Bluegrass para principiantes: que instrumento escolher?
Querem começar a tocar bluegrass? Comparem guitarra, banjo, bandolim, violino, Dobro e contrabaixo e descubram qual faz mais é o mais indicado para vocês.
O bluegrass é um estilo musical enérgico e excitante, com banjos a disparar sequências rápidas de notas, bandolins a cortar o ritmo, violinos a improvisar, guitarras a manter tudo em movimento e um contrabaixo a segurar a pulsação enquanto os músicos vão trocando solos. Tudo num diálogo rápido e estimulante entre músicos.
Mas, apesar da velocidade e da desenvoltura da linguagem deste género musical, não precisam de ser virtuosos para começar.
Uma das características mais interessantes do bluegrass está precisamente na forma como os instrumentos trabalham em conjunto. Enquanto um assume a melodia ou um solo, os restantes criam a base rítmica e harmónica. Depois, os papéis trocam: como no jazz e outros géneros de conjunto baseados na improvisação sobre um tema, é este diálogo que fornece a dinâmica à música que nasceu no coração da América.
É uma música feita para tocar com outras pessoas, e isso significa que podem começar por uma função relativamente simples e acrescentar técnicas mais avançadas à medida que ganham experiência.
E, para começar a tocar bluegrass, a primeira decisão é escolher o instrumento.
Guitarra acústica, banjo, bandolim, violino, Dobro e contrabaixo têm funções, técnicas e níveis de exigência bastante diferentes. A melhor escolha depende do som que vos atrai, da experiência musical que já têm, do tipo de papel que querem assumir e até de questões práticas como espaço, transporte e orçamento.
Vamos compará-los e descobrir qual é a melhor opção para vocês.
Índice
- Como funcionam os instrumentos numa banda de bluegrass?
- Guitarra acústica: a opção mais versátil
- Banjo: para quem quer imediatamente o som do bluegrass
- Bandolim: pequeno, rítmico e muito ágil
- Violino: liberdade melódica com uma curva de aprendizagem maior
- Dobro: para quem gosta de slide e de uma voz própria
- Contrabaixo: manter toda a banda no lugar
- Afinal, qual é o melhor instrumento para começar?
- Que equipamento precisam além do instrumento?
- O que ouvir para começar: 5 referências fundamentais do bluegrass
- Como preparar a primeira jam de bluegrass
- Notas finais
Como funcionam os instrumentos numa banda de bluegrass?
O bluegrass é música acústica tocada em conjunto, baseado na improvisação. É um género tradicional, tocado à desgarrada, o que abre enormes possibilidades para músicos em desenvolvimento, que, a partir de um tema simples, podem explorar a linguagem e o potencial do seu instrumento.
Uma formação tradicional pode juntar guitarra acústica, banjo de cinco cordas, bandolim, violino e contrabaixo. O Dobro, uma guitarra ressonadora normalmente tocada com slide, também ganhou um lugar importante no género.
Ao contrário de uma banda de rock, onde bateria e baixo criam uma secção rítmica muito definida, no bluegrass o ritmo está distribuído por vários instrumentos.
A guitarra pode marcar os acordes e os tempos fortes. O bandolim acrescenta ataques curtos que ajudam a preencher o espaço entre esses tempos. O contrabaixo mantém a pulsação. Banjo, violino e Dobro podem completar o acompanhamento, responder à voz ou assumir a melodia.
Quando chega a altura de um solo, ou break, um desses instrumentos passa para primeiro plano enquanto os restantes continuam a sustentar a música.
É por isso que, ao iniciarem-se no bluegrass, não têm de se preocupar logo em tocar solos rápidos. Saber acompanhar bem uma música já vos permite participar numa jam e perceber como o género funciona por dentro.
Guitarra acústica: a opção mais versátil
Para muitos principiantes, a guitarra acústica é o ponto de entrada mais simples no bluegrass.
