Como equalizar um amplificador de guitarra

Como equalizar um amplificador de guitarra

Os guitarristas estão sempre à procura do melhor som. Uma das melhores maneiras para ter um bom som de guitarra é saber para que servem aqueles botões na frente do amplificador e como os usar, ainda antes de colocarem pedais de efeitos na vossa cadeia.

Existem amplificadores de vários tipos: modeladores, válvulas e solid state. As diferenças entre eles são muitas, mas todos partilham um conjunto de controlos que definem o som final.

Neste guia rápido para regular o amplificador de guitarra elétrica não vamos falar dos efeitos que alguns amplificadores trazem, como Reverb e Chorus, mas apenas dos controlos que todos eles têm. Se forem bem estudados e trabalhados, podem fazer com que o vosso amplificador soe como nunca imaginaram.

Os Botões do Amplificador

As áreas fundamentais que podem controlar num amplificador são o volume e a equalização. Os parâmetros mais comuns que podemos controlar num amplificador de guitarra elétrica são:

  • Volume

  • Gain

  • Bass

  • Mids

  • Treble

  • EQ or Tone

  • Contour

  • Presence

Na frente ou no topo do amplificador está um conjunto de botões com estes nomes, apesar de haver variações de designações de marca para marca e de tipo de amplificador.

 

 

Nesta imagem podemos ver, de cima para baixo, o painel do Fender Blues Junior IV 15W, seguido do Boss Katana KTN Mini 7W, do Roland JC 120G e do Fender Mustang LT25. Em todos, os botões são basicamente os mesmos,  mas com ligeiras diferenças que iremos explicar a seguir.

O que fazem os controlos do amplificador?

O que significam os controlos do amplificador e o que fazem? Vamos começar pelo mais básico, mas com maior impacto do que a maioria dos guitarristas pensam.

VOLUME

O VOLUME controla a quantidade de som que sai do amplificador. Óbvio, mas por vezes mal compreendido, especialmente se existe mais do que um botão com esta designação.

Como podem ver no Fender Blues Junior, existe um VOLUME e um MASTER. A diferença é que o VOLUME controla o sinal logo no início do processo de amplificação, enquanto que o MASTER define o volume final. Isto é muito comum em amplificadores a válvulas de só um canal.

 

Outra configuração possível é GAIN (ganho) e VOLUME, por vezes com MASTER no final. No caso do Fender Mustang LT25, isto acontece porque é um amplificador modelador. O VOLUME controla a potência do tipo de amplificador que está a simular, o GAIN aumenta a sujidade no som, sobrecarregando o sinal. O volume final de saída é controlado pelo MASTER.

 

 

Em amplificadores com vários canais, como o Roland JC 120G, há um VOLUME para esse canal específico quando está ativado, um GAIN (que aqui surge como DISTORTION) para maior ou menor clareza no som e, noutra secção, um MASTER.

 

Em resumo:

  • 1 botão de VOLUME controla todo o som que sai do amplificador;

  • 2 botões de VOLUME (sendo o segundo um MASTER) - o primeiro controla a potência do sinal do canal ou da simulação (no caso dos modeladores) e o segundo a potência de saída;

  • 3 botões - GAIN, VOLUME, MASTER surgem em amplificadores com mais do que um canal e em modeladores-  o GAIN suja o sinal, o VOLUME controla a potência da amplificação e o MASTER a saída.

A combinação destes controlos fazem toda a diferença na qualidade sonora do amplificador, especialmente se for a válvulas: quanto mais volume na fase de amplificação, melhor qualidade de som na saída.

GAIN

O GAIN (por vezes chamado de DISTORTION) controla a quantidade de ganho do sinal. Quanto mais elevado for, maior a distorção. Quanto mais baixo, mais limpo é o sinal. Um pouco de GAIN é recomendado para blues e para dar mais corpo a solos.

BASS

Aqui entramos na fase de equalização. O BASS controla a quantidade de graves presentes no vosso som. Quanto mais elevado, mais quente e encorpado soa. Demasiado BASS e o som fica pouco definido. Guitarras com humbuckers irão necessitar de menos BASS que as que usam single coils, em teoria.

MIDDLE

A guitarra é um instrumento de frequências médias, é onde se destaca no meio dos outros instrumentos: graves pertencem aos baixos, médios às guitarras, médias altas à voz, por exemplo. O MIDDLE controla a vossa presença na gama de médios.

Alguns guitarristas de heavy metal gostam de remover os médios nas guitarras ritmo para dar espaço às guitarras solo e ter um som um pouco mais agressivo. 

TREBLE

O TREBLE controla as frequências mais altas da guitarra e, consequentemente, o brilho. Quanto mais alto, mais áspero fica o som. Menos TREBLE e conseguem obter um som mais morno.

Como vêem, o som está cheio de cores, texturas e temperaturas.

CONTOUR, PRESENCE e TONE

Alguns amplificadores têm ainda estes controlos:

  • CONTOUR remove os médios (quanto mais elevado o valor, mais médios corta), para o efeito que explicámos no MIDDLE.

  • PRESENCE dá ainda mais TREBLE ao vosso amplificador, o que é excelente para quem gosta de realçar o espírito country da sua Telecaster ou dar destaque aos acordes funky na Strat. Mais PRESENCE, mais brilho.

