Como gravar uma guitarra acústica

Como gravar uma guitarra acústica

Gravar uma guitarra acústica parece um conceito simples, não parece? Basta apontar um microfone, carregar no botão vermelho do nosso editor de áudio e tocar.

A realidade é um pouco mais complexa, mas não tem de ser complicada. Se tiverem os seguintes pontos em atenção ainda antes de começarem a gravar, os resultados podem ser surpreendentes.

Para gravar uma guitarra acústica, e obter um som de qualidade, precisam:

Sala de gravação

Um dos elementos fundamentais e tantas vezes esquecido por quem se está a iniciar na arte da gravação é o espaço onde o vão fazer. Especialmente quando estamos a falar de estúdios caseiros, montados numa divisão pequena, no quarto ou numa garagem. 

Cada sala tem a sua acústica, que é o mesmo que dizer que as ondas sonoras viajam de uma forma particular de acordo com a sua forma, altura, quantidade de área refletora ou absorvente e posicionamento e orientação da origem do som. Num estúdio com tratamento acústico, o som terá menos possibilidades de ser refletido de volta, o que torna a captação mais fácil. 

As guitarras acústicas podem beneficiar tanto de uma sala “morta” (com baixa reflexão sonora) como de um espaço com uma boa reverberação: halls de entrada, igrejas, salas de concerto, etc. Depende muito do som que estão à procura.

Para espaços pequenos sem tratamento acústico, o melhor será ter um microfone bem perto da guitarra. Em espaços maiores com um eco natural fantástico, podem ter que experimentar diversas localizações para o microfone, mais afastadas da fonte para poderem apanhar o som natural da guitarra nesse ambiente. 

A reverberação natural de um espaço dá outra qualidade ao instrumento se for bem captada, mas não se preocupem: se não puderem gravar fora da vossa sala, podem sempre usar efeitos de reverb subtilmente depois na fase de mistura.  

Outro ponto fundamental é o ruído de fundo. Estejam atentos a todos os sons que entram no microfone e eliminem os que não interessem: ventoinhas dos computadores, máquinas de café, telemóveis, zumbidos de lâmpadas ou do ar condicionado. Assim que entrarem na gravação, ficam lá para sempre.

Vale a pena perder tempo a experimentar divisões e posições diferentes já que grande parte do segredo para uma boa captação está na sala e na posição do microfone.  

Guitarra

As guitarras vêm em vários tamanhos, tipos e personalidades sonoras. Uma parlor tem menos volume e graves que uma dreadnought, por exemplo. Qual é a função da guitarra e que tipo de presença querem que tenha? 


Foto da guitarra Gretsch G9500 Jim Dandy
Guitarra Acústica Gretsch G9500 Jim Dandy 2 Color Sunburst

Uma guitarra com mais presença sonora em todas as frequências, com formato dreadnought ou Jumbo, é ideal para acompanhar um cantor. Uma guitarra com menos graves - a frequência que complica sempre a qualidade das gravações - encaixa melhor num conjunto de instrumentos que já ocupam essa gama.  

Foto da Guitarra Acústica Takamine modelo GD11M-NS Dreadnought Mahogany

Guitarra Acústica Takamine GD11M-NS Dreadnought Mahogany

Outro fator tão importante como saberem de cor o que vão tocar é terem a guitarra com a manutenção feita, cordas trocadas e com o calibre certo. As cordas da guitarra devem ser trocadas alguns dias antes para terem tempo de assentar e não devem ser tocadas para além do essencial para manterem o brilho no dia gravação.

VEJAM GUITARRAS ACÚSTICAS NO SALÃO MUSICAL

Microfones

O microfone que escolhem para a vossa gravação irá afetar o resultado final e está relacionado com os dois pontos anteriores: a sala e a guitarra. Há microfones de vários tipos, características e objetivos

Se escolherem um microfone de condensador, lembrem-se que é mais sensível e capta melhor as frequências graves, dando um som mais quente. É indicado para estar mais afastado do instrumento e captar a dispersão natural do som, o que implica apanhar também o som da sala. Mas, se estiveram com atenção até agora, isso não deverá ser problema.

Os microfones dinâmicos são ótimos para captar o som cirurgicamente e apontar para áreas específicas da guitarra. Não é preciso investir em microfones caros. Podem ter microfones de gama profissional, como o SM57 da Shure, que grava tudo e mais alguma coisa e que tem um preço muito acessível.  

Foto a 3/4 do microfone Shure SM57-LCE

Microfone Shure SM 57 LCE

VEJAM MICROFONES PARA VOZ E PARA INSTRUMENTOS NO SALÃO MUSICAL  

Colocação dos microfones

É que um microfone acessível bem colocado é melhor que um microfone caríssimo na posição errada. O posicionamento do microfone afeta não só o volume como o tipo de frequências captadas.

A tentação é apontar o microfone para a boca da guitarra. O resultado é um som com demasiados graves e menos definição do que, por exemplo, apontar para a zona do 12º traste. 

Já falámos aqui de como posicionar microfones, mas temos este vídeo que mostra uma forma simples de o fazer com guitarras acústicas, usando um ou dois.

Vejam também este vídeo, que apresenta uma solução muito interessante para usar dois SM57. Ouvimos uma clara distinção no som causada apenas pelo diferente posicionamento dos microfones.

Para poderem movimentar e segurar os microfones com segurança e estabilidade, recomendamos que usem tripés com qualidade. Vão poupar imensas dores de cabeça.

Mistura

A mistura não serve para definir o som do instrumento mas para reforçar a sua personalidade.

Quando decidiram gravar uma guitarra acústica tinham, certamente, um som na vossa cabeça. As características desse som devem ter sido previstas durante a captação para que tenham menos problemas na hora de fazer a mistura: que presença deve a guitarra ter, que ambiência queremos passar, quais são as frequências que deve ocupar?  

Vamos começar pela equalização. Depois de definido o volume, o habitual é começar a cortar nas frequências graves,  limitando até aos 100-250hz. Não vale a pena abusar neste parâmetro se a guitarra estiver bem gravada, senão o seu valor acústico perde-se.

Se acharem necessário e houver espaço para isso, podem sempre aumentar ligeiramente as frequências mais médias-agudas, com um ligeiro aumento entre os 3 e os 7 KHz. 

Podem adicionar também reverb para dar espaço e ar ao som da guitarra, especialmente se gravaram com o microfone mais de perto e numa sala com pouco eco. Outro truque é juntar um pouco de delay subtil à guitarra numa segunda faixa, com o sinal sem delay a ouvir-se numa panorâmica mais de um lado e o com delay do outro. 

Para saber a frequência de delay que devem usar, dividam o BPM (batidas por minuto) da vossa música por 60 para encontrar o valor final. 100 BPMs a dividir por 60 é igual a 1.666Hz.  Podem também usar esta calculadora mais avançada. Porque é que isto é importante? Para que o delay esteja no tempo certo, não crie ruído e seja eficaz.

Mas é apenas mais um truque para darem mais vida ao som da vossa gravação nesta fase do processo. Vejam mais dicas sobre como misturar guitarra acústica.

Como dissemos, gravar uma guitarra acústica e obter resultados de qualidade é complexo mas não é complicado. Se estiverem bem equipados, então ainda é mais fácil. O Salão Musical tem tudo o que precisam para que possam brilhar nas vossas gravações.

Visitem a nossa loja online.

Publicado no dia 2021-10-28 0 218

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