Não porque seja necessariamente fácil de dominar, mas porque permite começar com poucas ferramentas. Com três ou quatro acordes e um padrão rítmico consistente já conseguem acompanhar muitas músicas tradicionais.
No bluegrass usa-se normalmente uma guitarra acústica de cordas de aço. Os modelos de corpo dreadnought tornaram-se particularmente associados ao género devido ao volume, projeção e resposta nos graves, embora não seja obrigatório começarem com este formato.
Qual é a função da guitarra?
Grande parte do tempo, a guitarra fornece ritmo e harmonia. Um padrão muito comum alterna uma nota grave com um acorde, criando o movimento regular que ajuda a empurrar a música para a frente. É uma das formas básicas de strumming - o padrão de acompanhamento feito com a mão da palheta - no bluegrass, muitas vezes descrita como bass-strum ou boom-chuck: o “boom” é a nota grave e o “chuck” o ataque do acorde.
Mas a guitarra também pode ser um instrumento solista. O flatpicking, técnica em que melodias e solos são executados com palheta, tornou-se uma parte importante do bluegrass moderno. É aqui que os acordes relativamente simples podem evoluir para um nível bastante exigente, de linhas melódicas rápidas alimentadas a uma técnica de palheta mais avançada.
Outra frase que vale a pena aprender cedo é a G-run, também conhecida como Flatt run. É uma pequena passagem melódica de guitarra que conduz de volta ao acorde de Sol e funciona como pontuação no fim de uma frase cantada ou instrumental. Apesar do nome, a ideia pode ser transposta para outras tonalidades. Usem-na com moderação: resulta melhor quando há espaço deixado pela voz ou no fim de algumas frases, e perde efeito se aparecer sempre.
Para quem faz sentido?
A guitarra é provavelmente a escolha mais lógica se:
-
já tocam guitarra clássica, elétrica ou acústica;
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querem acompanhar a voz;
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pretendem tocar também folk, country, blues, pop ou outros estilos;
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querem começar a participar em músicas antes de dominar técnicas solistas;
-
procuram um instrumento fácil de transportar e para o qual existe muito material de aprendizagem.
Se nunca tocaram nenhum instrumento de cordas, terão primeiro de ganhar força e coordenação na mão que forma os acordes. As cordas de aço também podem ser desconfortáveis durante os primeiros tempos.
Ainda assim, poucos instrumentos oferecem uma progressão tão clara entre os primeiros acordes e técnicas muito avançadas.
Guitarras acústicas no Salão Musical
Banjo: para quem quer imediatamente o som do bluegrass
Só de ouvir alguns segundos de banjo de cinco cordas, entramos logo no espírito do bluegrass. O banjo é uma das escolhas mais óbvias para quem chega ao bluegrass precisamente porque se apaixonou pela sonoridade do género.
No estilo associado a Earl Scruggs, a mão direita usa normalmente uma unha de polegar e duas unhas de dedo para executar padrões chamados rolls. As notas sucedem-se rapidamente e criam aquela sensação de movimento quase contínuo que associamos ao banjo bluegrass.
É difícil começar no banjo?
O banjo pode parecer mais assustador e difícil de tocar do que realmente é. A afinação aberta em Sol permite obter um acorde simplesmente tocando as cordas soltas. Algumas formas de acordes são relativamente acessíveis e é possível começar rapidamente a acompanhar músicas simples.
O desafio está na mão direita. Os rolls exigem coordenação entre polegar, indicador e médio. Devem tornar-se regulares ao ponto de continuarem quase automaticamente enquanto a outra mão muda de acorde ou acrescenta notas à melodia.
No início, é perfeitamente normal aquilo que deveria soar como uma cascata fluida de notas parecer uma escada onde alguém tropeçou. Mas tudo se resolve com prática e repetição lenta.
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Para quem faz sentido?
