentes próximos, não como equivalentes perfeitos.

Leiam Instrumentos tradicionais portugueses que devem conhecer no blog do Salão Musical

Adufe MMG
35 cm no Salão Musical

Adufe MMG 35 cm no Salão Musical

Como soa o adufe e qual é o seu papel na música

O som do adufe combina corpo, ataque e textura. Há uma sonoridade mais grave e redonda, outra mais seca e definida, e ainda o ruído subtil das sementes ou soalhas que lhe dão movimento. É um instrumento capaz de marcar o tempo, animar padrões repetitivos e acompanhar vozes com uma presença muito própria e um som inconfundível.

Usado por vezes apenas com vozes, mas também com outros instrumentos, é um intrumento de percussão muito versátil. O adufe funciona bem em repertório tradicional, em contexto educativo, em grupos folk e até em abordagens contemporâneas que procurem uma percussão orgânica, seca e muito humana.

Adufe, como tocar

Para tocar adufe é preciso saber como o segurar. O adufe é sustentado pelos polegares e por apoio de um dedo, sendo percutido pelos restantes dedos, com movimentos de toque e de abafamento. Na prática, isto significa que é precisa estabilidade suficiente para controlar o instrumento, sem o prender em excesso. Se o segurarem de forma demasiado rígida, perdem ressonância. Se o segurarem solto de mais, perdem controlo.

Depois vem o pulso, o tempo, o batimento de sonoridade e andamento quase cardíacos. E, como com o coração, é fundamenta saber manter uma pulsação regular.

Façam batidas simples e consistentes, ouçam como o instrumento responde e reparem como pequenas mudanças na zona de toque alteram a cor do som. Um bom início não pede velocidade, pede repetições limpas. Esta fase é decisiva para qualquer ritmo de adufe, porque a expressividade nasce muito da regularidade e da segurança do gesto.

Também vale a pena explorar desde cedo a diferença entre som aberto e som abafado. O adufe ganha muito quando vocês percebem quando deixar a pele vibrar e quando encurtar o som com a mão. É essa alternância que ajuda a construir padrões mais interessantes. Muitos instrumentos de percussão são percutidos sempre no mesmo sítio e da mesma maneira. A riqueza da sonoridade do adufe está nesta possibilidade de variar entre estas texturas que, com a expressão correcta, fazem a música respirar.

Outro ponto importante é o movimento do próprio instrumento. Como existem elementos no interior do caixilho, o adufe responde também ao balanço e à inclinação. Isto não quer dizer que devam exagerar o gesto. Quer dizer apenas que o som não depende só do impacto dos dedos na pele. Depende da relação entre toque, apoio, vibração e movimento.

Se estiverem mesmo a começar, façam isto nas primeiras sessões:

  1. Marquem uma pulsação estável com batidas simples.
  2. Alternem toque aberto e abafado.
  3. Experimentem pequenos padrões repetidos até o gesto sair natural.

Quando esta base estiver segura, comecem a tocar com gravações, com voz ou com outras pessoas. O adufe funciona muito em contexto coletivo. Aliás, a própria tradição portuguesa mostra-o frequentemente ligado ao canto e à prática de grupo. Tocar sozinhos ajuda a construir controlo. Tocar com outros ajuda a perceber o verdadeiro lugar do instrumento nas canções.

Um dos maiores divulgadores da arte do adufe é Rui Silva, que tem algumas aulas disponíveis no seu canal de YouTube

Para quem é o adufe

O adufe é para todos, mas é muito interessante particularmente para quem está a descobrir a percussão e quer um instrumento direto, físico e ligado à tradição. É excelente para músicos de cordas, sopros ou teclas que querem desenvolver sentido rítmico a partir de um objeto simples e cheio de identidade, e que com uma grande margem de expressão e dinâmica, como os seus instrumentos originais.

Serve ainda para professores, escolas, associações culturais e projetos comunitários trabalharem repertório tradicional ou práticas musicais coletivas, com alunos e participantes de todas as idades.

Faz especialmente muito sentido para quem se interessa por música tradicional portuguesa. O adufe abre uma porta para repertórios, contextos e formas de tocar que não aparecem muito no ensino musical mais convencional. Aprender este instrumento é aproximarem-se de uma parte muito concreta da cultura musical portuguesa, de uma tradição rica, e de um som tão único como o da guitarra nacional.

Leiam Instrumentos de Percussão Tradicionais Portugueses no blog do Salão Musical

Adufe MMG
20cm no Salão Musical

Adufe MMG 20cm no Salão Musical

Como escolher o primeiro adufe

Na escolha do primeiro adufe, o melhor ponto de partida é o vosso objetivo. Querem um instrumento para experimentar em casa e perceber se gostam da linguagem e da sonoridade que vos proporciona? Querem usá-lo em aulas, oficinas ou trabalho com grupos? Querem tocar repertório tradicional com mais regularidade? Sabendo a resposta a esta questão, já sabem pelo menos quantos adufes precisam de comprar. E sim, mais do que um é uma opção para quem se quer dedicar a este instrumento.

O segundo critério é o conforto. Um adufe demasiado grande pode cansar mais depressa quem ainda não desenvolveu resistência nem controlo para o segurar. Um modelo demasiado pequeno pode ser prático para primeiro contacto, mas talvez não dê a sensação sonora e física que muitos procuram quando pensam num adufe tradicional. Existem adufes de várias dimensões, que servem músicos com capacidades diferentes, físicas e técnicas.

O manuseamento é fundamental pelo que a construção do adufe, apesar de simples, deve ser de grande qualidade para maior satisfação: um caixilho bem montado, um bom acabamento e uma sensação geral de solidez são fundamentais num primeiro instrumento. É um instrumento tão orgânico que facilmente se consegue perceber se transmite confiança na mão.

A dimensão, o conforto e a forma como o instrumento assenta nas mãos são os pontos decisivos da vossa escolha. Um modelo visualmente apelativo, apesar de ser bonito, pode não ser o mais adequado para as vossas primeiras semanas de prática. O adufe é para tocar, apesar de ser altamente decorativo.

Saibam o que são instrumentos de percussão no blog do Salão Musical

Conclusão

O adufe é um instrumento com história, identidade e utilidade real para quem quer entrar no universo da percussão tradicional. Tem uma forma muito própria de ocupar o espaço musical. Marca o ritmo, acompanha a voz, cria textura e transporta consigo uma herança cultural forte, e ainda muito presente em algumas regiões do país.

Se quiserem levar o ritmo vivo deste instrumento tão importante da nossa tradição para a vossa música, o Salão Musical tem adufes de vários tamanhos para músicos, professores e curiosos. Visitem a nossa loja e descubram os modelos de adufe que temos para vocês.

Vejam todos os adufes no Salão Musical

Foto: Londonjackbooks / Wikimedia

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