  • TONE substitui a equalização: no mínimo fornece um som mais grave e abafado, no máximo dá mais brilho. Basicamente, dá mais foco a um conjunto de frequências ao longo da sua escala. É uma forma rápida de “equalizarem” o som.

Como equalizar o amplificador

Agora que já sabemos o que cada um dos botões faz, podemos mexer neles a nosso gosto. Se o vosso amplificador tiver vários canais, escolham o canal Clean. É a partir do som limpo que irão construir o resto da vossa sonoridade.

Coloquem os botões de Bass, Mids e Treble (ou o de Tone) a meio da escala, na posição neutra ou de 12 horas, e metam o Gain, Contour e Presence no mínimo e desliguem todos os efeitos ou modulações de tom que o vosso amplificador possa ter.

O segredo está em ouvir as pequenas diferenças ao longo da escala de 0 a 10 de cada botão, por isso rodem-nos devagar para perceberem onde é que o som muda e como. Definam a vossa guitarra para a posição de pickup que usam mais e trabalhem com ela, sem estarem sempre a mudar.

Passem o tempo que for preciso de volta de cada botão individualmente até atingirem o ponto de rebuçado em cada um. Se puderem, gravem o áudio com a indicação dos valores da configuração que estão a usar para comparar e analisar mais tarde.

Volume

O volume aumenta ou diminui a amplitude do vosso sinal, nas várias fases da amplificação. É o primeiro passo na definição da qualidade do vosso som.

Comecem por ajustar o volume de saída, o volume que vão ouvir na vossa sala. Depois regulem o volume do canal ou da simulação de amplificador, e vejam a diferença que vai fazendo na qualidade do vosso som. Em que ponto é que o som “quebra” e deixa de ser limpo?

Quando encontrarem um tom que gostem, adicionem um pouco de ganho. Vejam como fica mais encorpado, sujo e mais alto. Poderão ter que cortar no MASTER, mas percebam como, ponto a ponto, o som da vossa guitarra muda.

Assim que estiverem satisfeitos com o equilíbrio entre estes controlos, passem para a equalização.

Equalização

Os botões de equalização controlam o volume também, mas de frequências específicas. Quanto mais alto for o valor para uma delas, mais essa gama de frequências se irá ouvir no resultado final.

O melhor será sempre seguir o segundo conselho que é dado neste vídeo: reduzam antes de adicionar, assim terão mais espaço de manobra para regular o vosso som de forma mais exacta.

 

O processo de regulação é igual para todas as frequências. Comecem com os graves (BASS), deixando os outros a meio da escala.

Coloquem o botão no 0 e vão subindo lentamente. Se gostam mais ou de menos graves é convosco e depende muito do estilo que tocam e da vossa maneira de tocar. E também da vossa guitarra, já que há diferenças na sonoridade entre pickups humbuckers e single coils.

Repitam o processo para cada um dos controlos. Façam o mesmo com tudo no 0 e depois no 10. E ouçam.

Este vídeo mostra como tirar o melhor som de um amplificador, em cinco passos.

 

Truques e recomendações

Não há receitas mágicas para a equalização. É verdade que podemos encontrar definições para EQ de amplificadores pela internet fora, mas todas as guitarras são diferentes, todos os guitarristas são diferentes, todos os amplificadores têm personalidades diferentes.

Um site que diz que a fórmula mágica para o som de guitarra é Bass 4 Middle 7 e Treble 6, com 3 de Reverb, pode estar certo para algumas pessoas mas não para muitas outras.

O que tocam é muito importante. Se forem guitarristas ritmo, o vosso som é diferente dos guitarristas lead. O estilo também conta muito, já que cada um tem uma estética sonora diferente. Por isso, escolham um som que encaixe no conjunto da banda e respeite o género que tocam. Tocar música em conjunto é saber ocupar o espaço disponível e uma boa equalização ajuda a que ocupem bem o vosso espaço.

As cordas, a configuração da vossa guitarra e até as vossas mãos afectam o som que entra no amp e a forma como ele é equalizado. Por isso, mantenham sempre a guitarra em forma e todo o material nas melhores condições.

E depois, a sala. Todas as salas têm características acústicas diferentes, por isso há frequências que se podem destacar no vosso quarto mas não na garagem onde ensaiam. A colocação do amplificador - mais ou menos próximo de uma parede,no chão, num suporte ou em cima de uma mesa - também afecta o resultado final.

O melhor será ouvirem Kenny Greenberg, que demonstra num amplificador Fender o que devem ter em conta quando estão a definir o vosso som.

Acima de tudo, usem os ouvidos e demorem o tempo que for preciso. Irão descobrir que o amplificador aí de casa tem muito mais para dar do que imaginavam. 

No Salão Musical temos os amplificadores de guitarra que precisam para descobrir e amplificar o vosso som, ao vosso gosto. Visitem a nossa loja online.

Publicado no dia 2021-08-12 por Salão Musical de Lisboa Atualidade, Amplificação 0 262

Deixar um comentárioDeixar uma resposta

Tem que ter a sessão iniciada para poder comentar este artigo.

Procurar no blog

Categorias do blog

Sem produtos

A ser calculado Portes de envio
0,00€ IVA
0,00€ Total

O preço incluí IVA

Pagar