Se o banjo é aquele som que vos levou ao bluegrass, então é por onde devem começar. É o instrumento ideal para quem gosta de padrões repetitivos, tem boa coordenação das mãos ou já tocou guitarra em fingerpicking.
Se o vosso objetivo principal é acompanhar a voz com acordes simples, a guitarra provavelmente oferece um caminho mais curto. Se querem que toda a gente perceba imediatamente que chegaram para tocar bluegrass, o banjo trata disso sozinho.
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Bandolim: pequeno, rítmico e muito ágil
Não se deixem enganar pelo tamanho. Apesar de compacto, o bandolim ocupa bastante espaço sonoro numa banda de bluegrass.
Tem quatro pares de cordas afinados em Sol, Ré, Lá e Mi, a mesma relação de afinação do violino. No bluegrass, o modelo americano é particularmente comum e pode assumir tanto uma função rítmica como melódica.
Qual é a função do bandolim?
No acompanhamento, uma das técnicas características é o chamado chop: em vez de deixar os acordes soar longamente, o músico produz ataques curtos e secos que ajudam a marcar o contratempo. Numa banda sem bateria, esse som tem uma função rítmica importante.
Quando chega a vez do solo, tudo muda. O bandolim torna-se um instrumento muito ágil, capaz de executar melodias rápidas, tremolo, double stops e improvisação.
É uma boa escolha para principiantes?
O braço curto e a distância relativamente pequena entre os trastes tornam o instrumento fisicamente confortável para muitas pessoas. Por outro lado, as cordas surgem aos pares e têm uma tensão considerável, o que exige alguma adaptação dos dedos.
A palheta também tem um papel fundamental. É preciso aprender a alternar os movimentos com precisão para tocar melodias rápidas sem criar tensão na mão.
Quem já toca guitarra terá vantagem na lógica dos acordes e da palheta. Quem toca violino encontra outra vantagem ainda maior: como a afinação é equivalente, muitas melodias e posições são familiares, embora a técnica seja completamente diferente.
Para quem faz sentido?
O bandolim é particularmente interessante se querem um instrumento pequeno e fácil de transportar, gostam de alternar entre ritmo e melodia ou preferem uma sonoridade mais aguda.
Também é uma excelente segunda escolha para guitarristas que querem entrar no bluegrass através de um instrumento diferente sem abandonar completamente a lógica dos instrumentos com trastes e palheta.
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Bandolins americanos no Salão Musical
Violino: liberdade melódica com uma curva de aprendizagem maior
No bluegrass, o violino é frequentemente chamado fiddle. Fisicamente, continua a ser um violino. O que muda é sobretudo o repertório, o fraseado e a forma como é utilizado.
É provavelmente um dos instrumentos com maior liberdade dentro de uma formação. O fiddle pode tocar a melodia principal, responder à voz, criar harmonias, sustentar notas, acrescentar pequenos motivos durante o acompanhamento e improvisar solos.
Quando não está a tocar a melodia, o fiddle também pode reforçar o ritmo com chops de arco. O chop é um ataque curto e percussivo, feito com o arco sobre as cordas, que produz mais impacto rítmico do que uma nota sustentada.
No bluegrass pode ajudar a marcar os contratempos, sobretudo quando o bandolim deixa de fazer esse papel para tocar um solo. Não precisam de dominar a técnica desde o primeiro dia, mas vale a pena perceber a sua função no acompanhamento.
A questão da afinação
Numa guitarra ou num bandolim, o traste ajuda a determinar onde está a nota. No violino, são os dedos e o ouvido que têm de encontrar exatamente a posição correta.
Ao mesmo tempo, a mão direita está a aprender a controlar o arco. São duas tarefas exigentes que acontecem em simultâneo e é por isso que o violino é considerado um símbolo de virtuosismo musical.
Por isso, quem começa do zero pode demorar mais tempo até conseguir um som estável e afinado do que alguém que começa a acompanhar acordes numa guitarra.
Isso não significa que o violino seja uma má escolha para principiantes. Significa apenas que exige alguma paciência antes de começar a produzir resultados musicais mais consistentes.
Para quem faz sentido?
É uma escolha evidente para quem já toca violino. Um violinista com formação clássica terá de adaptar articulação, repertório e fraseado, mas já terá uma base técnica muito sólida.
Para um principiante absoluto, faz sentido se é precisamente a sonoridade do fiddle que vos atrai e estão dispostos a trabalhar afinação e arco desde o início.
Se o objetivo é entrar rapidamente numa jam, guitarra ou bandolim poderão proporcionar um percurso inicial mais curto.
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Dobro: para quem gosta de slide e de uma voz própria
Estas guitarras têm uma história fantástica e um aspecto fascinante. “Dobro” é o nome de uma marca, mas a designação acabou por ficar fortemente associada às guitarras ressonadoras utilizadas no bluegrass.
Estes instrumentos usam um cone metálico para transmitir e projetar a vibração das cordas, criando um timbre muito diferente de uma guitarra acústica convencional.
No bluegrass, é comum encontrar instrumentos de braço quadrado tocados horizontalmente, com as cordas viradas para cima. Em vez de pressionarem as cordas contra os trastes com os dedos, os músicos usam uma barra metálica, ou seja, um slide.
O resultado são aqueles deslizamentos entre notas que tornam o instrumento imediatamente reconhecível.
Slides para guitarra no Salão Musical
É uma boa primeira escolha?
Se já tocam guitarra, terão uma maior familiaridade com o instrumento, apesar de as seis cordas estarem em afinações abertas, com acordes a serem tocados com digitações diferentes.
A técnica de slide exige alguma adaptação. A barra tem de ficar exatamente sobre a posição da nota. Não há um traste a corrigir uma colocação ligeiramente ao lado. É necessário controlar a afinação, silenciar cordas que não devem soar e coordenar tudo isso com a mão que dedilha. Tal como no violino, o ouvido ganha muita importância.
Para quem faz sentido?
O Dobro é uma escolha excelente se já tocam guitarra e querem explorar uma linguagem completamente diferente.
Também pode ser o vosso primeiro instrumento se aquela sonoridade é precisamente aquilo que vos levou ao bluegrass, mas contem com uma aprendizagem bastante específica.
Antes de comprar, tenham atenção a uma distinção importante: uma guitarra ressonadora de braço redondo e um modelo pensado para tocar horizontalmente não são exatamente a mesma coisa. Decidam primeiro qual é a técnica que querem aprender.
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Contrabaixo: manter toda a banda no lugar
Não é o instrumento que produz mais notas por segundo, mas também não precisa. No bluegrass, o contrabaixo mantém grande parte da pulsação da banda. Uma linha pode ser relativamente simples, alternando notas fundamentais e outras notas do acorde enquanto os restantes músicos criam toda a atividade à volta.
Parece simples até tentarem manter o mesmo andamento durante vários minutos enquanto cinco pessoas aceleram à vossa volta. Como em qualquer género musical em que esteja presente, é o coração que mantém o tempo da música e que define a base harmónica sobre a qual os instrumentos mais agudos podem improvisar.
É fácil começar?
Musicalmente, podem acompanhar algumas músicas com linhas muito simples. É um instrumento que, como não usa os trastes para definir a nota, exige um ouvido mais apurado, e que tem uma uma escala longa e cordas muito maiores do que as de uma guitarra ou de um violino. A precisão é essencial.
Para quem faz sentido?
É uma escolha particularmente lógica para baixistas. Quem já toca baixo elétrico compreende a função harmónica e rítmica do instrumento e pode concentrar-se na adaptação à escala, à ausência de trastes e à técnica do contrabaixo.
Também é uma excelente opção se preferem sustentar a música em vez de estar constantemente à procura do próximo solo. Numa jam cheia de guitarristas, um contrabaixista que mantém o tempo pode rapidamente tornar-se uma pessoa muito popular.
Contrabaixos de cordas no Salão Musical
Afinal, qual é o melhor instrumento para começar?
Não existe uma resposta igual para toda a gente.
Se querem a entrada mais versátil e poder acompanhar rapidamente muitas músicas, a guitarra acústica é provavelmente o ponto de partida mais seguro.
Se aquilo que vos apaixonou foi o som imediatamente reconhecível do género, o banjo pode valer a curva de aprendizagem da mão direita.
Se querem alternar facilmente entre acompanhamento rítmico e melodias, num instrumento pequeno, o bandolim merece atenção.
Se preferem a melodia, gostam de improvisação e não se importam com uma aprendizagem inicial mais exigente, o violino oferece enorme liberdade.
Se já tocam guitarra e querem descobrir uma técnica e sonoridade completamente diferentes, o Dobro é uma opção particularmente interessante.
E se preferem ser a pessoa que mantém toda a gente no sítio enquanto os outros disputam os solos, considerem o contrabaixo.
A experiência que já têm também muda completamente a decisão.
Um guitarrista começa com vantagem na guitarra, bandolim ou Dobro. Um violinista encontrará imediatamente relações familiares no bandolim. Um baixista elétrico compreenderá a função do contrabaixo. Quem já pratica fingerstyle pode adaptar-se mais depressa à independência dos dedos necessária no banjo.
Se estão a começar completamente do zero, escolham sobretudo pelo som. Vão passar muitas horas com o instrumento. É mais fácil ultrapassar as primeiras dificuldades quando gostam genuinamente daquilo que estão a ouvir.
Que equipamento precisam além do instrumento?
O bluegrass tem uma vantagem: podem tocar praticamente tudo em modo acústico. Não precisam de começar por comprar amplificadores, pedais ou uma coleção de cabos, mas cada instrumento exige alguns acessórios.
Guitarra acústica
Uma palheta é essencial para a abordagem tradicional de flatpicking. Juntem um afinador, algumas palhetas de espessuras diferentes, cordas suplentes e um saco ou estojo.
Um capo torna-se particularmente útil quando começam a acompanhar cantores, porque permite mudar rapidamente de tonalidade mantendo formas de acordes familiares.
Banjo
Para tocar no estilo bluegrass de três dedos, vão normalmente precisar de uma unha de polegar e duas unhas metálicas para os dedos.
Um afinador, correia e conjunto de cordas suplentes completam o equipamento inicial.
Mais tarde, um capo e um sistema para alterar também a quinta corda tornam-se úteis quando começam a tocar músicas em várias tonalidades.
Bandolim
Comecem com uma boa palheta, afinador e cordas suplentes. Como as cordas são duplas, mudar um conjunto completo demora um pouco mais do que numa guitarra. Um estojo ou saco adequado é importante para transportar o instrumento com segurança.
Violino
Além do instrumento precisam de arco, resina e estojo. Muitos conjuntos de iniciação já incluem estes elementos.
Uma almofada de ombro pode melhorar bastante o conforto e um afinador ajuda durante a aprendizagem.
Dobro
Se pretendem tocar uma ressonadora horizontalmente ao estilo bluegrass, precisam de um slide adequado, além de thumbpick e fingerpicks.
As cordas e a afinação usadas devem ser adequadas ao instrumento e à técnica escolhida.
Contrabaixo
O transporte é provavelmente o principal acessório a considerar. Um bom saco protege o instrumento e facilita bastante a deslocação.
Um afinador é indispensável. Para bluegrass tocado maioritariamente com os dedos, o arco não é uma prioridade, embora possa fazer parte do conjunto se também pretendem estudar outras técnicas.
O que ouvir para começar: 5 referências fundamentais do bluegrass
Antes de participarem numa jam, vale a pena fazer com o bluegrass o mesmo que se faz quando se aprende uma língua: ouvir bastante. Comecem pelo repertório tradicional para se habituarem à pulsação, às harmonias vocais, aos breaks e à forma como os instrumentos se revezam entre acompanhamento e melodia.
Não precisam de decorar discografias inteiras. Estas cinco referências dão-vos uma base sólida para reconhecer a linguagem do género e muitas das ideias musicais que vão encontrar quando começarem a tocar com outras pessoas.
1. Bill Monroe & His Blue Grass Boys — Blue Moon of Kentucky
Bill Monroe é o ponto de partida natural para perceber as raízes do bluegrass. Em “Blue Moon of Kentucky”, ouçam como mandolim, guitarra, banjo, fiddle e contrabaixo se encaixam sem precisarem de uma bateria. Mais do que seguir apenas a melodia, tentem perceber quem está a marcar o pulso, quem preenche os espaços e como a voz se apoia no conjunto.
2. Flatt & Scruggs — Foggy Mountain Breakdown
Para perceberem o papel do banjo de cinco cordas no bluegrass, “Foggy Mountain Breakdown” é uma referência inevitável. O estilo de três dedos de Earl Scruggs mostra como os rolls podem criar uma corrente contínua de notas, enquanto a guitarra rítmica de Lester Flatt mantém a base. É também um bom exemplo de como a velocidade funciona quando o pulso está sólido.
3. The Stanley Brothers — Rank Stranger
Os Stanley Brothers mostram outra dimensão essencial do género: a importância das canções e das harmonias vocais. “Rank Stranger” é uma boa porta de entrada para o chamado high lonesome sound, uma sonoridade vocal aguda, tensa e expressiva associada ao bluegrass tradicional. Ouçam como os instrumentos sustentam a canção sem competir com as vozes.
4. The Bluegrass Album Band — The Bluegrass Album e a série
O primeiro The Bluegrass Album, lançado em 1981, reuniu Tony Rice, J. D. Crowe, Doyle Lawson, Bobby Hicks e Todd Phillips para revisitar repertório clássico. O projeto acabou por dar origem a uma série de discos que é particularmente útil para quem quer construir repertório para jams: as interpretações são claras, o acompanhamento é muito sólido e as músicas vêm diretamente da tradição de Bill Monroe, Flatt & Scruggs, Stanley Brothers e outros nomes fundamentais. “Blue Ridge Cabin Home” é um excelente ponto de entrada.
5. Nitty Gritty Dirt Band — Will the Circle Be Unbroken
O primeiro “Will the Circle Be Unbroken”, de 1972, juntou os Nitty Gritty Dirt Band a músicos de gerações anteriores, entre eles Earl Scruggs, Doc Watson, Mother Maybelle Carter e Jimmy Martin.
O resultado funciona quase como uma coleção de referências da música tradicional americana. Para quem quer entrar em jams, é especialmente útil porque apresenta muitas canções e linguagens que continuam a fazer parte do vocabulário do bluegrass e da música acústica tradicional.
Como preparar a primeira jam de bluegrass
Uma jam pode parecer intimidante quando vemos músicos experientes a tocar temas a grande velocidade mas, para participar, não precisam de ser mestres da técnica.
Há jams pensadas precisamente para principiantes, com andamentos mais lentos e repertório conhecido. E mesmo numa roda mais experiente podem começar por observar antes de tocar.
Para praticar em casa, comecem pelas melodias. Tentem conseguir tocar uma melodia do princípio ao fim sem depender constantemente de tablatura, vídeo ou partitura. Isso cria uma referência interna clara para quando começarem a tocar com outras pessoas.
Para participar numa jam, é útil conhecer algumas canções completas, mesmo que sejam simples: a melodia principal, a sequência de acordes e a estrutura básica de versos, refrões e espaços para breaks. Um break é o momento em que um instrumento assume temporariamente a linha principal, normalmente entre partes cantadas ou durante uma passagem instrumental.
Antes de se preocuparem com solos, aprendam a acompanhar com segurança. Na guitarra, trabalhem o bass-strum ou boom-chuck e algumas G-runs; no bandolim, os chops; no violino, os chops de arco. Um acompanhamento simples, regular e atento aos outros músicos é mais útil numa jam do que um solo rápido que ainda não está controlado.
Durante a jam, escutem. Quando outra pessoa canta ou faz um break, a vossa função passa a ser acompanhá-la. Não tentem preencher todos os espaços disponíveis.
Os breaks costumam circular entre os músicos. Um olhar ou pequeno gesto pode indicar quem toca a seguir. Se não querem improvisar, podem simplesmente deixar passar. E, se aceitarem o break, não precisam de inventar logo um solo complexo.
Comecem os solos pela melodia
Tocar a melodia da canção durante o vosso break é perfeitamente aceitável. Numa jam, tem até uma vantagem: ajuda os restantes músicos a reconhecerem imediatamente em que ponto da música estão.
Depois podem desenvolver o solo aos poucos. Acrescentem uma nota de passagem, mudem ligeiramente o ritmo, incluam uma pequena frase entre duas notas ou substituam uma parte da melodia por um lick. Um lick é uma frase musical curta, já aprendida, que pode ser reutilizada em diferentes solos e contextos.
À medida que se afastam da melodia, tentem continuar a ouvi-la ou cantá-la mentalmente. Essa referência interna ajuda-vos a saber onde estão na estrutura e quando devem regressar à frase seguinte. É especialmente útil em solos mais livres, em que a linha original deixa de ser tão evidente para quem está a tocar.
Também não há problema em não conhecer uma música. Observem as mudanças de acordes, tentem perceber a estrutura e toquem baixo até se sentirem seguros. Se não conseguem acompanhar, parem e ouçam. Entrar novamente no tema seguinte é melhor do que passar três minutos a tentar descobrir onde toda a gente está.
Afinem o instrumento antes de começar. Levem os acessórios de que precisam e, no caso da guitarra ou banjo, tenham o capo à mão. As músicas podem mudar de tonalidade para se adaptarem a quem está a cantar.
E não comecem pela velocidade. Em casa, toquem cada melodia, padrão de acompanhamento ou solo num andamento em que consigam manter precisão e relaxamento. Depois aumentem a velocidade pouco a pouco — alguns batimentos por minuto de cada vez, se estiverem a usar metrónomo. Um tema tocado lentamente e com toda a gente junta funciona melhor do que seis músicos a tentar bater o recorde mundial de “Foggy Mountain Breakdown”.
O ambiente das jams de bluegrass tende a ser informal e colaborativo. É comum músicos mais experientes darem indicações sobre ritmo, acordes, entradas ou repertório. Se alguém vos fizer um reparo, encarem-no primeiro como uma tentativa de ajudar, não como uma crítica destrutiva. Ouçam, experimentem e aproveitem a oportunidade para aprender; ninguém entra numa jam já a saber tudo.
A ideia fundamental com que devem ficar é a seguinte: o objetivo da primeira jam não é provar o que sabem fazer. É conseguir ouvir os outros enquanto tocam. Quando isso acontece, começam realmente a perceber o bluegrass.
Notas finais
Escolher o primeiro instrumento para tocar bluegrass não é uma questão de encontrar o mais fácil, mas encontrar aquele que vos dá vontade de pegar nele outra vez no dia seguinte.
Depois, é compreender que este estilo é simplesmente um diálogo com instrumentos, que usa regras harmónicas e melódicas bem estabelecidas e fáceis de compreender. É essa conversa que torna o bluegrass especial. Agora só precisam de escolher qual das vozes querem aprender a falar.
Descubram a vossa voz na loja online do Salão Musical, temos todos os instrumentos e acessórios que precisam para começarem a tocar bluegrass o mais rápido possível.
Foto Brooke Balentine / Unsplash





